SÃO PAULO (vitória!) – Vejam que relato legal me manda Mestre Mahar, da turma dos alfiste. Um deles, Renato Cunha, de Porto Alegre, encontrou o último fabricado no Brasil (fora aquele do Niemeyer, que para muita gente é lenda).
Leiam:
Caros amigos alfistas,
Foram quase dois anos. Um ano e nove meses, para ser exato, procurando localizar a última 2300 fabricada no Brasil. A última Alfa Romeo produzida no Brasil. E a última 2300 fabricada no mundo. A penúltima, de chassi 1440014023, uma 2300 preta 1986, já era conhecida. Encontrava-se com o Mario, da Mcar de Campinas. O chassi 1440014025 provavelmente nunca existiu.
Portanto, a última 2300, chassi 1440014024, foi localizada, em junho de 2006, na cidade de Farroupilha (RS), distante 110 km da capital.
Confesso que a expectativa era enorme. Depois de tanto tempo e procura, encontrar a antiga dona, o nome do dono atual, telefone, contatos sem sucesso, desisti por um tempo. Finalmente marcado o encontro para conhecer a menina…
Sábado, 17h, em um posto de gasolina em frente à fábrica da Tramontina. Atrasado, saí de Porto Alegre às 16h para fazer os 110 km com trechos de serra. A 164 teve que andar bonito, o dono da 2300 não tem celular. Mas o “gringo” falou que estando marcado, estava marcado. Fui na confiança…
Chegando, na estrada mesmo já a vi, preta, estacionada. Encontro o Sr. Ricardo e sua esposa, gente muito simpática, típicos descendentes italianos da região. A conversa começou e se estendeu por mais de uma hora. Ele adorou o motor V6 da 164. Alfista. Sua esposa me perguntou se eu saía com ela quando chove, querendo alfinetar o marido. Quando disse que na chuva só de Polo, ele riu gostosamente e disse: e eu na chuva, só de Fusca! E olha que o Fusca dele é 1964!!!!!
Seu Ricardo contou o que ele sabe da história da sua Alfa de 118.239 km originais. Na época do encerramento da fabricação das 2300, o Sr. Pedro Grendene fez um pedido à Fiat, que lhe entregou este exemplar. De comprovado, tem-se que desde 1992 pertenceu a um segundo dono, funcionário da Grendene, e depois à esposa do Sr. Ricardo, com quem continua até hoje. Ou seja: esse carro nunca saiu da região. Será que a história da 2300 do Niemeyer é verdadeira?
Me despedi do Sr. Ricardo, da sua amável esposa, dei-lhes um adesivo do ARBR e fui embora feliz da vida. Caros amigos do ARBR, deixo-lhes com as fotos da ÚNICA ALFA ROMEO 2300 1987 já produzida, e a última da saga de nossas Alfas brasileiras.
Um abraço
Renato Cunha – Porto Alegre – RS
Parabéns ao Renato, e que esse carro dure para todo o sempre!

Mahar escreveu uma bela matéria sobre o assunto no Webmotors. Leitura altamente recomendada.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.