SÃO PAULO (tudo é relativo) – Enquanto não me acionam no estúdio para chamar o comercial, vamos blogando. Foi bem legal a corrida de hoje em Interlagos. Largaram 27 carros e o Meianov conseguiu uma gloriosa 18ª posição no grid. Como eu temia, não choveu mais e a pista, na hora da largada, estava sequinha […]
Publicado em 12/06/2010 às 18:11
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SÃO PAULO (tudo é relativo) – Enquanto não me acionam no estúdio para chamar o comercial, vamos blogando. Foi bem legal a corrida de hoje em Interlagos. Largaram 27 carros e o Meianov conseguiu uma gloriosa 18ª posição no grid. Como eu temia, não choveu mais e a pista, na hora da largada, estava sequinha da silva.
Desta vez larguei mal. Quando não passo uma meia-dúzia, acho que larguei mal. Na verdade, não perdi posição nenhuma, nem ganhei. Tudo normal. E as primeiras voltas foram ótimas, porque o Alexandre Chaud, da minha categoria, estava atrás no grid com seu Passat cinza-ratinho. Ele não foi bem no molhado, e acabei me classificando melhor.
Eu tinha três adversários diretos: o Raphael, com outro Passat cinza-ratinho, o Erik, de Puma amarelo-gemada, e o Chaud. Esses eram os da minha categoria. Mas sempre tem um enxame de Fuscas para brincar, e uns Pumas, e uns Chevettes.
O Chaud chegou rápido no Meianov, mas na hora eu gritei, citando um grande sábio: chegar é uma coisa, passar é outra! E ficamos umas três voltas nos esgoelando, ele me passava na reta, eu retomava no S do Senna, tentava frear mais dentro, mas era uma questão de tempo. No fim, passou.
Segui na minha toadinha até que alguns carros começaram a ter problemas. O Erik amarelo-gemada quebrou. Opa, terceiro. Aí cheguei no Alcoforado, de Fusca, e no Júnior, de Puma. Quando passei o Puma, rodei no S do Senna. Ele se assustou e rodou junto. Está tudo registrado no vídeo abaixo feito pelo Kiko Stone.
Tinha óleo pra cacete na pista. Depois soube que quase todo mundo rodou em algum lugar. Até o Nenê Finotti, que liderava e acabou perdendo na geral para o Zé Augusto — que largou em último com seu Porsche cinza-urânio-iraniano. Rodei e voltei, como dá para notar pelo vídeo, e fui em frente. No fim, me aproximei do Chaud. Opa, ele teve algum problema, imaginei. E teve mesmo, homocinética. Homocinética é uma espécie de sessão de cinema para homossexuais. Não uso isso, não. Meu carro é espada.
Fui chegando, chegando, e passei na última volta. Passei o Fusca do Alcoforado, também, mas na chegada, antes de receber a bandeirada, a besta aqui tirou o pé achando que já tinha cruzado a linha, e não tinha. Resultado: ele chegou na minha frente por 0s029.
Sem problemas, porque não é da minha categoria. Fechei em segundo entre meus pares e em 13º na geral. Bom demais. Só não foi perfeito porque não consegui passar minha vítima preferida na largada, o Trovão Azul do Rogério Tranjan. O desgraçado largou bem e fez uma baita corrida, terminando em sétimo na geral. Vou protestar o resultado. Motivo? O Tranjan não pode chegar em sétimo, porque ficará insuportável. A não ser que pague a conta do boteco quarta-feira, aí eu retiro o protesto.
No pódio, a querida Lika Mattheis, filha do Andreas Mattheis, quase tão bom quanto eu, me entregou o troféu. Foi bem legal.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.