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5 coisas que aprendemos no dia 4 dos testes de pré-temporada de Barcelona da F1 2026

O penúltimo dia de testes da Fórmula 1 em Barcelona testemunhou a primeira vez do carro da Aston Martin, no projeto que tem a assinatura de Adrian Newey. Mas o time foi capaz de percorrer pouquíssimas voltas. A Mercedes, por outro lado, ratificou a força e encerrou a participação na Catalunha com uma nova dobradinha

Evelyn Guimarães

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A quinta-feira (29) acompanhou a penúltima sessão de atividades privadas da F1 em Barcelona, em um dia de uma estreia tumultuada, mas também de alta quilometragem. A Aston Martin enfim colocou na pista o AMR26 e precisou lidar com contratempos e poucas voltas. Ainda assim, foi possível ter noção de algumas ideias que o projetista Adrian Newey criou para o novo carro da marca inglesa. Mas enquanto a esquadra de Lawrence Stroll corria nas garagens, a Mercedes estabelecia um ritmo assustador. De novo, o time alemão liderou a tabela de tempos em dobradinha, exibindo uma forma do ‘velho testamento’.

O dia também foi marcada pela volta ao trabalho da Ferrari. A escuderia vermelha, que havia testado apenas na terça-feira, agora usou bem o tempo na Catalunha. Lewis Hamilton andou apenas pela manhã e saiu satisfeito da SF-26. Já Charles Leclerc foi quem mais se aproximou das Flechas de Prata e também foi capaz de imprimir um ritmo consistente na fria tarde catalã.

A sessão ainda seguiu o drama da McLaren em uma falha de confiabilidade, assim como a Red Bull, que ainda espera peças de reposição após o acidente de Isack Hadjar no começo semana. Racing Bulls e Cadillac também trabalharam muito nesta quinta-feira. Portanto, aqui estão os cinco pontos mais importantes do dia na Catalunha.

Aston Martin: ‘Somente para seus olhos’

A Aston Martin enfim chegou a Barcelona nesta quinta-feira, depois de uma semana voltada para os preparativos finais do projeto de 2026, o primeiro assinado por Adrian Newey e empurrado pelo motor Honda. O atraso no desenvolvimento foi sentido na pista, especialmente do intenso trabalho do time em deixar tudo pronto ao longo do dia. Ainda assim, a estreia foi marcada por uma falha de confiabilidade. Lance Stroll foi o escolhido para guiar o carro ainda sem pintura, no preto da fibra de carbono.

O canadense foi capaz de completar a primeira volta de instalação apenas na última hora das atividades. Aí, voltou à garagem e ficou por lá quase 50 minutos, para então sair novamente. Com 10 minutos para o fim, Lance voltou ao trabalho e, com apenas quatro giros, o carro apresentou problemas e parou no setor final do traçado. O único registro do #18 foi alto, com 1min46s404, quase 30s mais lento que Russell.

Mesmo assim, foi possível notar que a Aston Martin investiu bem na aerodinâmica em linhas mais limpas, como uma dianteira mais alongada, sidepods refinados e que acompanham as entradas de ar, que têm um desenho bastante diferente na comparação com outras equipes. A cobertura do motor também parece mais estreita, buscando uma menor resistência. A expectativa agora é que a equipe consiga aproveitar a sexta-feira, último dia desta primeira sessão da pré-temporada.

Aston Martin divulgou foto em preto e branco dos testes de pré-temporada (Foto: Aston Martin)

Mercedes: um tanque de guerra veloz

A Mercedes encerrou o programa de testes nesta quinta-feira com uma demonstração de força. Porque a consistência seguiu como um principal pilar deste novo projeto, uma vez que George Russell e Kimi Antonelli foram capazes de percorrer 2.325 km nos três de atividades no circuito de Barcelona — ou 500 voltas. O time enfrentou pouquíssimos problemas e soube trabalhar bem o tempo, desde a coleta de dados, experimentos aerodinâmicos aos testes de velocidade. Sim, a performance também foi um ponto alto da semana da Mercedes.

De novo, a equipe fechou a sessão com uma dobradinha, agora puxada por Russell, com 1min16s445, em cima dos pneus médios. E o interessante aqui é perceber que a marca obtida pelo inglês superou o tempo da volta mais rápida registrada por ele durante o GP da Espanha do ano passado. Quer dizer, o ritmo da Mercedes impressiona demais, mas também já dá para começar a pensar sobre o quanto essa nova geração de carros tem potencial para alcançar o desempenho do antigo regulamento.

De toda a forma, a octacampeã deve chegar ao Bahrein com uma considerável distância para as rivais, como ratificou o diretor Andrew Shovlin: “Em termos de confiabilidade, foi uma boa semana para nós. O carro nos permitiu executar o programa exatamente como queríamos em cada um dos três dias, e era isso que esperávamos ao vir a Barcelona. Também fizemos um bom progresso com alguns dos desafios que encontramos nos dois primeiros dias, o que é gratificante.”

“Dito isso, em Barcelona, ​​nosso foco principal foi testar o W17. No Bahrein, vamos explorar diferentes configurações, algo impossível com o frio intenso. Isso nos dará uma ideia muito melhor das capacidades do carro para a temporada de 2026”, concluiu.

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George Russell testa o W17 da Mercedes em Barcelona (Foto: Mercedes)

Ferrari em longa distância

Depois da terça-feira chuvosa em Barcelona, a Ferrari preferiu pular a quarta e só hoje voltou ao trabalho com a SF-26. E quem conduziu o carro pela manhã foi Lewis Hamilton. O objetivo foi quilometragem e consistência. Assim como a Mercedes, a equipe italiana enfrentou poucos obstáculos e foi capaz de focar tanto na coleta de dados como na análise dos elementos aerodinâmicos. E diante deste cenário tão favorável, o heptacampeão conseguiu imprimir um ritmo consistente e andou por 85 voltas — talvez a única questão do dia tenha sido realmente as baixas temperaturas no início, porque isso sempre torna mais difícil entender o comportamento dos pneus.

“Foi ótimo finalmente andar no seco e fazer alguns testes na pista, porque o primeiro dia foi terrivelmente chuvoso. E foi útil sair e ver como estava a situação: em Fiorano, só tinha dado uma volta, talvez duas, só para sentir o carro”, contou Hamilton, que chegou a rodar no começo do dia. “Também foi bom para entender os pneus. Usamos os C2 e C1. Neste frio, os pneus não funcionam tão bem, mas completamos o programa e temos uma ideia de como o carro está e onde precisamos melhorar.”

Charles Leclerc assumiu o carro à tarde e também acumulou uma distância significativa — 83 giros. Em termos de tempo de volta, o monegasco terminou a sessão na terceira posição, 1s5 atrás da Mercedes. No entanto, a meta ferrarista também foi a de atingir um patamar alto de confiabilidade. Até agora, a Ferrari não tem do que reclamar e terá ainda a sexta-feira para completar essa primeira fase de desenvolvimento.

McLaren ainda foge dos holofotes

Ainda que ostente o posto de campeã vigente, a McLaren parece querer fugir dos holofotes, mas uma falha técnica nesta quinta-feira frustrou os planos. Depois das 76 voltas de Lando Norris ontem, hoje foi a vez de Oscar Piastri guiar o novo MCL40. Como as rivais, a equipe inglesa também se concentrou os testes aerodinâmicos e na quilometragem, mas uma falha no sistema de combustível acabou comprometendo o dia de trabalho. Ainda assim, o australiano foi capaz de percorrer 48 giros pelo circuito espanhol e tratou de minimizar o contratempo.

“Foi muito bom voltar, especialmente em um carro novo. Há muitos desafios novos neste ano, em toda a equipe e também no grid, então foi legal já começar a encarar alguns deles. Infelizmente tivemos alguns problemas hoje — um no sistema de combustível que acabou encurtando o nosso dia —, mas sei que a equipe está trabalhando muito para resolver isso e nos colocar de volta na pista para dar o máximo de voltas possível amanhã”, disse Piastri.

“Há muito o que aprender sobre o carro novo, com certeza. As primeiras coisas são basicamente tentar eliminar os problemas iniciais, encontrar falhas. São carros completamente diferentes, motores totalmente diferentes do que tivemos nos últimos três ou quatro anos, então isso faz parte do objetivo deste teste. Acho que já identificamos algumas coisas que podemos melhorar no carro para torná-lo um pouco mais agradável de pilotar. Tudo é diferente do que estávamos acostumados, então o foco agora é encontrar os problemas e depois tentar deixar o carro mais rápido”.

A McLaren volta também volta à pista nesta sexta.

Max Verstappen deve voltar à pista nesta sexta-feira (Foto: Red Bull Content Pool)

O dia final

A sexta-feira vai encerrar a semana de testes privados da F1 em Barcelona, com ainda algumas arestas a aparar antes da pré-temporada oficial no Bahrein. Um deles diz respeito à Aston Martin, que percorreu apenas cinco voltas, depois de um atraso considerável no início das atividades. Há também uma expectativa em torna da Red Bull. Devido ao acidente sofrido por Isack Hadjar na terça, a esquadra dos energéticos ficou sem peças de reposição e, por isso, não colocou o RB22 na pista nesta quinta-feira.

Segundo os portais neerlandeses De Telegraaf e RacingNews365, a forte batida de Hadjar destruiu a traseira do carro da Red Bull, e isso tumultuou todo o programa técnico do time. De toda a forma, a ideia é que Max Verstappen assuma os trabalhos nesta sexta, para concluir essa primeira parte dos testes. O tetracampeão andou no segundo dia, mas a chuva acabou atrapalhando a sessão. Enquanto isso, a irmã caçula completou os testes, com uma significativa quilometragem — 321 voltas ao todo.

Cadillac também retorna às atividades neste dia final, buscando consistência. Nesta quinta, Sergio Pérez esteve à frente dos trabalhos, mas em um ritmo ainda bastante aquém do restante do grid.

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