A primeira metade da temporada 2026 da MotoGP ficou marcada pela força da Aprilia. Mas não apenas isso. Ao longo das 11 primeiras corridas do ano, a classe rainha do Mundial de Motovelocidade testemunhou a reação da Ducati, a recuperação de Marc Márquez, a derrocada de Marco Bezzecchi e muito mais.

O principal destaque da temporada foi a força da RS-GP. A Aprilia colocou na pista uma moto afiada, que permitiu a Bezzecchi dominar as ações. Nas sete primeiras etapas do ano, salvo os muitos tropeços nas sprints, o italiano dominou e se colocou como principal candidato ao título.

Do outro lado dos boxes, Jorge Martín deixou para trás o pesadelo do ano passado e voltou às boas ainda pegando a moto do protótipo do grupo Piaggio.

Neste cenário, a Aprilia se colocou como a principal força da temporada e forçou a Ducati a correr atrás do prejuízo. Sob a batuta de Gigi Dall’Igna, Borgo Panigale conseguiu polir a Desmosedici GP26, que se tornou mais competitiva e conseguiu acompanhar a performance da rival da Noale.

Jorge Martín fechou a primeira metade da temporada na liderança da MotoGP (Foto: Aprilia)

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O momento mais decisivo para a equipe de Bolonha, porém, aconteceu bem longe das pistas, em um centro cirúrgico em Madri. Incomodado com o ombro direito, Marc Márquez recorreu aos médicos e descobriu que parafusos instalados em operações anteriores tinham sido danificados no ano passado e estavam pressionando um nervo.

O afastamento foi curto, e, ao voltar, o #93 logo encontrou a velha forma e passou a ganhar força no campeonato. Dos mais de 100 pontos de atraso para o líder que chegou a ostentar no GP da Itália, Marc saiu de férias com só 18 a menos do que Martín, ocupando a terceira colocação da tabela.

Mas o irmão de Álex não foi o único a melhorar. Francesco Bagnaia, mesmo que ainda distante do piloto que foi outrora, se mostrou mais forte, enfileirando pódios na temporada.

A única constância de 2025, contudo, veio de Fabio Di Giannantonio. Correndo com o apoio da Ducati, o italiano foi competitivo desde o início do ano e sempre se manteve bastante vivo na briga pelo título.

Álex Márquez, por outro lado, tardou em se entender com a GP26, mas, quando começou a ser competitivo, foi vítima de um acidente horroroso na Catalunha e precisou se afastar. O #73 até voltou mais rápido do que o esperado, mas, mesmo assim, não fechou a primeira metade do ano em plena forma.

O departamento médico, aliás, também ficou movimentado com Johann Zarco. O francês sofreu uma queda feia na curva 1 de Barcelona na relargada após o acidente do titular da Gresini e acabou com a perna presa na moto de Bagnaia, o que resultou em lesões de ligamento e até uma queimadura. O #5 deve voltar à ativa apenas em setembro.

Quem também precisou da ajuda de um médico foi Maverick Viñales. O ‘Top Gun’ teve problemas no ombro também por causa de parafusos de cirurgias anteriores, mas, diferente de Márquez, voltou à ativa sem recuperar a velha forma.

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Marc Márquez ganhou força na temporada após resolver problemas no ombro (Foto: Ducati)

Aliás, a KTM tampouco está em plena forma. A casa de Mattighofen é hiper dependente de Pedro Acosta, mas andou ‘sabotando’ o espanhol com quebras constantes. Os austríacos fecharam a primeira metade da temporada esperando o aval das demais fabricantes para poder mexer no motor, já que as quebras também representam uma falha de segurança.

Enquanto as equipes europeias viveram momentos de destaque, as fábricas japonesas sofreram. A Honda foi menos chamativa do que na parte final da temporada passada, mas ainda tem razões para celebrar. Luca Marini é o melhor na classificação, respaldada pela solidez de sempre. Novato, Diogo Moreira chamou a atenção e mostrou bastante evolução ao longo do ano. Zarco, enquanto esteve ativo, costumava ser o melhor a bordo da RC213V. A exceção fica por conta de Joan Mir, que até mostra lampejos de bom desempenho, mas completa muito poucas corridas.

Na Yamaha, o cenário é outra. A casa de Iwata mudou a moto para adotar o caminho do V4, mas, até agora, não só não tem o melhor motor do pedaço, mas também tem um protótipo sem forças que o destaquem. Assim, segue na lanterna do Mundial de Construtores.

Aliás, o campeonato sofreu uma reviravolta considerável no segundo quarto de 2026. A reação de Márquez na classificação foi facilitada por Bezzecchi, que somou apenas 13 pontos nas últimas quatro etapas e derreteu, caindo para a quarta colocação, a 22 pontos do companheiro de equipe.

Além disso, a dupla da Trackhouse cresceu de produção nas últimas corridas, com Ai Ogura chamando atenção em especial. O japonês, que conquistou a primeira vitória da carreira na MotoGP, assumiu a vice-liderança do Mundial de Pilotos e se tornou um dos focos de atenção.

Depois de 11 corridas, a MotoGP tem o cenário bastante imprevisível, com a Aprilia viva na briga, mas em uma situação menos confortável do que as primeiras corridas indicavam. A Ducati superou os desafios iniciais e colou na RS-GP, com Márquez recomposto para brigar pelo décimo título da carreira.

Com 11 corridas pela frente, a MotoGP não deve ver grandes atualizações nesta segunda metade do ano, já que as fábricas estão focadas nas motos de 2027. Assim, a disputa vai ficar muito mais nas mãos dos pilotos. E tudo pode acontecer.

MotoGP está de férias e só volta a acelerar entre os dias 7 a 9 de agosto, com o GP da Grã-Bretanha, 12ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.