Bradley Lord exaltou a atuação de George Russell no GP do Azerbaijão e elogiou a forma que o piloto respondeu às dificuldades encaradas na Fórmula 1 2026. Após a prova, o vice-chefe da Mercedes destacou o domínio do britânico no fim de semana em Baku e, ao comentar a disputa com Max Verstappen nas voltas finais, disse que a situação sempre esteve “sob controle”.
Russell largou da pole-position e liderou toda a corrida em Baku. Mesmo após duas entradas do safety-car e com Verstappen na perseguição durante o trecho final, o britânico recebeu a bandeirada em primeiro, apenas 0s196 à frente do neerlandês.
Para Lord, a recuperação de Russell depois de uma primeira metade de temporada difícil começou com uma mudança de abordagem após as férias. Segundo o dirigente, o piloto passou por um período de reflexão e voltou mais concentrado no essencial para extrair desempenho do carro.
“Acho que a resposta dele tem sido muito positiva. George passou por alguns momentos difíceis antes das férias de verão, e também por um período de reflexão. Ele voltou muito forte, focado na pilotagem, apenas no essencial para construir um bom desempenho”, afirmou Lord em entrevista acompanhada pelo GRANDE PRÊMIO.
A evolução ficou evidente desde o começo do fim de semana. Russell liderou dois dos três treinos livres em Baku e conquistou a pole-position com 0s837 sobre Charles Leclerc — maior vantagem em classificações disputadas em pista seca desde 1992. Na corrida, manteve o domínio mesmo depois das intervenções do safety-car, que eliminaram parte das diferenças construídas ao longo da prova.
“Todos viram que ele começou com tudo já no TL1 e, desde então, ninguém conseguiu alcançá-lo. Ele dominou todos os treinos livres, fez uma volta incrível na classificação. Mesmo com as entradas do safety-car e com Max na cola, não cometeu nenhum erro durante 51 voltas em Baku, o que é muito mais difícil do que parece. Então, foi um fim de semana realmente impressionante para mim”, disse.

O principal teste, porém, apareceu na parte final. Depois da segunda relargada, Verstappen passou a pressionar Russell e conseguiu permanecer próximo da Mercedes nas voltas seguintes. Para Lord, o resultado final esconde o grau de controle que Russell manteve sobre a situação.
“Na última volta, você pode descarregar a bateria completamente, não precisa se preocupar em manter o equilíbrio para a volta seguinte. Foi bom termos essa estratégia, porque a diferença caiu de 1s5 para 0s5 durante a bandeira amarela. George também perdeu um pouco a pressão do turbo, o que às vezes acontece quando a velocidade do carro cai muito e a rotação do motor também”, explicou.
“Era como se Max estivesse com uma espécie de enorme corda elástica, e George estivesse amarrado a ela. Ele ganhava 0s5 a cada volta no setor intermediário e, de repente, o vácuo puxava Max de volta. Parecia que estava ganhando mais terreno sem usar o modo de ultrapassagem do que com ele, o que era bastante contraintuitivo”, descreveu Lord.
“Mas, embora parecesse muito apertado nas imagens da TV, e obviamente eles tenham distorcido um pouco a perspectiva, não houve nenhum momento em que ele estivesse perto o suficiente para tentar ou sequer cogitar uma ultrapassagem. George tinha tudo sob controle, embora um pequeno erro e o resultado poderia ter sido bem diferente. Um trabalho absolutamente fantástico da parte dele”, concluiu.
A Fórmula 1 retorna às atividades já neste fim de semana, com o GP do Bahrein. Apesar do nome, a 16ª etapa da temporada será disputada no Circuito de Sepang, na Malásia.