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"A obrigação de Bottas é defender a Mercedes e ajudar Hamilton a ser campeão."

É uma opinião comum de se ouvir e ler nos últimos meses conforme o campeonato mundial de F1 dava cada vez mais a impressão e a confirmação numérica de que Lewis Hamilton e Sebastian Vettel seriam os desafiante a assumir o cinturão que ainda pertence a Nico Rosberg. Faltou levar em conta, porém, que o calendário da F1 é enorme. Agora, após a nona etapa do campeonato e outra vitória, Bottas está apenas 19 pontos atrás de Hamilton e com desvantagem de 33 para Vettel. O finlandês talvez comece a sonhar com o título, mas o que é certo é que embola as coisas na Mercedes.

Há ainda nove corridas no ano. 33 pontos são completamente alcançáveis, especialmente porque a Mercedes está mostrando uma melhora geral de rendimento em relação à Ferrari nas últimas etapas. Bottas precisa definitivamente aprender a se sobrepor em relação ao companheiro e – se estiver pensando mais profundo no campeonato – rival. 

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Valtteri Bottas venceu a segunda no ano (Foto: Mercedes)

A pergunta que Toto Wolff e Niki Lauda colocaram no começo do ano em relação a Bottas nem dizia respeito a brigar pelo título. Era 'Pode Bottas fazer bons pontos toda as semanas, como Rosberg fazia?'. Um rápido levantamento nos números do campeonato mostra que, ao menos até agora, sim, pode. 

O primeiro número a ser destacado nesse sentido tem relação entre Mercedes e Ferrari, nenhuma outra equipe tem condições de arrebatar o Mundial de Construtores em 2017. Se Vettel e Hamilton eram vistos desde o início como os postulantes ao título, então a comparação entre Bottas e Kimi Räikkönen se torna fundamental no que diz respeito ao trabalho primordial para as equipes. Bottas tem duas vitórias, oito pódios e 169 pontos. Räikkönen? Nenhuma vitória, quatro pódios e parcos 116 pontos, atrás até de Daniel Ricciardo.

53 pontos entre si e Kimi. Bom trabalho para a Mercedes, certo?

A regularidade de Bottas é inegável. Fora os oito pódios foram apenas um quarto e um sexto lugar, além de um abandono totalmente alheio às suas habilidades na Espanha. 

(Valtteri Bottas recusa o shoey de Daniel Ricciardo)

Amigos e rivais? (Foto: Mercedes)
E se for para pensar um pouco mais além? Partamos, então, para a comparação interna com o tricampeão Hamilton. 19 pontos separam os dois neste momento da temporada, certo? Nas quatro corridas realizadas entre Mônaco e Áustria, em que Bottas venceu uma corrida e foi P2 em outras duas, o #77 superou o #44 por 61 contra 47 pontos. É um leque pequeno demais para comparação? Ok, então vamos pegar as sete corridas entre Bahrein e Áustria. Cortemos os GPs de Austrália e China, primeiros dois do ano, e fiquemos com as sete provas dos três meses seguintes. Bottas fez 113 pontos neste período, enquanto Hamilton anotou 108. Coloquemos os últimos dois GPs: Inglaterra e Hungria. Neles, mesmo com uma vitória, Hamilton marcou 37 pontos contra 33 de Bottas. Isso quer dizer que Bottas fez um ponto a mais que Lewis nas nova últimas etapas do campeonato de 2017.

Sim, Bottas tem sido melhor que Hamilton nos últimos quatro meses. Não é o comportamento de um segundo piloto.

Claro que existe todo o direito do mundo de achar que Hamilton não vai ficar atrás de Bottas por muito tempo. Se trata de um piloto brilhante e tricampeão mundial, afinal. Mas, até agora, Bottas mostra que faz muito bem o que a Mercedes pede dele. Se continuar assim, entrando na briga pelo campeonato ou apenas assistindo de perto, já faz o suficiente para passar mais tempo na Mercedes.

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(Foto: Mercedes)