SÃO PAULO (tenso) – Talvez tenha sido minha melhor posição na classificação geral de uma corrida, descontando as de 2008 que fiz em Londrina com o Corcel Pac Man. Mas com meus carrinhos exóticos, acho que nunca tinha terminado em oitavo na geral.
OK, no fim das contas, apenas 13 largaram, muita gente que tem carros melhores (e pilotos idem) não participou. E esse grid enxuto tem um pouco de minha culpa. Acho que fui um dos responsáveis pelo acidente na primeira largada, que acabou tirando o Fábio Steinbruch da última etapa do Paulista/2011 da Classic Cup.
Tenho uma ótima desculpa, mas como defendo a tese de que quase sempre um acidente em corrida pode ser evitado, assumo minha parcela de responsabilidade e caso o Fábio leia isso aqui, espero que me perdoe.
Ocorre que a direção de prova fez uma cagada fenomenal na primeira largada. Nós largamos com os carros em movimento e, basicamente, funciona assim: volta de apresentação com safety-car na ponta, no Café ele diminui, as luzes vermelhas ficam acesas lá na frente, no meio da reta, o safety-car se retira, e quando as luzes se apagam, largamos.
Mas hoje (ontem, já…) não foi assim. Quando apontamos no Café, não havia luz nenhuma acesa. Esqueceram das luzes vermelhas, que orientam nossa largada. E o maledeto do safety-car demorou uma eternidade para sair da frente do grid, fazendo-o bruscamente na entrada dos boxes. Quando saiu, continuávamos sem luzes. Os pilotos da frente aceleraram, hesitantes, e eu fiz o mesmo. Aí apareceram as luzes vermelhas, as pessoas começaram a frear, eu vinha de cano cheio, desviei de um Passat para não encher a traseira do cara e nessa guinada para a direita, procurando um espaço para não bater em ninguém e não ser atingido pelos que vinham atrás, acabei tocando na traseira do Dodginho do Fábio, que rodou e bateu forte no muro pelo lado de dentro. Creio que ele também vinha acelerando.
Pelo menos é o que depreendi desse acidente ao ver um vídeo rapidamente no autódromo. Meu carro também rodou 180 graus e bateu de traseira no muro. O Cirello, que largou no fundo do pelotão, conseguiu frear e não bateu em mim. Meu carro voltou a funcionar, voltei para a pista, bandeira vermelha, nova largada pouco depois e foi isso a corrida.
Para mim, meio abalado com o acidente (apesar de ficar me desculpando para mim mesmo pela cagada das luzes, que não se repetiu na segunda largada — nesta, ao apontar no Café, vi claramente o semáforo aceso, lá de longe), a prova foi razoavelmente divertida nas primeiras voltas. Passei em quinto no S do Senna, depois fui sendo ultrapassado pelos mais rápidos de sempre e tive um bom duelo com o José Azevedo, segurando o Fusca dele por umas boas três ou quatro voltas, até errar uma marcha na freada do Lago (entrou quinta, em vez de terceira), perder a posição e só recuperá-la no fim, porque ele quebrou.
Não me orgulho nem um pouco de minha tentativa de ganhar posições para aproveitar eventuais vacilos dos ponteiros naquela largada toda cagada, porque no fim isso resultou numa batida de um colega e é algo que me entristece muito. Felizmente o Fábio não se machucou. Mas, de novo, peço desculpas. Minha chateação impediu, inclusive, que eu curtisse mais a presença da minha grande turma de amigos do Canindé, chefiada pela presidenta Michelle Abílio (e o Paulo, a Ju, a Bel, o Alexandre e sua namorada, o Higino e mais um monte de gente), que foi a Interlagos ver a corrida. Espero que tenham gostado, apesar da minha gabolice.
O resultado da prova está aqui. Acho que minha melhor volta foi em 2min15s e alguma coisa. Não peguei a papeleta. Agora, não sei quando tem corrida de novo. O calendário de 2012 está meio confuso. Quando souber, aviso aqui.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.