SÃO PAULO (no fim tudo dá certo) – Os leitores mais atentos e assíduos do Grande Prêmio devem ter notado algumas coisas estranhas nos últimos dias, especialmente desde ontem. Bem, vamos às explicações.
Depois de 12 anos de parceria com o iG, o site está deixando o portal, assim como aconteceu com nossos blogs em outubro. A nova política de parcerias do iG resultou na saída de alguns sites, blogueiros e colunistas, já que a empresa está se reestruturando num processo que já dura alguns meses.
O Grande Prêmio foi reformulado sob a batuta de Victor Martins & cia, com apoios técnicos da Inventive House, da ProdutoBrasil e do MSN, nossa nova casa. Estamos, desde 1° de março, com uma nova parceria em vigor, agora com o portal da Microsoft, para quem já fornecemos conteúdo há algum tempo.
Claro que essas mudanças são traumáticas e trabalhosas. Estamos fazendo todos os testes e enfrentando todo tipo de problema técnico que sempre surge nessas horas. A hospedagem do Grande Prêmio passará a ser feita em servidores nos EUA e temos tido algumas dificuldades na transferência de todos os arquivos e na operação dos sistemas necessários para colocar o site no ar.
Mas é algo que em breve estará solucionado e o site voltará ao ar em questão de horas (esperamos!) nos seus endereços habituais: www.grandepremio.com/br e www.warmup.com.br, além das URLs associadas também ao MSN. Para vocês, usuários, não muda muita coisa. A gente continua fazendo o que sempre fez, jornalismo com informação correta e precisa e opinião desvinculada de equipes, pilotos e categorias, tendo compromisso única e exclusivamente com quem nos lê.
Nossa página tem uma longa história na internet brasileira, que começou em 1996 como Warm Up e assumiu o novo nome quando se tornou parceiro do iG, na implantação do portal. Nesses 16 anos de vida, tornamo-nos o maior site de automobilismo do mundo em língua portuguesa, criamos a Revista WARM UP, o Almanaque Warm Up, aderimos às redes sociais, fizemos podcasts e programas em vídeo, cobrimos quase 300 GPs de F-1, além de inúmeras corridas de todas as categorias importantes no Brasil e no mundo, ganhamos prêmios (iBest para o site, o blog e vídeo de esportes, ACEESP para reportagem sobre doping no automobilismo no ano passado), criamos uma escola.
O iG foi sempre um grande parceiro, igualmente importante na história da internet brasileira. Nasceu como provedor gratuito de acesso à internet numa época em que se pagava caro por isso. “Internet Grátis” era o mote. O portal tinha vários sites parceiros reunidos sob seu guarda-chuva e foi lançado com forte campanha publicitária cujo astro era um cachorrinho simpaticíssimo que ficou conhecido como “o cachorrinho do iG”. O logotipo era vermelho e quando as operações passaram a dar lucro, reza a lenda, mudou de cor para o azul.
Nestes 12 anos, o iG mudou de dono algumas vezes, mas sempre cumpriu impecavelmente suas obrigações contratuais com o Grande Prêmio. Quando a primeira crise da internet bateu fundo, lá para o fim de 2001, ficamos firmes e sobrevivemos mesmo sem remuneração nenhuma durante alguns anos, compreendendo o momento difícil pelo qual todo mundo estava passando.
Foram anos duros, mas depois de mais uma década de parceria não há nada de que se arrepender. Graças ao iG, o Grande Prêmio ganhou visibilidade; graças ao Grande Prêmio o iG ofereceu aos seus usuários um conteúdo de enorme credibilidade e importância. Há muitas pessoas a quem agradecer nessa longa trajetória, como o Matinas, o Leão, a Andrea Fornes, o Mário Vitor, o Caio Tulio, o Fred, a Mari, o Gian, o Caíque, o Elvis, o Beto, o Oinegue, a Marcella, toda a turma dos setores administrativos e de tecnologia, todos os que passaram pela editoria de Esportes… E certamente estou esquecendo algumas dezenas. Afinal, foram 12 anos de trabalho intenso e muita dedicação de todos os lados.
Life goes on, como se diz, e agora iniciamos esta parceria com o MSN com o mesmos empenho e entusiasmo de sempre. É curioso que na nova casa, mais uma vez, reencontro muitos colegas com quem trabalhei em outros lugares muito tempo atrás. Uma delas é a Andrea Fornes, a querida Leca, minha colega de “Folha” e iG, que hoje comanda a equipe de conteúdo editorial da Microsoft no Brasil. Foi ela quem nos chamou para conversar um ano e meio atrás, dando o pontapé inicial neste relacionamento que, tomara, será longo e próspero.
Nas primeiras semanas, pequenos problemas vão aparecer — nessas coisas de internet, quando se trata de um site grande como o nosso, é normal que seja assim. O site novo ainda não está no ar em definitivo, o que deve acontecer neste fim de semana. Aos nossos leitores, pedimos uma certa compreensão. Carro novo, sabem como é… Quebra nas primeiras corridas, mas depois que começa a andar na frente, não sai mais!
E é o que faremos: vamos em frente. Valeu, iG. Bem-vindo, MSN.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.