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Poucas vezes vi uma corrida em que tantos pilotos andaram tão bem. Inclusive é provável, e vou trazer essa conta depois, que a média das notas do GP da China seja a mais alta de toda a temporada ao final do ano aqui no Ranking GP. Que grande corrida foi esta em Xangai, talvez a melhor de todas realizadas lá desde 2004.
Um Nico Rosberg que fez uma apresentação irretocável, uma dupla da Ferrari que soube se recuperar muito bem, um ótimo desempenho de Daniil Kvyat para ir ao pódio pela segunda vez na carreira, além de Daniel Ricciardo, Lewis Hamilton, Felipe Massa… São muitos a se elogiar.
E o fato de essa ter sido a terceira corrida muito boa em três disputadas em 2016 é um grande alento para os fãs da categoria. Não é Hamilton o líder do campeonato. Na verdade, o atual bicampeão aparece 46 pontos atrás na tabela. Vai ser o campeonato mais longo da história, e por isso Rosberg faz muito bem em manter os pés no chão. Ele sabe da força do seu colega de firma.
A sequência de boas corridas também nos indica outra coisa: como o formato da F1 não está estragado. O show pode ser bom como está aí hoje. Basta existir um equilíbrio maior entre as equipes – ou, dentro da situação atual, ver os pilotos fora de ordem nas primeiras voltas, seja pelo resultado da classificação, seja pelo o que acontecer na largada.

A largada na China, com Ricciardo tomando a ponta (A largada do GP da China com Ricciardo tomando a ponta (Foto: Getty Images))
Antes da relargada em Xangai no domingo, a ordem estava bizarramente aleatória: ROS, MAS, ALO, WEH, GUT, KVY, PAL, HAR, PER, BOT, BUT, SAI, HUL, ERI, VET, MAG, RIC, VES, RAI, GRO, HAM e NAS. O detalhe: ninguém abandonou.
O top-10 tinha uma Mercedes, duas Williams, uma McLaren, duas Manor, uma Haas, uma Red Bull e uma Renault e uma Force India. Jenson Button e Marcus Ericsson tinham compostos médios e, demorariam mais a ir aos boxes e por isso figurariam nas primeiras posições voltas mais tarde. Sebastian Vettel estava com o supermacios para sair abrindo caminho e voltar logo às primeiras colocações. Todos os demais tinham os compostos macios.
A consequência foi uma prova com ritmo frenético até lá pela volta 40, quando os pilotos fizeram suas últimas paradas nos boxes e encontraram suas posições na pista – não que isso tenha significado o fim das disputas.
Equilíbrio, é disso que a F1 precisa. Não é de carros 5s mais velozes, de pneus que durem a corrida inteira, de motores aspirados e barulhentos. É de um equilíbrio que tire pilotos e equipes da zona de conforto. Quando vão trabalhar em prol disso?
Vamos, então, às notas do GP da China!

1 – Nico Rosberg (Mercedes) – 9,5
Nico Rosberg fez uma corridaça. Perdeu de novo a liderança na largada, mas, pela primeira vez no ano, jamais foi ameaçado – nem deixou ninguém ameaçá-lo. Seu ritmo foi forte do início ao fim e bem melhor que o da Ferrari, que o acompanhara nas duas primeiras corridas. Ele está forte como em 2014.
2 – Sebastian Vettel (Ferrari) – 8,5
Soube se recuperar muito bem do toque em que se envolveu na largada. Não vou falar que errou, mas a culpa também não foi do Daniil Kvyat. Mas Vettel acertou na estratégia e foi rápido demais para se recuperar e vencer o mesmo Kvyat pelo segundo lugar – méritos principalmente para a decisão de colocar pneus macios em vez de médios no stint final.
3 – Daniil Kvyat (Red Bull) – 8,5
Pela primeira vez no ano, Kvyat merece elogios. A cada erro que o russo cometer, vão falar em Max Verstappen na Red Bull, mas alto lá. Kvyat sabe andar. Seu ritmo esteve pau a pau com os carros da Ferrari durante toda a corrida, e o pódio foi merecido. A propósito: manobra linda na largada.
4 – Daniel Ricciardo (Red Bull) – 9,0
Como um “soco no estômago”, um pneu furado o tirou da liderança da corrida nas voltas iniciais. Ricciardo foi parar no fim da fila e voltou passando um de cada vez. A manobra que fez em cima de Lewis Hamilton foi linda demais. Terminou em quarto lugar – pela terceira corrida seguida – e com folga. Falta um pódio, mas a fase é ótima.

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5 – Kimi Räikkönen (Ferrari) – 8,5
Ser tocado pelo companheiro de equipe na largada e ir lá para trás não é o plano de nenhum piloto… Aconteceu, e Kimi reagiu. Andou forte até o fim da corrida, conseguiu buscar Valtteri Bottas, Massa e Hamilton para chegar em quinto e salvar dez pontos.
6 – Felipe Massa (Williams) – 8,5
Sexto colocado e mesmo assim merecedor de muitos elogios? Pois é. Dessa vez, a Williams fez tudo direito – por mais que Felipe tenha sido segundo no começo da prova e caído para sexto no final. A estratégia foi perfeita, e Massa não cometeu erros. O carro que deixa a desejar, mesmo. E segurar Hamilton por todas aquelas voltas, apesar da Mercedes não estar inteira, foi uma grande façanha.
7 – Lewis Hamilton (Mercedes) – 8,5
É o último que vem aqui com as notas acima de 8. A Mercedes é carro para permitir que Hamilton, mesmo largando em último, pense em pódio. O problema foi o toque com a Sauber na primeira volta, que prejudicou bastante o equilíbrio. Por isso Hamilton só conseguiu avançar até ficar preso atrás de uma Williams que é rápida de reta. Mesmo assim, o esforço foi digno de nota.
8 – Max Verstappen (Toro Rosso) – 7,0
A Toro Rosso tem um bom carro e é capaz de conseguir bons resultados, mas ainda falta algo… A equipe parece crua para brigar na ponta. Em meio a todo o caos, Verstappen ficou mais para o fim do que para o começo da fila e terminou em oitavo.
9 – Carlos Sainz (Toro Rosso) – 7,0
Nada muito diferente de Verstappen. Superou o companheiro na classificação, acabou um lugar abaixo na corrida. Para ser nono, passou Bottas na volta final.
10 – Valtteri Bottas (Williams) – 6,5
Bottas conseguiu o quinto lugar no grid, melhor posição de largada da Williams no ano, mas ainda assim havia uma Red Bull à frente dele. Na corrida, perdeu cinco posições na largada. A partir de então, a Williams separou as estratégias e, após o último pit-stop, ele estava logo atrás de Massa. Sem o mesmo bom desempenho, perdeu quatro posições e foi apenas décimo.
11 – Sergio Pérez (Force India) – 6,0
Sergio Pérez enfim encaixou uma volta no sábado e foi ao Q3 para largar em sétimo. Mas, na corrida, não conseguiu mudar a sina de bons resultados da Force India em Xangai.
12 – Fernando Alonso (McLaren) – 6,0
Tocante a irritação do espanhol por não entrar no Q3 devido à bandeira vermelha provocada por Hülkenberg. Chegou a ser terceiro nas voltas iniciais, mas, por mais que a McLaren tenha melhorado, sua posição refletiu bem a importância da equipe na F1 atual.
13 – Jenson Button (McLaren) – 6,0
Outro que chegou a sonhar com o Q3, chegou a andar nas primeiras posições e fez uma corrida OK. Só não tinha como ir mais longe. Ao menos, não levou volta – foi o último a terminar na volta do líder.
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14 – Esteban Gutiérrez (Haas) – 5,0
Viu a bandeirada pela primeira vez em 2016, mas em uma pista que não foi tão boa para a Haas. Sem a asa móvel, teve menos chances para fazer ultrapassagens quando precisou. O grande ponto negativo: não saiu do Q1.
15 – Nico Hülkenberg (Force India) – 4,5
A sua largada foi espetacular, de 13º para quinto. Depois, nada de bom aconteceu na sua corrida. Os pneus acabaram ele foi caindo, caindo, caindo. De quebra, recebeu uma punição por… andar devagar demais.
16 – Marcus Ericsson (Sauber) – 5,0
A Sauber é ruim, mas o sueco conseguiu largar em 15º e chegar em 16º. Ficou à frente das duas Manor e das duas Renault, além de Grosjean e de Nasr. Até que não foi um fim de semana tão ruim assim.
17 – Kevin Magnussen (Renault) – 4,5
17º no grid e na bandeirada. Nem dá para falar muito da sua corrida. A Renault está bem aquém do que esperava, parecendo bastante com o que foi a Lotus em 2014.
18 – Pascal Wehrlein (Manor) – 3,5
Bateu sozinho na classificação e assim saiu apenas na última fila. A confusão inicial o levou ao quarto lugar, mas, depois da bandeira verde, bastaram seis voltas para que ele já saísse da zona de pontuação.
19 – Romain Grosjean (Haas) – 4,0
Qualquer expectativa de repetir o desempenho das últimas corridas foi por água abaixo com a quebra da asa na largada, em um toque com Ericsson. A partir dali, o carro ficou todo desequilibrado e a corrida virou de “resistência” para o francês.
20 – Felipe Nasr (Sauber) – 3,5
Vai longe essa discussão com a Sauber por causa do carro… Nasr está confiante de que o seu chassi não tem a mesma qualidade do de Ericsson, o que foi usado na pré-temporada. Dada a condição financeira da Sauber, é algo bem crível. E assim o brasileiro continua amargando as últimas posições…
21 – Rio Haryanto (Manor) – 2,5
Na classificação, ficou a 0s7 do piloto mais próximo. Só não foi último porque a vida de Jolyon Palmer foi beeem difícil…
22 – Jolyon Palmer (Renault) – 2,5
Só fez um tempo melhor que o de Haryanto na classificação. Na corrida, foi último. Ele se viu sem pneus e não deu conta nem de ficar à frente do indonésio. Disse que foi o pior fim de semana na carreira e ficou aliviado quando acabou. Já diz muito.
GP da China – 9,0
Não é nota dez. Não foi uma corrida que me fez ficar de pé, sem fôlego, postando sem parar no Twitter. Tampouco teve uma briga direta pela vitória. Mas foi uma corridaça. Disputas em todo canto, variáveis, grandes pilotos com grandes atuações. A F1 vai muito bem em 2016.
Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.