Kimi Antonelli chegou à metade da temporada de 2026 como o grande protagonista da Fórmula 1. O italiano venceu os GPs da China, Japão, Miami, Canadá, Mônaco e Bélgica, somando seis triunfos nas 11 primeiras etapas do campeonato.

Entre os resultados, um dado chama especialmente a atenção: Antonelli venceu cinco corridas consecutivas, da China a Mônaco. A sequência o colocou ao lado de Alberto Ascari, Jack Brabham, Jim Clark, Nigel Mansell, Michael Schumacher, Lewis Hamilton, Sebastian Vettel, Nico Rosberg e Max Verstappen, únicos pilotos que também venceram pelo menos cinco GPs seguidos. Todos chegaram ao título mundial em algum momento da carreira.

O desempenho também fez o italiano alcançar outras marcas de precocidade. Ele se tornou o líder mais jovem de um campeonato na história da categoria e, no GP de Mônaco, estabeleceu o recorde de piloto com menos idade a conquistar um Grand Chelem, ao largar da pole, vencer, liderar todas as voltas e registrar a volta mais rápida no Principado.

Com a Mercedes em ótima fase e a liderança do campeonato em suas mãos, o italiano também aparece entre os principais candidatos ao título nas apostas esportivas. Se confirmar a conquista, porém, o piloto de 19 anos não ficará apenas com o troféu: poderá quebrar uma série de outras marcas históricas da Fórmula 1.

Campeão mais jovem da história da F1

O recorde de campeão mundial mais jovem da Fórmula 1 pertence a Sebastian Vettel. O alemão conquistou o título de 2010 aos 23 anos e 133 dias, quando terminou o GP de Abu Dhabi na liderança do campeonato e superou Fernando Alonso por apenas quatro pontos.

Antonelli nasceu em 25 de agosto de 2006 e completará 20 anos durante o fim de semana do GP da Hungria, 12ª etapa da temporada. Assim, mesmo que o título seja confirmado apenas nas últimas corridas de 2026, o italiano ainda estará três anos abaixo da idade que Vettel tinha quando se tornou campeão.

A diferença é ainda mais expressiva quando comparada a outros jovens pilotos que conquistaram o Mundial. Lewis Hamilton foi campeão aos 23 anos e 300 dias, em 2008; Fernando Alonso tinha 24 anos e 58 dias quando conquistou seu primeiro título, em 2005; e Max Verstappen venceu o campeonato de 2021 aos 24 anos e 73 dias.

Se confirmar o título em 2026, Antonelli estabelecerá uma nova marca que dificilmente será ameaçada no curto prazo, consolidando uma das maiores demonstrações de precocidade já vistas na Fórmula 1.

Primeiro campeão nascido no século XXI

O título de 2026 pode colocar Antonelli diante de uma marca inédita na Fórmula 1: tornar-se o primeiro campeão mundial nascido no século XXI. Até hoje, todos os pilotos que conquistaram o título nasceram antes dos anos 2000.

Entre os ganhadores mais recentes do campeonato, Lando Norris (2025) nasceu em 1999 e Max Verstappen (2021, 2022, 2023 e 2024) nasceu em 1997. Antonelli, por outro lado, nasceu em 2006 e representa a primeira geração de pilotos da Fórmula 1 formada integralmente no terceiro milênio.

A diferença de idade para outros campeões ainda em atividade reforça a dimensão dessa mudança. Fernando Alonso (1981) caminhava para o bicampeonato quando Antonelli nasceu e Lewis Hamilton (1985) estreou na F1 quando o italiano tinha poucos meses de vida.

Primeiro italiano campeão em 73 anos

Para a Itália, um eventual título de Kimi Antonelli teria um peso ainda maior. O país tem dois campeões mundiais na história da Fórmula 1, mas o último deles foi Alberto Ascari, que conquistou seu segundo título em 1953.

Ascari também foi campeão em 1952, enquanto Giuseppe Farina venceu o primeiro Mundial, em 1950. Os dois concentram os três títulos italianos da categoria. Desde então, Michele Alboreto e Ricardo Patrese foram os únicos compatriotas a chegar perto, com os vice-campeonatos de 1985 e 1992, respectivamente.

Líder absoluto do campeonato em 2026, Antonelli pode colocar fim ao jejum de 73 anos da Itália no Mundial de Pilotos. Nos Construtores, a Ferrari deu 16 títulos ao país, mas a equipe também não vence desde 2007.

Quarto campeão em sua segunda temporada na F1

O segundo ano de Kimi Antonelli na Fórmula 1 pode terminar com uma marca alcançada por apenas três pilotos antes dele: conquistar o Mundial em sua segunda temporada na categoria. A estatística, porém, exige uma ressalva quando se considera a fase inicial do campeonato, há mais de 70 anos.

Giuseppe Farina foi o primeiro campeão mundial, em 1950. No ano seguinte, Juan Manuel Fangio conquistou o título em sua segunda participação no campeonato. Décadas depois, Jacques Villeneuve repetiu o feito em 1997, após terminar sua estreia como vice-campeão, e Lewis Hamilton foi campeão em 2008, também depois de ficar em segundo no ano anterior.

No entanto, Farina e Fangio já eram pilotos experientes quando o Mundial foi criado e disputavam Grandes Prêmios antes de 1950. Além disso, naquela época, todos os competidores estavam diante de uma categoria recém-inaugurada, realidade muito diferente da F1 atual.

Mais de sete décadas depois, Antonelli entrou em um grid no qual divide espaço com campeões consagrados e pilotos com muitos anos de experiência na categoria. Após terminar sua temporada de estreia em sétimo, ele deu um salto de desempenho em 2026 e transformou o segundo ano em uma disputa direta pelo título.

Quarto campeão mundial pela Mercedes

A relação de Antonelli com a Mercedes também pode colocá-lo em uma lista bastante exclusiva. Em toda a história da F1, apenas Juan Manuel Fangio, Lewis Hamilton e Nico Rosberg conquistaram o Mundial ao volante de um carro da equipe alemã.

Fangio venceu os campeonatos de 1954 e 1955 pela Mercedes, nas duas temporadas em que esteve no time. O intervalo até o próximo título das Flechas de Prata foi de quase seis décadas, até Hamilton conquistar o campeonato de 2014 e iniciar o período mais vitorioso da história recente da escuderia.

Hamilton terminou sua passagem pela Mercedes com seis títulos mundiais, enquanto Rosberg conquistou o campeonato de 2016. O alemão precisou de sete temporadas pela equipe para chegar ao título e havia terminado como vice-campeão em 2014 e 2015, atrás do próprio companheiro britânico.

Antonelli pode assim se tornar o quarto campeão da Mercedes e o primeiro italiano a conquistar o Mundial pela equipe. Caso confirme o título em 2026, reunirá em uma única conquista marcas de precocidade, nacionalidade e desempenho por uma das equipes mais vencedoras da Fórmula 1.