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O GP da Espanha de 2016 entrou para a história. É extremamente improvável, como diria Claudio Carsughi, que o novo recorde de precocidade estabelecido por Max Verstappen seja quebrado um dia. 18 anos, 7 meses, 15 dias. Impressionante.
E apesar de toda essa juventude e inexperiência, o holandês foi capaz de brigar de igual para igual com os campeões mundiais Sebastian Vettel e Kimi Räikkönen e o ótimo Daniel Ricciardo. Isso, com a Ferrari tendo sido mais rápida o tempo todo na Espanha.
Mas estamos aqui para avaliar a performance de cada piloto, e já aviso que o holandês não vai levar o 10 no Ranking GP de Barcelona, e é por causa da Red Bull.
Dentro do carro, claro, ele fez a sua parte para bater os pilotos da Ferrari e se tornar o mais jovem vencedor da história. Ele chegou àquela condição, porém, graças à escolha de estratégias da Red Bull em uma corrida que foi tática do início ao fim após as saídas de Lewis Hamilton e Nico Rosberg. Não é desmerecer o feito, é apenas avaliar.
Fato incontestável é que foi uma corridaça, com quatro brigando pela vitória até o fim. A melhor do ano. Vamos lá, portanto, às notas do GP da Espanha!

Max Verstappen na liderança do GP da Espanha (Max Verstappen lidera o GP da Espanha (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio))
1 — Max Verstappen (Red Bull) — 9,0
Ele não se intimidou mesmo com a promoção repentina à Red Bull. Na classificação, saiu-se melhor que Ricciardo no Q1 e no Q2 antes de ser batido no Q3. Na corrida, perdeu a posição para Vettel na largada, mas executou uma bela manobra por volta na curva 3 para dar o troco: este foi o momento decisivo do seu domingo. Ali, posicionou-se em segundo para a relargada, e essa vantagem na posição de pista foi crucial. O que seria o dez? Ganhar da Mercedes.
2 — Kimi Räikkönen (Ferrari) — 8,0
Faltou Kimi ser mais incisivo no final da corrida na hora de atacar Verstappen. Mas o finlandês está aí há 15 anos, e sabemos bem do seu estilo. A Ferrari estava perdendo muito tempo em relação à Red Bull no último setor, e, assim, Kimi não conseguia entrar na reta de 1047 metros colado para dar o bote. Ah, ele agora é o vice-líder do campeonato, tendo ido ao pódio duas vezes seguidas desde 2013, com a Lotus.
3 — Sebastian Vettel (Ferrari) — 8,0
Tratou-se de uma “pequena vitória” para Vettel no sentido de que ele venceu o duelo com Daniel Ricciardo, nas estratégias divididas das duas equipes. Tendo isso em mente, o terceiro lugar era o melhor resultado que o alemão poderia ter conquistado na Espanha.
4 — Daniel Ricciardo (Red Bull) — 8,0
A reclamação do australiano após a corrida teve razão de ser. Quem está à frente merece ganhar a melhor estratégia. A opção por três paradas era mais rápida, mas, na Catalunha, há sempre o risco de se perder tempo com ela. Foi o que aconteceu. E a Red Bull ainda errou duplamente com ele, visto que, nas voltas finais, estava atrás de Vettel. Aquela parada esquisita do tetracampeão deu certo em um momento em que estava ficando claro que a tática de três pits não era a melhor.

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5 — Valtteri Bottas (Williams) — 7,0
Fim de semana bem discreto para a Williams. Valtteri Bottas ficou em quinto lugar e nem apareceu na transmissão. Estava tão longe dos ponteiros que Ricciardo teve tempo de ir aos boxes com o pneu furado e ainda voltar à sua frente. Ok, era uma pista desfavorável ao time, mas a vida tende a ser ainda mais dura em Mônaco.
6 — Carlos Sainz (Toro Rosso) — 8,0
O piloto que a Red Bull manteve na Toro Rosso teve o melhor resultado da carreira na F1. Sainz terminou em sexto lugar e, de quebra, ainda ajudou a equipe principal a vencer: pulando para terceiro na largada, ele segurou Vettel e Räikkönen por algumas voltas, permitindo que Ricciardo e Kvyat abrissem. Dali em diante, mesmo mais rápida, a Ferrari jamais conseguiu ganhar a vantagem em relação aos dois carros rubro-taurinos.

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7 — Sergio Pérez (Force India) — 7,0
Outro que mal apareceu. Mas tem um detalhe, então já vou colocar aqui: ao contrário de tantas corridas dos últimos tempos, a briga pela vitória foi tão intensa que o pelotão intermediário mal foi mostrado. O mexicano passou para o Q3 no sábado e se manteve nos pontos do início ao fim. Segunda corrida seguida no top-10.
8 — Felipe Massa (Williams) — 7,5
Ninguém viu Felipe Massa no domingo, mas foi uma grande corrida. Largando em 18º por causa de um erro da Williams no sábado, ganhou dez posições e salvou pontos. A Williams, aliás, é a única equipe que conseguiu pontuar nas cinco corridas com os dois carros.
9 — Jenson Button (McLaren) — 6,0
Era esperado que a McLaren aparecesse nos pontos na Espanha. Foi a segunda prova seguida de Button no top-10, e vem pela frente o GP de Mônaco, que teoricamente é o mais favorável ao time no ano.
10 — Daniil Kvyat (Toro Rosso) — 5,0
Você sabia que nem Kvyat, nem a Toro Rosso tinham uma volta mais rápida em um GP da F1? Pois é, essa escrita acabou ontem. Na 53ª volta, o russo virou 1min26s948, superando em mais de 1s a marca anterior, de Sebastian Vettel. Mas ele passou o fim de semana tomando tempo do Carlos Sainz: não dá para dizer que foram grandes dias em Barcelona.

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11 — Esteban Gutiérrez (Haas) — 5,0
Esteban Gutiérrez teve bons momentos no GP da Espanha e flertou com os primeiros pontos da temporada, mas foi alcançado por Massa, Button e Kvyat nas voltas finais para terminar somente em 11º.
12 — Marcus Ericsson (Sauber) — 4,5
Os cinco abandonos da corrida foram com carros que na teoria chegariam à frente da Sauber, então a 12ª colocação não diz muita coisa. Mas o sueco pode ficar feliz por, mais uma vez, ter se classificado e completado a prova melhor que o companheiro de equipe.
13 — Jolyon Palmer (Renault) — 3,5
Palmer, de novo, não passou do Q1 — e olha que, desta vez, Kevin Magnussen conseguiu e que tinha até uma Williams lá atrás para facilitar a sua vida. Na corrida, ocupou a décima posição por uma volta, mais nada. Ele continua zerado em 2016.
14 — Felipe Nasr (Sauber) — 4,0
Ser superado fim de semana sim, fim de semana não por Marcus Ericsson vai prejudicando a reputação de Felipe Nasr. Foram 0s3 na classificação e três posições na linha de chegada. De novo: o único termômetro que temos para medir o desempenho do brasileiro é a comparação com Ericsson, por mais que a Sauber esteja nesta draga toda.
15 — Kevin Magnussen (Renault) — 3,5
O dinamarquês se saiu melhor que seu colega de time na classificação e passou para o Q2. Na corrida, porém, estava pior até a última volta. Ninguém ficou sabendo até a decisão da FIA sair, mas ele recebeu um time-penalty de 10s por bater justamente em Palmer. Não se faz…
16 — Pascal Wehrlein (Manor) — 4,0
Superou Rio Haryanto na classificação — e quase chegou no Nasr — e também na corrida. Em um circuito que exige muito do chassi e da aerodinâmica, porém, não foi capaz de mostrar nada demais.
17 — Rio Haryanto (Manor) — 3,0
Esse até que apareceu bastante na corrida. Estava sempre em meio aos líderes, levando volta. Parecia que era intencional, para poder mostrar mais o patrocinador. Deu certo.
18 — Romain Grosjean (Haas) — 4,5
Grosjean foi bem na classificação, mas sofreu com problemas de freios durante a corrida. Abandonou na 56ª volta, quando estava em 15º. O chassi também não o agradou no fim de semana, e, nos testes que acontecem nesta terça e quarta-feira, ele vai com um novo.

19 — Fernando Alonso (McLaren) — 6,0
Alonso, coitado. Tão empolgado chegando em casa, ainda vai lá e leva a McLaren Honda ao Q3 pela primeira vez. Vem aí um corridão! Nem… O motor o deixou na mão outra vez. De qualquer maneira, ele estava bem na briga por pontos, por isso fica ao menos na média nesta semana.
20 — Nico Hülkenberg (Force India) — 5,0
A vida para o alemão não anda fácil na F1. Foi bem na estreia, mas vem sendo superado por Sergio Pérez nas últimas etapas. Fazendo muita força, chegaria nos pontos na Espanha. Não teve essa chance, uma vez que seu carro pegou fogo e causou o abandono.

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Nico Rosberg e Lewis Hamilton (Mercedes) — 4,5
Normalmente eu levo em conta o que os pilotos fizeram na sexta e no sábado no caso de um abandono precoce no domingo, para não comprometer a média do ano aqui no Ranking GP. E por mais que eu tenha interpretado como um acidente de corrida, ninguém quer ver dois companheiros de equipe batendo e abandonando na primeira volta. Aconteceu, vida que segue, mas a nota não tem como ser alta neste GP da Espanha mesmo com o excelente desempenho de ambos na tomada de tempos.

GP DA ESPANHA — 9,5
O que faz uma corrida ser realmente boa? “Ah, tem que ter ultrapassagens”. Aí eu te pergunto, parafraseando Marcelo Rezende: quantas ultrapassagens Daniel Ricciardo, Max Verstappen, Sebastian Vettel e Kimi Räikkönen fizeram no GP da Espanha?
Tirando a confusão da primeira volta, Vettel e Räikkönen tiveram de superar Carlos Sainz após a relargada para enfim partirem à caça dos dois pilotos da Red Bull. No mais, zero.
A quinta etapa de 2016 foi a melhor do ano, mas não leva o 10 aqui no Ranking GP porque foi preciso que a melhor equipe saísse da disputa para a corrida ser emocionante. Todavia, ela mostrou bem o que a F1 necessita: uma disputa equilibrada entre equipes pelo primeiro lugar. A Ferrari andou mais rápido do início ao fim, mas em momento algum conseguiu ter a vantagem da posição de pista. E repararam como o pelotão intermediário nem apareceu? Todo mundo queria saber se a Ferrari desencantaria ou se o jovem Verstappen conquistaria o improvável triunfo na estreia pela Red Bull. Estratégias, tocadas irretocáveis, manobras arriscadas, como a que tentou Ricciardo… E por aí vai.
A F1 vive um bom momento. Só precisa de um equilíbrio maior.
Os melhores do ano
1 — Nico Rosberg — 8,1
2 — Kimi Räikkönen — 7,9
3 — Daniel Ricciardo — 7,8
4 — Sebastian Vettel — 7,4
5 — Max Verstappen — 7,3
6 — Lewis Hamilton — 7,1
7 — Felipe Massa — 7,1
8 — Romain Grosjean — 6,7
9 — Valtteri Bottas — 6,5
10 — Fernando Alonso — 6,25
11 — Carlos Sainz — 6
12 — Jenson Button — 5,7
13 — Sergio Pérez — 5,7
14 — Kevin Magnussen — 5,2
15 — Daniil Kvyat — 5,1
16 — Nico Hülkenberg — 4,9
17 — Pascal Wehrlein — 4,9
18 — Marcus Ericsson — 4,8
19 — Esteban Gutiérrez — 4,8
20 — Jolyon Palmer — 4
21 — Felipe Nasr — 3,8
22 — Rio Haryanto — 3
Média das corridas: 8,1
Melhor: GP da Espanha — 9,5
Pior: GP da Rússia — 5
Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.