Verstappen ganha mais uma: 14 em Sprints

SÃO PAULO (virou) – Max Verstappen chegou a Singapura disposto a fazer barba, cabelo, bigode e costeletas no final de semana. Barba e cabelo já foram. Conseguiu a pole para a Sprint ontem e hoje ganhou a minicorrida no circuito de Marina Bay. A vitória, sua 14ª em 30 Sprints disputadas na F-1 desde 2021, era previsível. Mas chegou a ficar ameaçada. Por uma única volta. George Russell conseguiu ganhar a liderança na largada, mas bateu na abertura da segunda volta e abandonou. Kimi Antonelli chegou em quarto e fez cinco pontos, ampliando para 89 sua vantagem sobre o companheiro de Mercedes na tabela.

Teve chuva na corridinha. Uma pancada forte, daquelas que as moças do tempo na TV chamam de “isolada”, caiu faltando dez minutos para a largada, o que fez a direção de prova adiar o início da prova por meia hora. A situação era bem curiosa. Só choveu em metade do circuito. Na reta dos boxes, uma tempestade. Do outro lado, pista totalmente seca e senhoritas se abanando com leques.

Pista molhada na reta dos boxes; do outro lado, seca

Depois de duas voltas atrás do safety-car, ficou definido que a largada seria dada com os carros parados e cada um que se virasse no spray e no asfalto escorregadio de boa parte do traçado. Os pneus intermediários foram mandatórios: todos com eles.

Russell largou muito bem e passou Verstappen ao apagar das luzes encarnadas. Mas o júbilo durou só uma volta. Quando o inglês entrava na reta dos boxes para abrir a segunda, o carro deu uma estilingada de traseira, ele rodou e bateu no muro — batida idêntica à de Nelsinho Piquet em 2008, aquela proposital. Só que seu carro voltou para o meio da pista, um risco desgraçado. Felizmente ninguém bateu nele. E assim acabou sua Sprint. “Sorry. Sorry. Sorry, sorry, sorry. Sorry”, disse George pelo rádio. E completou: “Sorry”.

Max assumiu a liderança, com o safety-car convocado pela primeira vez no dia. Antonelli perguntou o que tinha acontecido com seu parceiro. O engenheiro explicou que ele havia colocado a roda sobre uma linha branca pintada no chão na entrada da curva, acelerando. “Está muito escorregadio”, informou. “Fuja das faixas brancas.”

Batida de Russell: como Nelsinho em 2008, só que não de propósito

Lewis Hamilton foi outro que partiu feito um raio, saindo de sexto no grid para terceiro. Com o abandono de Russell, pulou para segundo. O britânico da Mercedes não foi o único a dizer tchau logo no início. Sergio Pérez e Lance Stroll se tocaram e ficaram fora da corrida. Isack Hadjar, com problemas no carro, também parou. Pouco depois apareceu Franco Colapinto estancado no meio da pista. Já eram cinco fora do combate. Verstappen, Hamilton, Charles Leclerc, Oscar Piastri, Lando Norris, Antonelli, Liam Lawson e Pierre Gasly formavam o grupo dos oito primeiros, os que pontuam em Sprints.

No final da sexta volta, o safety-car recolheu-se a sua insignificância e a prova foi retomada, ainda com metade da pista molhada e metade seca. Não havia o que fazer quanto a pneus. Na parte com água, seria impossível dirigir com slicks. Na outra, é verdade, os intermediários se desgastariam rapidamente. Mas era o que tínhamos no momento.

Na relargada, Max manteve-se na ponta e a única refrega registrada foi entre Oliver Bearman e Gasly disputando posição um pouco mais atrás. Outra contenda, esta não registrada na hora pelas imagens de TV, ocorreu lá no fundão entre Valtteri Bottas, Alexander Albon e Gabriel Bortoleto. O ciclista da Finlândia bateu no tailandês, que bateu no brasileiro numa colisão daquelas muito comuns no trânsito de grandes cidades. Aquilo que comumente chamamos de engavetamento. Bottas e Bortoleto se dirigiram aos boxes e desistiram de seguir na prova. Albon também parou, viu que dava para voltar e voltou. Mais tarde, porém, a Williams solicitaria gentilmente que encostasse seu carro na garagem porque já nada havia a conquistar. Não perca a conta, diria Léo Batista: oito abandonos.

Papelão papaia: os dois rodaram na última volta

Com metade da Sprint cumprida, dez voltas – a distância original era de 21, mas a segunda volta de apresentação comeu uma –, Verstappen seguia seguro com Lewis em segundo esperando por algum erro do holandês, o que não é, convenhamos, muito comum. Leclerc, Piastri, Norris, Antonelli, Lawson e Bearman, que tinha passado Gasly, estavam na zona de pontuação.

Trocar de pneus não faria nenhum sentido para ninguém, ainda que a pista estivesse secando rapidamente. O tempo perdido numa parada seria irrecuperável. E os trechos molhados, agora úmidos, não permitiam o uso de slicks. Se fosse um GP normal, a corrida principal, OK: em algum momento todos iriam para os boxes. Numa Sprint, rapidinha, não tinha como. Era resfriar a borracha onde desse e torcer para acabar logo.

Leclerc, Verstappen e Hamilton com seus prêmios

Com pneus intermediários se esfolando no asfalto seco, o ritmo da prova passou a ser lento e contido, o que reduziu as chances de alguma batida besta. Verstappen desapareceu na frente. Na volta 18, Leclerc, o terceiro, percebeu que a dupla da McLaren tinha encostado nele. Mas ambos se encarregaram de deixá-lo em paz. Na última volta, Norris tentou passar Piastri, os dois se tocaram e rodaram. Oscar ficou pregado no muro. Lando conseguiu dar uma pirueta e seguiu. Depois pediu desculpas, mas falou que espaço para passar havia. O engenheiro de Piastri perguntou pelo rádio se eles tinham batido, se ele queria dizer alguma coisa, desabafar, expressar sua indignação. Espumando, o australiano fez um longo e colérico discurso: “Sim”.

Verstappen, Hamilton, Leclerc, Antonelli, Lawson, Bearman, Nico Hülkenberg e Norris terminaram nas oito primeiras colocações. Foram sete times com representantes na zona de pontos. Apenas Williams, Alpine, Aston Martin e Cadillac ficaram fora da festa. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos, como se diz. Menos Russell.

O resultado da prova: sete equipes nos pontos