
SÃO PAULO (se não bater) – Aos mais animadinhos, a informação é pertinente: uma temporada no Mini Challenge, campeonato que fará parte de parte (deu pra entender?) dos eventos estoquianos no ano que vem, vai custar a bagatela de R$ 210 mil. Sem o carro. Pelo que entendi, os carros serão alugados. Essa grana é para correr, apenas.
As informações foram prestadas pela Vicar hoje em Interlagos. Serão oito rodadas duplas (parte da Estoque, que tem 12 etapas), com provas de 25 minutos de duração e sempre aos sábados. Visibilidade zero nos autódromos, que nunca têm ninguém aos sábados. Portanto, quem for correr que não prometa mundos e fundos aos eventuais patrocinadores. Será tudo mentira.
É brincadeira de gente rica, quase 30 mil dinheiros nacionais por rodada dupla. Se não acontecer nada, nenhum risquinho, nem pneu furado, precisamente R$ 26.250 a cada duas corridas, ou R$ 525 mangos por minuto se o piloto chegar ao final das duas provas de 25 minutos cada.
Como disse no post de ontem, não tenho nada contra. É apenas mais uma categoria que será disputada por quem tem o automobilismo como hobby, que não vai formar ninguém, nem tem tal pretensão. Um campeonato que cabe em qualquer país do mundo, sempre tem gente endinheirada para gastar com o que quiser.
Os organizadores (a BMW brasileira está na jogada) prometem 15 carros no grid da primeira etapa. Estão atrás dos primeiros 15 milionários. Provavelmente haverá (isso sou eu que estou chutando) um carro sempre disponível para alguma celebridade, o que levará os Minis à “Caras” todos os meses. É uma estratégia óbvia e aceitável, já que o público-alvo desse automóvel é esse mesmo, jovens urbanos sem grandes problemas na conta bancária. Parece que o carrinho está vendendo bem no Brasil, e é uma graça. Se eu pudesse, teria um, embora prefira evidentemente os modelos originais, antigos.
Sobre o carro que será usado no campeonato, reproduzo o release:
Os carros serão importados da Inglaterra. O modelo MINI John Cooper Works CHALLENGE tem motor de 221 hp, com quatro cilindros em linha, turbocompressor e injeção direta de gasolina. Com 1.598 cc, pode atingir 240 km/h. O peso mínimo, incluindo o piloto, é de 1.170 kg. Ao longo da temporada, a manutenção ficará a cargo da JL Racing, fornecedor exclusivo dos motores, chassis e demais componentes dos carros da Stock Car, que alugará os carros e prestará toda a assistência de pista aos pilotos.
Como se vê, para a BMW um dos preços para participar dos eventos da Estoque foi esse acordo com a JL Racing. O que a BMW ganha em troca, sinceramente não sei. Visibilidade, como já dito, zero. Aos sábados, esquece. O acordo deve prever outras coisas, sei lá. Também não é da minha conta. Mas com certeza quem correr vai se divertir à beça.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.