SÃO PAULO (vai nevar a que horas?) – Foram só 16 carros na classificação da quarta etapa da Classic Cup, hoje em Interlagos, e 15 na largada. Nosso grid vem minguando, um pouco pela divisão dos antigos em duas categorias, um pouco porque tem um monte de gente que, por algum motivo, tem preferido deixar os carros na garagem.
Pena, porque com grid magro as corridas ficam ruins. A de hoje foi ruim. Se teve briga, durou pouco. Olhando as diferenças entre os carros ao final da prova, a menor foi de 4 segundos. As demais chegaram a 10, 20, 30, 40 segundos. Para quem vê, é chato. Para quem pilota, mais chato ainda.
No que diz respeito ao Meianov, só não achei chato demais porque era importante, hoje, ver como o carro iria se comportar depois do desastre da última prova. O Nenê Finotti chegou a virar na casa de 2min14s nos treinos da semana (eu não pude treinar) depois de mudanças na suspensão dianteira e na carburação e ficamos animados.
É um tempo legal para um Lada, o melhor que ele já virou em Interlagos. Mas na classificação, de manhã, a pista estava molhada, um sabão da peste, nunca vi igual. Tanto que a pole do Mariano Cirello, que costuma virar tempos na casa dos 2min cravados no seco, fez 2min28s558. Meianov virou 2min46s419, 13º no grid. Ficamos apenas 0s024 atrás do Mavecão V8 do Reinaldo Hernandez e a 2s5 do Puma do Edson Furrier, que é um carraço.
Dava para baixar um pouco, mas estava escorregando demais. Rodei três vezes na volta de saída dos boxes! Aí fui na dos tempos de kart, traçado fora da borracha (e do óleo), e deu para perceber que o carro melhorou bastante.
A largada foi boa. Passei o Maverick, um Fusca e um Passat, acho que estava em oitavo ou nono na primeira curva. Aguentei uma volta na frente dos caras, mas depois o Maverick e o Passat me passaram, foram embora, e a pista, que estava quase seca nas primeiras três voltas, começou a ficar molhada de novo com uma chuvinha intermitente que caiu até o fim da prova.
A melhor volta do Meianov: 2min16s596. Está bom. No seco, viriam os 2min14s sem muito esforço, o que é uma boa notícia. Ao final da corrida, décimo na geral, segundo na minha divisão — atrás do Cirello, que também ganhou na geral. Troféu bonito, depois coloco uma foto. Na geral, o Xupisco foi o segundo de Chevette e o Speto ficou em terceiro com Passat.
Apesar da pista ensaboada, nenhum acidente. Uma rodadinha aqui, outra ali, e todos sobreviveram. Foi legal ver alguns blogueiros em Interlagos, apesar do frio e da chuva. Acho que a próxima é daqui a duas semanas. Vamos ver se aparecem mais carros.
Ah, as fotos lá em cima são do Dyonysyo Pyerotty.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.