A IMAGEM DA CORRIDA

O momento mais importante do domingo

SÃO PAULO (inesquecível) – É preciso sinceridade, nessas horas. Enquanto 22 pilotos cumpriam tabela no chatíssimo GP dos EUA em Austin, as urnas eram abertas no Brasil — nem todas, ressalve-se, porque os canalhas dos prefeitos de várias cidades, como São Paulo e Salvador, tiraram os ônibus de circulação para impedir que as pessoas que moram longe dos locais de votação cravassem o 13 sem dó. E é claro que a coisa menos importante do planeta na tarde/noite de domingo era uma corrida de Fórmula 1.

O que estava ao vivo em quase todas as TVs do Brasil era esse gráfico aí em cima. Imagem histórica, e é com ela que vamos, e é ela que vou guardar deste épico 25 de outubro.

Além de tudo, lembra uma seringa de vacina. Vacina que o desgraçado se recusoi a comprar. Do filho covarde dele, falaremos no próximo texto.

Kimi precisa de dois pontos; quatro lutam pelo vice

E, com a vitória nos EUA, Kimi Antonelli só não saiu dessa corrida saltitante como campeão porque seus perseguidores que ainda têm chances matemáticas de título chegaram exatamente onde precisavam para adiar o desfecho do campeonato. Lewis Hamilton foi o quarto colocado e George Russell, o oitavo.

Agora, o italiano da Mercedes precisa apenas de um nono lugar domingo que vem no México para garantir matematicamente a taça. Será o primeiro italiano campeão desde 1953, quando Alberto Ascari conquistou o Mundial pela segunda vez. Além deles, Giuseppe Farina, campeão da primeira temporada da categoria, em 1950, é o outro piloto da Bota que já levantou o título.

Já a briga pelo vice ainda está aberta entre Russell, Hamilton, Max Verstappen e Charles Leclerc. Minha aposta, sem muito medo de errar, é em Max.

As classificações depois de 18 etapas

A prova de Austin teve um terceiro e um sexto da Red Bull, com Verstappen e Isack Hadjar, e um quinto e um sétimo da McLaren, com Lando Norris e Oscar Piastri. Assim, o time austríaco igualou os 355 pontos da equipe papaia, mas está na frente nos critérios de desempate. Vale uma grana. E é muito provável que os rubro-taurinos terminem na frente, a julgar pelas últimas atuações do holandês, que foi ao pódio de novo.

Mas…

O NÚMERO DOS EUA

…mas depois de 2.184 dias consecutivos com chances matemáticas de ser campeão, Verstappen saiu oficialmente da luta pelo título com o resultado de Austin. É a primeira vez em quase seis anos, portanto, que o piloto deixa de brigar pela taça. Agora, apenas três pilotos — Antonelli, Russell e Hamilton — podem ser campeões em 2026. Isso, claro, matematicamente. Porque, na prática, Kimi já levou.

Foi o décimo pódio de Verstappen no ano, nove deles nas últimas 11 corridas. Mas o tetracampeão não saiu nada satisfeito com o terceiro lugar nos EUA, vindo de duas vitórias na Malásia e em Singapura. Primeiro, criticou duramente a estratégia da Red Bull de fazer os dois primeiros stints com pneus macios. “Não precisava, e quando fizemos isso entregamos nossa estratégia para todo mundo”, reclamou. Depois, voltou a ter problemas no rádio. O que nos leva à…

FRASE DE AUSTIN

“Talvez devêssemos começar a nos comunicar em linguagem de sinais. Provavelmente é mais barato também.”Verstappen, sobre as dificuldades para falar com os boxes

E, para fechar, teve notícia nesta quarta-feira. A Cadillac anunciou que Sergio Pérez ficará mais três anos na equipe, até o fim de 2029. Mas Valtteri Bottas está rodando… É muito provável que o finlandês seja dispensado para a estreia em 2027 de Colton Herta, que está na F-2 e faz uma campanha patética — tem 26 pontos e está em 19º lugar; das 25 corridas disputadas até agora, zerou em 20.

Mas é americano e só precisa de mais um ponto para garantir sua superlicença. Conseguindo, será promovido a titular. E Bottas vai ficar peladão em outra freguesia. Já está na hora, mesmo. O simpático finlandês não está ajudando o time debutante em nada. Pérez, pelo menos, tem uns patrocinadores fortes.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS… da corrida segura de Antonelli, que chegou a nove vitórias na temporada e será o campeão mais jovem da história, aos 20 anos. Largou muito bem, fez apenas um pit stop, soube administrar os pneus e teve paciência para retomar a liderança sem sustos quando Leclerc e Verstappen fizeram suas segundas paradas. Sua maturidade é muito impressionante.

Antonelli: maturidade impressionante

NÃO GOSTAMOS… da McLaren, que depois das vitórias de Lando Norris na Hungria e na Holanda parece ter empacado em performance. Foram apenas 90 pontos nas últimas seis corridas contra 166 da Red Bull, com quem luta pelo terceiro lugar no Mundial. É um dos campeonatos mais apagados dos últimos tempos de um time que defende os títulos de Pilotos e Construtores.