Reproduzo abaixo texto enviado pelo diretor-técnico das Mil Milhas Brasileiras, Ivo Sznelwar, que vão mudar de cara em 2006. A idéia é elitizar e internacionalizar a prova. Aqui não vai nenhum juízo de valor. O texto é esclarecedor para os defensores e para os críticos da corrida, que no ano que vem completa 50 anos:
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A Mil Milhas de todos os pilotos brasileiros
Caros amigos pilotos e donos de equipes.
A tradicional Mil Milhas Brasileiras, a partir de 2006, busca uma nova filosofia para inseri-la no contexto internacional. Para isto foi necessária uma grande dose de ousadia e algumas mudanças profundas. Como em todas as mudanças, a primeira reação é de desconfiança e descrédito, inflamadas por boatos difundidos por pessoas que não entenderam o espírito do novo projeto.
Com a finalidade de elucidar as principais dúvidas, queremos manter um canal permanente de comunicação com os pilotos e competidores. Desde já, no entanto, gostaríamos de nos adiantar e esclarecer algumas questões.
A MIL MILHAS 2006 PRIVILEGIARÁ AS EQUIPES ESTRANGEIRAS DEIXANDO POUCAS VAGAS PARA OS TRADICIONAIS COMPETIDORES BRASILEIROS?
Não A Mil Milhas 2006 comportará um grid de 54 carros no máximo, número este limitado por questões de conforto nos boxes e segurança. Destas 54 vagas, apenas 14 são asseguradas para convidados, sendo que 40 vagas estão abertas para todos os competidores. A internacionalização da corrida e o seu novo plano de mídia são motivos para esta reserva, pois a migração para uma grande rede de TV só é possível assegurando-se a participação de destaques internacionais.
EM 2007 O CAMPEONATO PASSARÁ A SER UMA PROVA DO FIA GT. OS CARROS NACIONAIS SERÃO PROIBIDOS DE PARTICIPAR?
Em provas de longa duração o campeonato FIA GT admite categorias locais junto de seus carros, com classificação separada, como é o caso de SPA-Francorchamps. A exigência é que estes carros enquadrem-se nos regulamentos e padrões de segurança da FIA. Além disso, a internacionalização da prova será benéfica para os participantes brasileiros, que além de exposição de mídia ganharão visibilidade perante as principais equipes de GT do mundo.
DESEMPENHO MÍNIMO – OS PEQUENOS CONCORRENTES FICARÃO DE FORA ?
Não. O desempenho mínimo tem por objetivo limitar a participação de carros muito lentos – NÃO O SEU! Com limite máximo de 30% sobre o tempo da pole-position, apenas DOIS carros do grid de 2005 não largariam. Para 2006 esperamos que o tempo da pole-position baixe, assim como todos os competidores, esperam evoluir. Se a pole-position de 2006 ficar em torno de 1m28s, serão admitidos carros até 1m54,4s.
MEU CARRO ESTÁ DENTRO DO REGULAMENTO 2005 E NÃO DE 2006. ALÉM DO PESO EXTRA, TENHO QUE MODIFICAR O CHASSI?
Não. Para carros dentro do regulamento 2005 e que participaram em 2005 da Mil Milhas ou do Brasileiro de Endurance, basta a adequação ao peso da categoria e o peso extra como penalty por não estar adequado ao regulamento 2006. Mais nada.
OS PROTÓTIPOS MM P2 PODEM TER MOTOR ATÉ 3,0 LITROS. OS QUE SEMPRE COMPETIRAM COM MOTORES 2,0 LITROS ESTARÃO EM DESVANTAGEM?
Não. O novo regulamento prevê diferença de peso de 100 kg entre estas duas classes de motores.
A TAXA DE INSCRIÇÃO FICOU MAIS CARA?
Não. Para 2006 foi modificado o critério de cobrança do valor das inscrições dos carros e pilotos. Ele agora é um valor determinado em regulamento, e os concorrentes não pagarão taxas extras para montagem dos boxes e nem pelo combustível utilizado. Isso mesmo: o box montado com uma estrutura básica e todo o combustível necessário para o evento não custarão um centavo a mais para os competidores. Além disso a Mil Milhas 2006 terá divulgação e transmissão pela TV Globo e pelo SporTV, dos jornais Estado de São Paulo e Jornal da Tarde, das Rádios Jovem Pan AM/Fm e Eldorado AM/FM além de outras ações de divulgação e promoção do evento tornando a corrida mais atrativa para os seus patrocinadores e transformando em ganho qualquer diferença no custo de participação. É a hora de perceber esta nova oportunidade e iniciar os contatos publicitários.
QUAL A VANTAGEM DE INSCREVER-SE PARA A PRÉ-CLASSIFICAÇÃO DE 17 E 18 DE DEZEMBRO DE 2005?
Os carros pré-classificados em dezembro (até 20 carros), além de um desconto substancial no valor das inscrições, terão prioridade de lugar no grid de largada, mesmo que sejam superados por outros competidores nos treinos classificatórios.
COMO ASSIM?
Desde que os pilotos do carro pré-classificado cumpram os requisitos mínimos de desempenho estabelecidos no Regulamento Desportivo da prova (10% entre os pilotos do mesmo carro no máximo), ele largará mesmo que não esteja entre os 54 carros mais rápidos dos treinos classificatórios.
OS EQUIPAMENTOS DE SEGURANÇA EXIGIDOS PARA PARTICIPAR DA MIL MILHAS 2006 ELEVAM O CUSTO DE PARTICIPAÇÃO?.
Não. Uma das preocupações dos novos promotores da Mil Milhas é com a segurança de todos os pilotos e participantes do evento de um modo geral. Os equipamentos de segurança evoluíram no mundo do automobilismo e graças a isto foram evitadas graves conseqüências. Possuir equipamentos de segurança de boa qualidade com prazo de validade em dia deverá ser sempre o objetivo daqueles que participam de provas de velocidade. O investimento nestes equipamentos não é custo da Mil Milhas, e sim investimento em vida e segurança, prioridade de todos nós.
Consulte o site www.milmilhasbrasil.com.br – inscrições abertas
Ivo Sznelwar
Diretor Técnico
Mil Milhas do Brasil
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.