Todos os pilotos que venceram as três primeiras corridas de um campeonato foram campeões. Todos os pilotos que venceram quatro corridas seguidas em qualquer momento de um campeonato também foram campeões. Nico Rosberg já fez isso em 2016, e ainda assim é muito cedo para dizer. Faltam 17 etapas — por muitos anos, a temporada inteira teve 17 GPs.
A qualquer momento, Lewis Hamilton pode acordar e emendar uma sequência de vitórias para equilibrar o jogo. Ele é um tricampeão e tem 43 triunfos no currículo. É mais piloto que Rosberg. Até lá, a F1 continua sendo de Rosberg.
Depois das três primeiras corridas, havia a expectativa por uma reação de Hamilton na Rússia. As chances de isso acontecer desapareceram com um novo problema no motor do carro #44 na classificação. A situação ficou mais fácil para Rosberg, é verdade, mas aí o alemão foi lá e venceu com pole, volta mais rápida e liderando todas as voltas — seu primeiro ‘Full House’ na F1.
Passadas quatro corridas, Nico tem 100 pontos — e 100% dos pontos. São 43 de vantagem para Hamilton, que teve três pódios. Essa expectativa por até onde ele será capaz de seguir dominando fará dessa temporada interessante.

A largada em Sóchi, com Rosberg mantendo a ponta com tranquilidade (A largada do GP da Rússia, com Rosberg em primeiro (Foto: Getty Images))
Mas, falando em interessante, esse GP da China não foi tão animado assim. Prova de que não é toda vez que o grid fica embaralhado que a corrida vai ser boa. Hamilton teve uma boa recuperação, e Vettel não teve chance. Kvyat arruinou o domingo do tetracampeão e da Red Bull, uma vez que também levou Daniel Ricciardo para fora na segunda curva.
E Kimi Raikkönen foi para o pódio sem uma grande batalha com Valtteri Bottas, que perdeu tempo quando voltou dos boxes, bem como as posições para Lewis e Kimi. Atrás dele, vieram as duas Williams, que de fato não tem ritmo para brigar por pódio em condições normais.
Finalmente, a terceira maior nota desta semana vai é para o sexto colocado do GP da Rússia: Fernando Alonso. Ele se empolgou mais do que deveria, o que não tira o mérito do que hoje é um grande resultado para a McLaren.
Vamos, pois, às notas do GP da Rússia!
1 — Nico Rosberg (Mercedes) — 10,0
É o primeiro dez do ano aqui no Ranking GP. O problema de motor do Hamilton facilitou? Talvez. Mas como não dar nota dez para um piloto que fez pole, volta mais rápida e liderou todas as voltas para vencer pela sétima vez consecutiva na F1? Fim de semana irretocável do alemão, que marcou 100 pontos em 100 possíveis.

2 — Lewis Hamilton (Mercedes) — 8,0
Foi uma boa recuperação do tricampeão depois de largar em décimo. Na relargada, ele já estava atacando Massa para assumir o quarto lugar. Depois passou por Kimi e, finalmente, por Bottas. Até poderia pensar em vitória se não tivesse perdido tanto tempo atrás da Williams. Quando abriu caminho, já era tarde demais.
3 — Kimi Räikkönen (Ferrari) — 7,5
Não foi tão grandioso o fim de semana do Räikkönen. Ficou atrás do Bottas na classificação, recuperou-se na janela de pit-stop para ao menos garantir o pódio. Mas os pontos estão no bolso, é o que vale, não é? O Homem de Gelo é o terceiro no Mundial.
4 — Valtteri Bottas (Williams) — 7,5
Melhor corrida de Bottas no ano. A classificação foi excelente, colocando-lhe na primeira fila, e ele também foi bem na briga com Hamilton antes do pit-stop. Nos boxes, a Williams fez tudo certo. O problema foi a volta. O finlandês perdeu tempo duelando com Hamilton e atrás de Alonso e, com isso, o pódio. Se tivesse ficado à frente do Kimi, a história poderia ser diferente.
5 — Felipe Massa (Williams) — 7,0
Massa ficou mais sozinho que homem abandonado nas letras de música sertaneja. Tão sozinho que até se deu ao luxo de fazer um pit-stop extra no fim da corrida para buscar a volta mais rápida. Não conseguiu.
6 — Fernando Alonso (McLaren) — 8,0
Fernando Alonso se empolgou com esse sexto lugar. Disse que a McLaren tem o ritmo para pontuar em todas as corridas daqui em diante. Só falta se lembrar que as duas Red Bull se complicaram e que Vettel e Verstappen abandonaram. Mesmo assim, ele merece um 8 pelo fim de semana, o seu melhor em 2016.

7 — Kevin Magnussen (Renault) — 7,5
É preciso admitir que a Renault não está tanto para turma do fundão, como imaginei depois do GP da China, muito embora os dois carros tenham sido eliminados no Q1. Magnussen foi brigando com outros do pelotão intermediário para pontuar pela primeira vez no ano após passar ileso pela primeira volta. Grande trabalho. Foi o piloto que mais ganhou posições na corrida.
8 — Romain Grosjean (Haas) — 7,0
E não é que o Grosjean voltou a pontuar depois de ficar fora do top-10 na China? Deu um bom salto na primeira volta e aí foi se mantendo na zona de pontuação até o fim, como tinha sido no GP da Austrália. Sim, ele está em sétimo lugar no Mundial de Pilotos!
9 — Sergio Pérez (Force India) — 7,5
Finalmente uma boa corrida para alguém da Force India, apesar da discreta nona posição. Pérez teve um pneu furado na confusão da largada, mudou para uma estratégia de duas paradas e guiou muito bem no restante da prova. Chegou a ser sexto antes de parar pela segunda vez.
10 — Jenson Button (McLaren) — 6,0
Primeira vez do campeão mundial nos pontos em 2016. Ele se classificou à frente do Alonso e acabou ficando para trás na largada. No final, brigou por Sainz para ficar em décimo e levou a melhor em uma boa disputa.
11 — Daniel Ricciardo (Red Bull) — 6,0
O australiano fez uma boa classificação em uma pista que tendia a ser menos favorável à Red Bull e poderia fazer uma boa corrida não fosse a confusão iniciada por Kvyat na largada. Depois, Ricciardo precisou se recuperar e, com dois pit-stops, ficou a 7s da zona de pontuação.
12 — Carlos Sainz (Toro Rosso) — 4,5
Não foi um grande fim de semana para o Carlos Sainz. Sequer avançou para o Q3, coisa que Verstappen conseguiu, e também não pontuou, enquanto o holandês faria tranquilamente não tivesse quebrado.
13 — Jolyon Palmer (Renault) — 4,0
Batido por meio segundo pelo Magnussen na classificação e por 20s na corrida, ainda que tenha andado no top-10 após o safety-car das voltas iniciais. Ele ficou mais contente do que na China, quando o fim de semana foi um desastre, mas esse aqui não foi grande coisa.
14 — Marcus Ericsson (Sauber) — 4,5
Sua classificação foi bem ruim. Na corrida, acabou que a estratégia de fazer duas paradas rendeu bem para ele entre os pilotos do fundão. Foram oito posições ganhas em relação à largada e 24 voltas com os supermacios no stint final.
15 — Daniil Kvyat (Red Bull) — 3,0
Pela segunda corrida seguida, Kvyat mergulhou como um torpedo para cima de Vettel na largada. Dessa vez, deu bem ruim. Ele não só tirou o alemão da corrida, como complicou a sua corrida e a de Daniel Ricciardo. Merece tomar um pito do Helmut Marko…
16 — Felipe Nasr (Sauber) — 4,5
O novo chassi finalmente deixou Nasr fazer algo melhor. Desta vez, ele se classificou à frente de Ericsson. Na corrida, seu ritmo não foi grande coisa, e ele apareceu mais foi se defendendo de Wehrlein — duas vezes. Na segunda, acabou sendo punido por cortar a curva. A estratégia foi prejudicada por um furo de pneu.
17 — Esteban Gutiérrez (Haas) — 4,0
A coisa começa a ficar feia para o Gutiérrez na medida em que o Grosjean consegue pontuar e ele fica fora de novo. Foi punido com um drive-through por tirar Hülkenberg na largada.
18 — Pascal Wehrlein (Manor) — 4,5
Foi o último colocado entre os que viram a bandeirada. Seus melhores momentos foram em brigas com Nasr, mas precisou fazer duas paradas para chegar ao fim, e isso custou caro.
19 — Max Verstappen (Toro Rosso) — 6,0
Passou para o Q3 e superou o companheiro de equipe na classificação. Na corrida, vinha burocrático, andando sozinho em sexto lugar depois da confusão envolvendo as duas Red Bull e a Ferrari na largada até abandonar com um problema no carro.

20 — Sebastian Vettel (Ferrari) — 6,0
Seria injusto dar uma nota abaixo da média para Vettel neste fim de semana. Ele fez o segundo tempo na classificação, mas perdeu cinco posições por troca de câmbio. E aí, na primeira volta, levou duas pancadas do Kvyat.
21 — Nico Hülkenberg (Force India) — 4,0
Hülkenberg não só ficou para trás na classificação como, de novo, não completou a primeira volta no GP da Rússia. Péssimo fim de semana para o alemão, que vem sofrendo com uma Force India abaixo das expectativas neste início de ano.
22 — Rio Haryanto (Manor) — 3,5
Merece aplausos por ter se classificado à frente do Ericsson. Também ameaçou ficar à frente do Wehrlein. Mas o domingo foi bem ruim… Sequer passou da primeira curva, envolvido no acidente do fundão na largada.

Primeira corrida abaixo da média em 2016. As primeiras posições se definiram rapidamente, e o momento de maior emoção foi o enrosco entre Kvyat e Vettel na largada. Poderia rolar uma emoçãozinha a mais se Hamilton pudesse se aproximar de Rosberg no fim, mas o alemão ainda tinha uma reserva e apertou o pé direito novamente para garantir a vitória com folga.
A média das corridas de 2016 — 7,75
(Acidente na largada do GP da Rússia (Foto: Getty Images))
Os melhores do ano
1 — Nico Rosberg — 9
2 — Kimi Räikkönen — 7,87
3 — Daniel Ricciardo — 7,75
4 — Lewis Hamilton — 7,75
5 — Sebastian Vettel — 7,25
6 — Romain Grosjean — 7,25
7 — Felipe Massa — 7
8 — Max Verstappen — 6,87
9 — Valtteri Bottas — 6,37
10 — Fernando Alonso — 6,33
11 — Jenson Button — 5,62
12 — Kevin Magnussen — 5,62
13 — Carlos Sainz — 5,5
14 — Sergio Pérez — 5,37
15 — Daniil Kvyat — 5,12
16 — Pascal Wehrlein — 5,12
17 — Nico Hülkenberg — 4,87
18 — Marcus Ericsson — 4,87
19 — Esteban Gutiérrez — 4,75
20 — Jolyon Palmer — 4,12
21 — Felipe Nasr — 3,75
22 — Rio Haryanto — 3
Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.