SÃO PAULO (ando muito bonzinho) – Seguinte, macacada… O pessoal da organização das 6 Horas de Interlagos vai dar dois ingressos para a corrida do dia 15 de setembro do Mundial de Endurance. Eles estão prometendo que vai ser um grande evento, começando no dia 13. “Um festival de experiências para toda a família, bem ao estilo Le Mans”, como me informaram.
Parêntese. Por que todo marqueteiro agora vem com esse papo de “experiência”? É um tal de vender cartão de crédito, conta bancária, plano de celular, relógio, automóvel, laptop, tablets, apartamento, TV a cabo, tudo, qualquer coisa, usando a nova palavra mágica “experiência”. Eu acho que sei por quê. É só olhar campanhas publicitárias no exterior e os mesmos marqueteiros usam e abusam dessa bichice de “experience”. Putaquelamerda. Gostaria de informar ao meu banco que NÃO QUERO EXPERIÊNCIA NENHUMA. Preciso é de dinheiro. Fechado o parêntese.
Segundo os organizadores, esse “festival de experiências” terá “show do Beto Carreiro com carros fazendo looping, roda gigante, giromaster, arvorismo, tirolesa, rapel, exposição de Ferrari, exposição Cowboys do Asfalto, exposição de carros antigos (revival), loja de presentes e praça de alimentação, show de drift com Fiuk, stand de montadoras, e muito mais”.
Não sei o que é giromaster, e se o Fiuk for quem estou pensando, sei não… A mim interessa a corrida, mas é claro que outras atrações (não “experiências”, pelamor, chega de experiências!) são bem-vindas. Afinal, é uma prova longa e o público merece ser bem tratado. Ninguém aguenta ficar seis horas sentado numa arquibancada só vendo carros passarem. Tomara, mesmo, que tenha tudo isso. Até o giromaster e o Fiuk. Comida boa, diversão, organização, limpeza, essas coisas que em Interlagos nunca se veem.
“Em conjunto com o evento, estamos realizando uma promoção onde os fãs acumulam pontos para ganhar prêmios exclusivos da prova, incluindo ingressos, credenciais especiais, pacotes de viagem, essas experiências incríveis durante o todo o evento”, seguem os organizadores. De novo as malditas “experiências incríveis”. Argh. Que porre.
Bom, mas isso não importa. Eles estão sendo legais e vão dar dois ingressos do Setor A para meus blogueiros. Não me pediram nada em troca (eu pedi uns convites pros meus filhos, vamos ver se cola…), mas precisamos estabelecer algum critério para determinar os ganhadores. Então é o seguinte. Cadastrem-se nesse negócio das recompensas (tem de entrar aqui) e criem uma frase legal para colocar aqui na área de comentários do blog. A frase pode ser uma resposta à seguinte pergunta, que acabei de criar: “O que eu faria se descobrisse que o mundo vai acabar daqui a seis horas?” Vou escolher as duas melhores e mandar para os organizadores os nomes dos ganhadores. Mas tem de se cadastrar lá para que eles possam enviar os ingressos para o lugar certo. Aqui nos comentários, quando forem responder à minha brilhante pergunta, mandem os e-mails e coloquem seus nomes de verdade, porque é isso que vou passar a eles. Vai ter de bater com o cadastro de lá.
Sobre o negócio das recompensas, leiam o texto que está no site da corrida e digam se eu é que sou implicante:
“Você quer ganhar muitos prêmios exclusivos das 6 Horas de São Paulo, incluindo ingressos para a corrida e muito mais? Comece agora! Através de nosso programa de prêmios online, baseado em uma nova plataforma no site de recompensas das 6HSP, aqui, você poderá acumular pontos ao completar tarefas simples, e então trocar seus pontos por prêmios incríveis. Enquanto compartilha toda a atividade e se prepara para a corrida, você fatura prêmios e experiências com amigos e família através da total integração do programa com Facebook e Twitter, Instagram, Foursquare e Flicker. São três níveis de pontos e prêmios, incluindo pôsters, garrafas squeeze, adesivos, acessos especiais, ingressos para o evento, camisetas, camisas polo, bonés, pacotes de viagem, experiências incríveis em Interlagos como uma volta em uma Ferrari de corrida, e muito mais! Venha participar agora mesmo e comece a ganhar prêmios hoje!”
Putz grila. Eu gostava de fazer experiências no Pequeno Químico. Lembram do Pequeno Químico? Bom, lá no site da corrida tem todos os links para Facebook, Twitter, Youtube e o escambau a quatro. Como venho dizendo há meses, experiências à parte, esta é uma corrida que merece ser vista. Como tudo agora tem de ser conectado, linkado, compartilhado, curtido e experimentado nas redes sociais, façam bom proveito delas. Mas não deixem de ver a prova. Os carros, sim, são uma experiência do capeta. Como o Audi e-tron da foto. Capeta dos capetas.
Ah, vou receber as frases até segunda-feira. Aí escolho as melhores e divulgo aqui.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.