Na noite deste sábado (7), a Fórmula Delta se pronunciou pela primeira vez sobre a morte do adolescente de 16 anos espancado pelo piloto Pedro Turra, ex-integrante da categoria, no Distrito Federal. Em comunicado à imprensa, a Delta se solidarizou com a família e os amigos da vítima e reforçou que não tem mais vínculo com o piloto de 19 anos.

“A Fórmula Delta manifesta sua solidariedade aos familiares e amigos de Rodrigo Castanheira neste momento de profunda dor. Nos unimos em respeito e sentimento a todos que estão enfrentando essa perda tão difícil”, escreveu brevemente a categoria.

No entanto, a maior parte do comunicado focou em desvincular a Fórmula Delta de Turra, piloto que havia participado de uma corrida na temporada 2025 e estava escalado como titular para a edição 2026 do campeonato.

No dia do ocorrido, a categoria apenas disse que aguardava o “posicionamento dos órgãos civis competentes” para decidir as medidas que seriam aplicadas. Além disso, reforçou que “os fatos noticiados são de caráter estritamente pessoal e não têm qualquer ligação com a Fórmula Delta, seus dirigentes, equipes ou valores institucionais”.

O desligamento de Turra foi confirmado em 26 de janeiro, três dias após o ocorrido, com a Fórmula Delta afirmando via nota que a decisão foi tomada após “resolver todas as questões nos devidos termos jurídicos e internos”.

Agora, a categoria fez questão de reforçar o desligamento do piloto e negou qualquer relação atual com Turra ou outros nomes envolvidos no caso. Além disso, também ameaçou tomar “medidas cabíveis no âmbito jurídico e legal” contra qualquer um que associar o piloto à Fórmula Delta.

“Pedro Turra estava inscrito para disputar a temporada 2026 e realizou apenas uma etapa em 2025 como preparação. Após os acontecimentos que são de conhecimento público, o piloto foi oficialmente excluído da temporada 2026 e, consequentemente, da Fórmula Delta”, salientou a categoria.

“Reforçamos também que o piloto citado em novas notícias e apontado como um dos envolvidos não tem e nunca teve qualquer relação com a Fórmula Delta, ao contrário do que vem sendo divulgado por parte da mídia e do público”, disse a nota, sem citar quem seria o outro piloto envolvido no caso.

A defesa do adolescente espancado, através do advogado Albert Halex, alega que a agressão foi planejada e o jovem foi vítima de uma emboscada motivada por ciúmes de uma ex-namorada de um piloto de drift. O nome do esportista, no entanto, não foi revelado.

“A Fórmula Delta não autoriza o uso de sua imagem, nome, identidade visual ou de seus apoiadores em postagens que associem Pedro Turra ou o novo piloto envolvido no caso como atuais integrantes da categoria. Caso isso continue ocorrendo, serão tomadas as medidas cabíveis no âmbito jurídico e legal. A Fórmula Delta preza pela responsabilidade, pela verdade dos fatos e pelo respeito às pessoas e às instituições”, finalizou o comunicado.

Pedro Turra, piloto preso por agredir adolescente de 16 anos (Foto: Reprodução / Instagram @formuladelta)

Entenda o caso

Na madrugada do dia 23 de janeiro, Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, agrediu um adolescente de 16 anos após uma briga na porta de um condomínio na região de Vicente Pires, no Distrito Federal.

Depois de sofrer uma série de golpes, o adolescente bateu a cabeça na porta de um carro e sofreu um traumatismo craniano e uma parada cardiorrespiratória de cerca de 12 minutos. Ele foi levado ao hospital e internado em estado gravíssimo, ficando em coma induzido por 16 dias, mas não resistiu e morreu neste último sábado (7).

Turra, por outro lado, foi preso em flagrante por lesão corporal gravíssima e tentativa de homicídio. De início, o piloto chegou a ser liberado após pagar fiança de R$ 24,3 mil, mas voltou a ser preso preventivamente no dia 30 de janeiro. A Fórmula Delta, por sua vez, desligou Turra do quadro de pilotos para a temporada 2026 da categoria.

O piloto cumpre a prisão preventiva no Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo Penitenciária da Papuda, desde segunda-feira (2). Na quarta-feira (4), a defesa de Turra apresentou um pedido de habeas corpus, que foi negado na última sexta-feira (6).

Cumprindo a decisão imposta pelo desembargador Diaulas Ribeiro, da 2ª Turma Criminal, Turra está em uma cela individual e isolado dos demais detentos após relatar ameaças feitas por policiais e outros presos.

Pablo Aguiar, da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), delegado responsável pelo caso, afirmou que a prisão preventiva de Turra só foi possível e recebeu autorização judicial após agentes reunirem múltiplos depoimentos que comprovam um longo histórico de violência do suspeito.

Ao todo, quatro ocorrências que estão sob investigação envolvem o ex-piloto da Fórmula Delta, incluindo a agressão contra o jovem de 16 anos que morreu.

Em junho de 2025, um boletim de ocorrência aponta Pedro Turra como suspeito de ter socado e imobilizado um jovem de 18 anos com um mata-leão em uma briga em uma praça de Águas Claras (DF).

Antes, porém, Turra se envolveu em outros dois episódios separados que só foram denunciados depois das vítimas reconheceram o piloto em reportagens recentes sobre o caso de agressão em janeiro. Um homem de 49 anos registrou um boletim de ocorrência no dia 28 de janeiro contando que Pedro e um grupo de amigos se envolveram em uma confusão após um acidente de trânsito e acusaram o homem de ter provocado a batida.

Em paralelo, uma jovem de 18 anos procurou a polícia para denunciar Turra por forçá-la a ingerir álcool quando ainda era menor de idade. Segundo o delegado Pablo Aguiar, o episódio ocorreu no Jóquei Clube de Brasília, em junho de 2025, mesmo mês da briga na praça de Águas Claras.

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