SÃO PAULO (acabou) – Foi um sábado festivo (ainda está sendo) em Interlagos, no fim de semana que marca o encerramento do Paulista de Automobilismo. Amanhã ainda tem um monte de corridas. Nossa categoria, a Classic Cup, terminou hoje com um grid de 46 carros, reforçado por uma dezena de besouros que vieram de Londrina, colorindo e alegrando a prova.
Quem ganhou e quem perdeu não importa muito. Depois vocês catam os resultados no site da FASP. Na geral, o Chambel levou, de Passat. Foi um dos nomes do ano, sem dúvida. Luque, Fábio Coelho, Carlos Braz, Paulo Sousa, Carlos Estites, Gildo, Furrier, Abrami, Rafinha, André Mello, todos esses e muitos outros fizeram ótimas corridas. Turma boa, a de 2009.
O Meianov até que não decepcionou. Na classificação, depois de resolver o problema de uma vela encharcada, consegui uma volta em 2min28s e uns quebrados, à frente de dois Passats da minha divisão (do Tranjan e do Rafinha) pela primeira (e provavelmente última) vez na vida. A pista estava molhada, e isso me ajudou. Fiquei à frente de alguns Della Barbas, do lado do Luque (de BMW AP!) e à frente do carcamano Marcelo Giordano, de Fiat 147. Proporcionalmente, foi a melhor classificação desse carro.
Larguei em 29º, no meio do bolo, e terminei em 29º, longe de qualquer bolo. A corrida foi legal para o Meianov até a oitava volta, com uma disputa linda com um Fusca de Londrina, número 55. Depois vejo na lista o nome dele. Não sei onde está a papeleta.
Mas fui meio sujo com o rapaz. Sem querer, é verdade, mas isso não muda o resultado da manobra. Na subida do Laranjinha, que faço sem frear, ele estava por fora, e eu por dentro. Ia passar, como já tinha passado umas duas voltas antes, mas ele resolveu dessa vez fazer a primeira tangência, talvez não tenha me visto, talvez achasse que eu ia tirar o pé. Não tirei, acabei tocando o bico esquerdo no paralama traseiro direito dele, e o Fusca rodou. Um totó clássico. Eu merecia punição.
Que os céus enviaram, porque na penúltima volta rodei eu sozinho, fui para a grama molhada, perdi uns 20s, e na última, quase sem álcool, meu carro falhou na subida do Café, apagou, perdi outros 20s,depois funcionou, e o Fusca #55 me passou de novo. Como não sabia quem era o rapaz depois da corrida, não fui pedir desculpas, o que faço aqui publicamente.
Mas também não foi nenhum drama, essas coisas fazem parte das corridas, e depois coloco o vídeo aqui para todos me espinafrarem. O que valeu foi a festa, o grid enorme, rever os amigos, a blogaiada, ouvir as mentiras do Ceregatti, reencontrar todo mundo.
Ano que vem tem mais. Acho que vou mudar o Meianov de categoria, meter umas peças de fibra (só aí eu devo tirar, por baixo, uns 80 kg do carro), dois Webers, blocante, essas coisas. Na minha divisão, não sou páreo para os Passats, mesmo. Numa divisão acima, não serei para os outros carros, o que dá na mesma. Mas, pelo menos, consigo baixar meus tempos. A meta para 2009 era 2min15s. Virei uma volta, uma única, em 2min15s9 num treino. Não vem mais. Na corrida de hoje, a melhor foi em 2min18s. Para 2010, a meta é chegar a 2min10s. Vamos ver se consigo o milagre.
Depois coloco fotos, assim que alguém me mandar.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.