O GP de Washington trouxe novos elementos para a reta final da temporada 2026 da Indy e reforçou algumas tendências que vinham aparecendo ao longo do campeonato. A vitória dominante de Kyle Kirkwood reduziu a vantagem de Álex Palou, enquanto a Honda manteve o domínio nos circuitos de rua e Caio Collet enfim conquistou seu primeiro top-10 no ano em uma atuação risco zero.

A etapa na capital dos Estados Unidos também deixou lições fora da pista. A Indy mostrou novamente que pode criar eventos de grande impacto quando há investimento, enquanto Scott McLaughlin colocou as barbas de molho depois de desperdiçar um bom resultado com um erro na parte final da corrida. Confira 5 coisas que aprendemos com o GP de Washington.

Álex Palou bateu na parte final do GP de Washington (Vídeo: Reprodução/Fox)

Kirkwood capitaliza ao máximo em dia de tragédia para Palou

Lapidado desde cedo para se tornar um piloto da Indy, Kyle Kirkwood mostrou em Washington o talento que tem: venceu sem dar margem para a concorrência. Por mais que a Andretti tenha um bom acerto para circuitos de rua — comprovado com Will Power e Marcus Ericsson em terceiro e quarto, além da vitória do sueco em Markham —, o desempenho dominante no domingo (23) prova a capacidade que o norte-americano possui.

Kyle Kirkwood (Foto: IndyCar)

Kirkwood mostrou a velocidade que tem e a consistência que se espera de alguém que projeta ser campeão da Indy em uma era dominada por Álex Palou. E, enfim, capitalizou da maneira devida em cima do espanhol, que teve um dia para esquecer, com uma série de contratempos que o fez terminar em 20º.

Para 2026, ficou tarde. Mas esse tipo de desempenho é um alento para 2027, que pode ter uma disputa de fato pelo título — apesar de ficar a impressão de que esse tipo de discurso também se repetiu nos últimos anos.

Honda domina as ruas da Indy

Se a Andretti tem um grande acerto para circuitos de rua, ser empurrada pelo motor Honda contribui e tanto para o sucesso nesse tipo de traçado. A montadora japonesa varreu a temporada 2026 dos circuitos urbanos da Indy.

As diferenças entre os motores na Indy variam muito pouco, pois a categoria preza pela equivalência, mas as seis vitórias nos circuitos de rua mostram que a Honda tem algo para esse tipo de traçado que a Chevrolet não tem. Além dos triunfos, a Honda ocupou 15 dos 18 lugares no pódio nessas etapas — só não dominou o top-3 em St. Pete, quando Palou venceu com Scott McLaughlin e Christian Lundgaard, e em Washington, quando o dinamarquês se colocou entre Kirkwood e Power.

Collet conquista melhor resultado com risco zero

Caio Collet (Foto: IndyCar)

Caio Collet alcançou, enfim, um lugar no top-10 na temporada 2026 da Indy, deixando Sting Ray Robb como único piloto a não conseguir o feito na Indy em 2026. O nono lugar foi merecido pelo desempenho do brasileiro, apesar de ter perdido posições durante as três paradas nos boxes em Washington, mas conquistado sem assumir riscos no circuito de rua — o que fica como uma lição considerável para o piloto.

O ano de altos e baixos passa por falhas da Foyt, com paradas lentas em muitas das etapas e a quebra do motor em St. Louis, quando um lugar entre os cinco primeiros parecia fácil para Collet, mas também esbarra em erros do piloto, com acidentes em Indianápolis, Nashville e no TL2 em Markham, que gerou um efeito-borboleta negativo por lá.

Consistência é tudo na Indy, que tem um carro complicado de guiar por não contar com assistência de direção — o que complica ainda mais em circuitos de rua, que têm diversos bumps — e, muitas vezes, apenas terminar a corrida já garante um resultado interessante. É nítido que Collet possui mais velocidade que Santino Ferrucci em traçados urbanos e circuitos mistos, mas o norte-americano, mesmo sem atuações de gala neste ano, tem 234 pontos contra 180 do brasileiro, muito por fazer o básico e também, claro, pelo desempenho em ovais.

Indy mostra que sabe fazer bom evento. Basta querer

O GP de Washington trouxe para a Indy uma visibilidade sem precedentes quando o assunto é organizar uma corrida que não seja as 500 Milhas de Indianápolis. Por se tratar de uma prova que celebrava os 250 anos da Declaração da Independência e a primeira realizada na capital dos Estados Unidos, a categoria alcançou um público que não estava habituado a acompanhá-la nos Estados Unidos, com um investimento pesado da Penske Entertainment, proprietária do certame.

A largada do GP de Washington (Foto: IndyCar)

A empresa também é uma das sócias do GP de Arlington, que deixou boa impressão para quem acompanhou a etapa, seja na TV ou in loco — fruto da parceria com os Dallas Cowboys, time da NFL, e o Texas Rangers, da MLB. Não que não houvesse exemplos semelhantes nas demais etapas, mas esses são dois casos em que a companhia dona da Indy também é responsável pela organização do evento e, em ambos os exemplos, ocorreu algo com relevância e excelência, diferente de Markham, que não teve a pista pronta para o primeiro dia de atividades.

Em Arlington, muitos dos envolvidos pediram que a Indy tivesse aquela prova como novo padrão. Washington foi a confirmação dessa capacidade da categoria, que correu contra o tempo para tudo dar certo, visto que a etapa foi confirmada somente em janeiro deste ano. Que os dirigentes possam mirar esse tipo de oportunidade e não montem um calendário sem pensar nesse sarrafo estabelecido.

McLaughlin joga desempenho no lixo com erro grosseiro

Scott McLaughlin chegou a ser apontado como um nome que poderia desafiar Palou na Indy, mas tem apresentado resultados questionáveis para um piloto da Penske. Em Washington, o desempenho foi bom, andando em posição de pódio praticamente durante toda a corrida, mas jogou o resultado no lixo em uma tentativa para lá de grosseira de assumir a liderança na relargada na parte final: freou tão tarde que foi direto no muro.

Scott McLaughlin tentou ultrapassar Kyle Kirkwood pela liderança do GP de Washington e parou no muro (Vídeo: Reprodução/IndyCar)

Essa queda de desempenho vem justamente no ano em que recebeu um reforço de peso nos boxes, com a chegada de Tim Cindric, ex-presidente da Penske, como estrategista. Com contrato até o fim de 2027, McLaughlin vai ter três etapas e um campeonato inteiro pela frente para reagir, pois a sombra de Felipe Nasr tem ficado cada vez maior.

A Indy retorna neste fim de semana, com a rodada dupla no oval de 1 milha (1,609 km) de Milwaukee — 16ª e 17ª etapas da temporada 2026 —, localizado na cidade de West Allis, no Wisconsin. O GRANDE PRÊMIO faz cobertura completa do evento.