A Fórmula 1 é, mais do que tudo, uma festa mundial. Além do campeonato circular por 21 Grandes Prêmios espalhados por quase todo o planeta, diversos países são representados entre os pilotos. Reino Unido, Alemanha, Brasil e França são, de longe, os mais vitoriosos na categoria máxima do automobilismo. Porém, como fica o outro lado dessa disputa?

A provocação tem um ponto de partida: Charles Leclerc desponta como o grande piloto de Mônaco, capaz de trazer a primeira vitória para um principado que, até hoje, é famoso apenas por sediar corridas. Há, porém, casos de maior ostracismo – entre aqueles que já participaram da categoria, claro. 

(Charles Leclerc (Foto: Ferrari))

Louis Chiron, o primeiro grande piloto de Mônaco

10) Mônaco

Ao contrário do que se diz normalmente, Charles Leclerc não é o primeiro piloto de Mônaco a correr na F1. Essa marca pertence a Louis Chiron, que estava no primeiro GP a contar pontos na história do Mundial de Pilotos, em 1950. 

Chiron, que chegou a ser até gigolô no Hotel de Paris para conseguir pagar as contas enquanto era jovem, foi um dos primeiros grandes pilotos locais, vencendo o GP de Mônaco em 1931. Porém, na época do advento da categoria máxima do automobilismo, o seus anos de glória já tinham ficado no passado. Por lá, ele correu de forma esporádica até 1958 – quando tinha surpreendentes 58 anos! 

Nos registros e tabelas históricas, o primeiro monegasco contabiliza apenas quatro pontos marcos. 

Outros vieram depois. André Testut correu em duas corridas numa Maserati privada, em 58 e 59. Após 35 anos, Olivier Beretta – muitas vezes creditado como francês, mas nascido em Mônaco – fez toda a temporada completa de 1994 pela pequena Larrousse. 

Não acaba aí: Robert Doornbos, que nasceu na Holanda, carregou a nacionalidade monegasca por algum tempo em 2005, quando correu a parte final da temporada pela Minardi. 

De qualquer forma, nenhum deles chegou perto dos resultados e da popularidade do ainda jovem Charles Leclerc. O piloto estreou em 2018 pela Alfa Romeo e, agora em 2019, corre pela Ferrari. A primeira vitória do país na F1 é questão de tempo. 

9) Tailândia 

Até hoje, dois pilotos da Tailândia (ou quase isso) correram na Fórmula 1. O primeiro deles foi Birabongse Bhanudej, que era membro da família real e corria com o nome de Príncipe Bira. O tailandês competiu entre 1950 e 54, conquistando sete pontos em dez GPs por equipes como Connaught e Maserati. Como vemos, era uma época na qual o glamour estava dentro e fora dos cockpits. 

O segundo representante do país é ninguém menos que Alexander Albon, que estreou na categoria agora em 2019, pela Toro Rosso. Apesar de ser nascido em Londres, o piloto corre com a bandeira do país asiático – pela qual já conquistou sete pontos.

Kubica, na única vitória de um piloto da polônia na F1 (AFP)

8) Polônia

Por mais que esteja na Europa, a Polônia tem quase nenhuma tradição na história da Fórmula 1 – em parte, por conta dos anos que ficou atrás da Cortina de Ferro, durante a Guerra Fria. Por isso, a presença de Robert Kubica é marcante: ele é o primeiro (e único) a representar a terra do papa João Paulo II na Fórmula 1. Ele conta com apenas uma vitória em toda a carreira.

Kubica, aliás, tem uma trajetória marcante por outros motivos. O polonês correu por BMW Sauber e Renault até sofrer um grave acidente correndo de rally no começo de 2011. Voltou ao posto de titular apenas este ano, sofrendo com a falta de velocidade da Williams e com as sequelas físicas que ficaram.

7) Hungria

Outra “vítima” da Guerra Fria foi a Hungria, onde o regime comunista no pós-guerra deixou o país longe da F1. Por isso, o único representante do país foi Zsolt Baumgartner, que correu por Jordan e Minardi entre 2003 e 2004. Ele marcou apenas um pontinho e, depois, chegou a se aventurar na finada Champ Car.

E foi isso.

A passagem de Enge foi rápida, mas ao menos ele pilotou este belo (e lento) carro da Prost

5) Lichtenstein

Lichtenstein é outro europeu que pouco apareceu na F1. O problema, porém, nunca foi de ordem política. O caso é bem parecido com o de Mônaco: este é um principado de 160 km², com 38 mil habitantes. Simplesmente tem pouca gente para levar a bandeira do país, de forma geral. 

O único a representar o país na categoria foi Rikky von Opel, que correu por Ensign e Brabham entre 73 e 74. Nunca marcou pontos.

Uma curiosidade: Rikky é neto de Adam Opel, fundador da fabricante alemã de carros que hoje faz parte do Groupe PSA, também dona de Peugeot e Citroën. 

4) Chile

Ainda que Brasil e Argentina sejam representativos no mundo do automobilismo e da F1, o mesmo não se pode falar de boa parte dos outros países da América do Sul. Um exemplo é o Chile: o país teve apenas um piloto na categoria, chamado Eliseo Salazar. 

Salazar correu entre 1981 e 83, passando pelas equipes March, Ensign, ATS e RAM. O chileno marcou apenas três pontos, mas talvez seja mais conhecido pela briga que teve com Nelson Piquet após tirar o brasileiro do GP da Alemanha de 1982. 

A Venezuela, vale ressaltar, possui mais tradição na Fórmula 1. O país já teve três representantes na categoria, conquistando uma única vitória – aquela de Pastor Maldonado, pela Williams, em 2011. 

A briga entre Piquet e Salazar foi o ponto alto da presença do Chile

3) Malásia

A Malásia já sediou 19 GPs em toda a história da F1, mas teve apenas um piloto: Alex Yoong. Financiado por dinheiro estatal, o malaio estreou em 2001 pela Minardi, onde correu até o ano seguinte. Sem pontos ou resultados expressivos, foi competir nas finadas Champ Car e A1 GP – chegando a vencer corridas nessa última. 

2) Indonésia

Outro país asiático com menos expressão ainda é a Indonésia. O maior país insular do mundo teve apenas um representante: Rio Haryanto, que correu na pequena Manor na temporada 2016. Acabou sacado após 12 corridas por falta de patrocínio, sendo substituído pelo francês Esteban Ocon. 

 

1) Marrocos

O Marrocos é uma das principais economias da África e fica próximo da Europa. Ainda assim, apenas um piloto representou o país na categoria máxima do automobilismo: Robert La Caze.

Nascido na França, La Caze participou de apenas uma corrida, justamente o GP do Marrocos de 1958 – a única vez na história que o país sediou uma corrida. Vale dizer que o franco-marroquino participou com um chassis Cooper de Fórmula 2, em uma época na qual isso ainda era possível.

É, sem dúvidas, a mais inexpressiva participação de um país na Fórmula 1. 

Leia mais

Ousando ser diferente

– Louco para voltar

– A felicidade fora da Fórmula 1

– Ímola, 25 anos depois