A etapa em Madri chega, neste fim de semana, para colocar números finais na temporada 2026 da Fórmula 3. É a estreia da categoria no novíssimo Madring e logo com uma rodada tripla e já chega como palco da decisão da briga pelo título entre Freddie Slater e Ugo Ugochukwu. Ernesto Rivera e Théophile Naël também têm chances matemáticas, mas uma virada parece improvável, visto que, além de contarem com o tropeço dos rivais, precisam ter um fim de semana perfeito e somar quase todos os pontos disponíveis.

A temporada de cada um dos três foi marcada por características diferentes. Slater é quem menos venceu até agora, mas encontrou uma consistência invejável e conquistou um pódio em todos os fins de semana de corrida.

Já Ugochukwu se valeu da experiência para maximizar os pontos nas rodadas iniciais e venceu duas corridas, mas passou por dificuldades na Bélgica, na Hungria e na Itália. Foi o que permitiu o crescimento de Slater.

Rivera, por outro lado, ficou de fora da primeira etapa, na Austrália, mas encontrou alguma regularidade ao longo do ano para vencer duas corridas e, de alguma forma, chegar a Madri ainda com chances matemáticas da conquista. Naël triunfou duas vezes e conquistou alguns pódios, mas pecou pela falta de consistência ao ficar fora do top-10 diversas ocasiões.

Ugo Ugochukwu tem uma chance razoável de virar o jogo em Madri (Foto F3)

Como forma de compensar o cancelamento da etapa do Bahrein, a F3 transformou o fim de semana em Madri numa rodada tripla, com uma corrida a mais que o habitual. Assim, além do único treino livre, estendido para 45 minutos, a sexta-feira (11) conta com duas sessões de classificação. Sábado (12) é dia de sprint, com grid invertido baseado na primeira sessão de classificação e, posteriormente, a primeira prova longa. No domingo (13), a temporada acaba com a corrida final, com grid definido pelos resultados da segunda classificação.

A F3 distribui dois pontos para quem conquista a pole na classificação, dez para o vencedor da sprint e 25 para quem leva a melhor na prova longa. Além disso, o piloto que terminar no top-10 com a volta mais rápida também ganha um ponto. Portanto, 67 pontos estão em jogo em Madri.

Slater (141) tem 15 pontos de vantagem sobre Ugochukwu (126), 65 em relação a Rivera (76) e 66 sobre Naël (75). Portanto, veja o que cada um precisa para se sagrar campeão em Madri.

Freddie Slater

Freddie Slater foi ao pódio em todas as etapas da F3 2026 (Foto: F3)

Com 15 pontos de vantagem, Slater está em uma posição relativamente tranquila e pode resolver o campeonato ainda no sábado. Para isso, ao fim do dia, precisa ter um conjunto de resultados na classificação e nas corridas que o deixe a pelo menos 29 pontos à frente de Ugochukwu. Ou seja, já vai acordar campeão no domingo caso estique em 14 pontos a vantagem entre sexta e sábado.

Mesmo no melhor cenário possível, que consiste em fazer a pole nas duas classificações e vencer as duas corridas do sábado com a volta mais rápida, Slater dependeria de uma combinação de resultados de Ugochukwu. Afinal, o britânico marcaria 39 pontos no dia — com os outros dois pontos da segunda pole sendo contabilizado apenas no domingo —, enquanto dois segundos lugares renderiam ao americano 27 tentos, elevando a diferença entre eles para os mesmos 27 pontos.

Caso isso aconteça e Slater faça as duas poles, o título seria definido no momento da largada no domingo (13). Afinal, a regra determina que o piloto precisa largar para receber os dois pontos concedidos pela primeira posição na classificação. Assim, Slater elevaria a diferença para 29 e não seria mais alcançado por Ugochukwu.

Caso Freddie chegue à corrida principal com 27 pontos de vantagem, mas não largue, só perderá a decisão se Ugochukwu conquistar a pole, vencer a prova e registrar a volta mais rápida.

Ugo Ugochukwu

A situação não é simples, mas o piloto da Campos ainda depende apenas de si mesmo para virar o jogo na F3 2026. É claro que fazer a pole, algo que ainda não conseguiu neste ano, e registrar a volta mais rápida da corrida ajudam no processo, mas não são obrigatórios para conquistar a taça.

Ugo Ugochukwu perdeu a liderança do campeonato após o fim de semana na Hungria (Foto: F3)

No sábado, Ugochukwu precisa marcar Slater e até pode terminar atrás, desde que a diferença não seja grande. Mas, para depender apenas de si no domingo, precisa somar pelo menos 11 pontos a mais que o rival no primeiro dia de corrida.

Caso isso se confirme, os dois chegarão à final separados por quatro pontos, com a vantagem ainda ao lado de Freddie. Nesse cenário, Ugochukwu terá de vencer e, ainda que o rival fique em segundo, largando da pole e fazendo a volta mais rápida, ambos terminariam empatados, mas o americano seria campeão por ter mais vitórias.

Ernesto Rivera tenta uma virada improvável na F3 (Foto: F3)

Ernesto Rivera e Théophile Naël

Rivera tem uma tarefa praticamente impossível em Madri. Para conquistar o título, precisa tirar 65 pontos de desvantagem, com 67 ainda em jogo. Para isso, terá de vencer as três corridas com a volta mais rápida e fazer ao menos uma pole. Outra possibilidade seria conquistar duas poles e registrar uma volta mais rápida.

Se Slater somar três pontos no fim de semana ou Ugochukwu marcar 18, o sonho de Rivera chegará ao fim.

Naël enfrenta um cenário parecido, embora precise descontar 66 pontos. Além das três vitórias, terá de cravar as duas poles e pode ficar sem a volta mais rápida em apenas uma das provas. Assim, chegaria aos mesmos 141 pontos de Slater, mas levaria a melhor no critério de desempate por ter mais vitórias.

Mesmo com um resultado perfeito, Théophile ficará fora da disputa se Slater fizer dois pontos ou Ugochukwu marcar 17.

A Fórmula 3 retorna neste fim de semana, entre 11 e 13 de setembro, para a etapa final, que define o campeão em Madri, na Espanha. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do fim de semana.