De forma inédita, a Federação Internacional de Automobilismo [FIA] divulgou um guia médico que busca prestar assistência ao bem-estar e saúde dos pilotos das diversas categorias que estão sob o guarda-chuva do órgão. O documento traz indicações médicas para demandas específicas do esporte a motor. Para a FIA, a iniciativa deve instruir o gerenciamento da saúde enquanto a competição acontece de forma segura e justa.

O guia é resultado da colaboração da FIA com médicos especialistas no assunto. Além de providenciar informações de confiança aos pilotos, a expectativa é de que o material, que foi disponibilizado de forma gratuita no site oficial da Federação, chegue também nas associações nacionais para que consigam tomar as decisões em relação à saúde com melhor embasamento.

“Ao oferecer recomendações claras, baseadas em evidências, estamos dando aos pilotos e aos profissionais da saúde o poder de tomarem decisões bem informadas, que garantem a participação segura dos pilotos no esporte”. afirmou Sean Petherbridge, presidente da comissão médica da FIA.

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(Foto: KSP/F4 Francesa)

Além disso, Petherbridge afirmou que a comissão médica da FIA continuará em contato com os pilotos, as equipes e as ASNs para garantir que o guia acompanhe as pesquisas mais recentes e as demandas do automobilismo.

O guia é apenas orientativo e não tem efeito regulatório obrigatório, sem substituir leis e regulamentos da FIA ou das associações nacionais. A entidade deixa claro que o cumprimento das recomendações não garante segurança total, cabendo aos pilotos e equipes buscarem aconselhamento profissional independente. Também alerta que tratamentos não devem ser feitos unicamente para obter liberação para competir e que todos devem seguir as regras antidoping da WADA [Agência Mundial Antidopagem], solicitando autorização de uso terapêutico quando necessário.

Entre os critérios técnicos, destacam-se exigências rigorosas para saúde cardiovascular e neurológica. Pilotos precisam realizar exames periódicos, como ECG, e ter pressão arterial e função cardíaca dentro de parâmetros seguros. Condições como infarto recente, arritmias graves e epilepsia ativa costumam ser incompatíveis com a liberação. No campo neurológico, traumas cranianos, AVC e doenças degenerativas exigem afastamento ou avaliação caso a caso, sempre com laudos especializados.

O documento também aborda saúde mental, doenças crônicas e situações específicas como gravidez, depressão e ansiedade severas, transtornos psicóticos e distúrbios não controlados de atenção ou autismo podem impedir a participação até que estejam estabilizados. HIV, hepatites, câncer, apneia do sono e problemas renais ou auditivos têm avaliação individualizada, mas quadros ativos ou instáveis tendem a vetar a liberação. No caso de gestantes, a participação é restrita até a 12ª semana, com parecer médico favorável.

Em colaboração, Dr. Vicenzo Tota, médico oficial da Porsche Motorsport, afirmou que leu o guia e que o considera um conteúdo de muito valor. Tota acrescentou ainda que o guia também será útil para os profissionais, mas que é fundamental mesmo para as equipes pequenas, que não possuem tanto acesso a equipes particulares de saúde.

“É realmente uma boa inovação e uma boa maneira de instruir e dar indicações apropriadas a quem talvez não esteja tão envolvido com o lado médico ou não tenha médicos pessoais em sua equipe”, explicou.