SÃO PAULO (pode abaixar, também) – Agora, a segunda leva da trilha sonora da F-1 para 2009. Tem coisa boa, sem dúvida. Barrichello, por exemplo, foi brindado com Queen. Bourdais, com The Clash. Mas tem umas porcarias…
– Sébastien Buemi: “Part of the Queue” (Oasis). Não achei nenhum clipe legal, então vai esse mandraque, mesmo. Longe de ser a melhor coisa que o Oasis já fez. Eles vêm tocar aqui, não? Tomara que esqueçam dessa música.
– Sébastien Bourdais: “Should I Stay or Should I Go” (The Clash). Boa, belo clássico do rock’n’roll. Bourdais sempre quis stay, mas ficou meses achando que queriam que ele go.
– Mark Webber: “Pain Killer” (Turin Brakes). O australiano está meio dolorido depois de cair da bicicleta. Um bom castigo para suas travessuras poderia ser ficar ouvindo Turin Brakes duas horas por dia.
– Sebastian Vettel: “The World is Yours” (Ian Brown). De novo meu analfabetismo musical me impede de dizer “putz, que demais, que puta escolha, tem tudo a ver!”. Bem, quando Vettel for campeão, a gente avalia.
– Nico Rosbert: “Gimme more” (Britney Spears). Essa moça é bonita, mas é uma mala sem alça, canta mal pacas, e quando a gente ouve qualquer porcaria dela, tem vontade de sair gritando “para o mundo, quero descer!”. É o que Nico às vezes tem vontade de fazer quando senta no carro da Williams.
– Kazuki Nakajima: “Don’t Look Back Into the Sun” (The Libertines). Seria uma daquelas bandinhas underground que nós todos deveríamos conhecer? Bem, não conheço. Nakajima-san também não. Aliás, Nakajima-san não conhece muita coisa. A música não é ruim. Bem melhor que o piloto.
– Jenson Button: “Galvanize” (The Chemical Brothers). O álbum se chama “Push the Button”, o que vem bem a calhar para Jenson, que depois de anos sofrendo aqui e ali, tem a chance de fazer alguma coisa neste ano. Mas a música é de doer.
– Rubens Barrichello: “Don’t Stop me Now” (Queen). Combina, não? É isso aí, Rubens batalhou para que não parassem com ele antes que ele quisesse parar. E agora é que não vai querer, mesmo.
– Giancarlo Fisichella: “People Move On” (Bernard Butler). Pois é, Fisico, a fila anda, por que tanta insistência? Mas, na verdade, o título da música tem mais a ver com os galhos que o italiano conheceu ao longo da carreira pulando de um lado para o outro, nem sempre encontrando o galho certo. Quase nunca.
– Adrian Sutil: “I Want Love” (Elton John). Dizem que Sutil é um bom pianista. Mas ninguém repara nele, coitado. Nem tocando, nem pilotando.
É isso aí. Hora de ir para a cama. Boa noite, e aproveitem a trilha sonora da temporada enquanto os motores não roncam. Depois não vai dar para escutar nada.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.