SÃO PAULO (mas foi divertido) – O sábado foi evidentemente tenso em Interlagos, onde estávamos para a sétima etapa da Classic Cup. Primeiro por causa da chuva muito forte, que já tinha deixado todo mundo apreensivo nos treinos livres da sexta. Mas, claro, muito mais pelo acidente em Hungaroring. Com a pista muito molhada na […]
Publicado em 27/07/2009 às 23:43
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SÃO PAULO(mas foi divertido) – O sábado foi evidentemente tenso em Interlagos, onde estávamos para a sétima etapa da Classic Cup. Primeiro por causa da chuva muito forte, que já tinha deixado todo mundo apreensivo nos treinos livres da sexta. Mas, claro, muito mais pelo acidente em Hungaroring.
Com a pista muito molhada na sexta, debaixo d’água, virei uma volta em 2min39s. No seco, o Meianov vira na casa de 2min16s. O Nenê, nosso chefe de equipe, disse que com os pneus que eu estava usando, radiais lixados, seria difícil correr no sábado. Pensei em sair para comprar um jogo novo, mas está muito caro, estou sem grana, decidi correr do jeito que dava.
Chegando ao escritório, já contei aqui, brinquei no Twitter que se tivesse de pedir à Pirelli, que patrocina o glorioso soviético, só no mês que vem teria os pneus. Não por eles, mas por mim… A logística é complicada, tem de retirar os pneus em Barueri, eu não teria tempo. Mas prontamente o pessoal da Pirelli me ligou, arrumou pneus novos numa loja lá em Interlagos mesmo e no sábado cedinho eles já estavam montados no carro.
Ainda bem, porque sábado de manhã chovia mais ainda. Com pneus novos, dava para ficar na pista. Com os lixados, acho que seria bem complicado.
Fomos para a classificação às 8h e fiz uma volta em 2min39s716. A chuva apertou. Achei que estava abafando, que tinha feito um temporal. Pfff. Tempinho de merda, na verdade. Fiquei em 19º, atrás de pelo menos dois carros mais lentos que o meu no seco, o Chevette do Luiz Gomes e o Fusca do Artur Pilan.
Na pole, uma festa: nosso querido Adriano Lubisco, que chamamos de Xupisco, com seu Chevette AP da equipe Brandini, que reúne os chevetteiros da categoria. Ele fez a melhor volta do treino em 2min25s446, deixando o experiente Antonio Chambel, de Passat (da mesma divisão 3), a 0s492 de distância. O Gulla, do Puma vermelho, que vem ganhando quase tudo neste ano, não foi bem e ficou em quarto com 2min30s526.
A turma da minha divisão virou bem, todos de Passat: Carlos Braz em nono (2min33s298), Rafael Gimenez em 11º (2min34s555) e Rogério “Trovão Azul” Tranjan em 16º (2min37s657).
Terminado o briefing, fomos todos ver a classificação da F-1, já que a corrida começaria só depois do almoço. E aí veio o acidente de Massa, e toda aquela correria, mais ainda para mim, que tinha blog, twitter e jornais para atualizar.
A chuva continuou, e quando fomos para a corrida a pista estava totalmente molhada. Eram 27 carros no grid. Eu gosto de correr na chuva, um gosto que vem dos tempos de DKW, uma delícia no molhado com tração dianteira. A tração traseira é mais traiçoeira. Mesmo assim, não estava muito preocupado. Corridas não me deixam nervoso. A tensão geral, mais do que pela chuva, era visível em todo mundo por conta das coisas na Hungria.
A largada foi OK. Passei três carros na freada para o S do Senna e mais dois no Lago, quando rodei pela primeira vez. O Meianov deu um 360 e vi todo mundo chegando. Fiquei esperando a porrada. Mas ainda bem que nossa categoria tem pilotos muito bons, de verdade. Rodar no meio de um monte de gente, na chuva, e ninguém encostar no seu carro é quase um milagre.
Por sorte fiquei de frente para a pista. Puxei a primeira com alguma violência, tanto que a bolota da alavanca de câmbio saiu na minha mão… Caí para último. Mas não perdi muito tempo, e já na sequência Laranjinha-S antigo, passei a turma que tinha me passado. Meio Senna em Donington, sabem?
Daí em diante, as coisas se acomodaram até o Tranjan encostar com o Trovão Azul, e ficamos até a sétima volta andando juntos. Consegui segurar a posição em todos os ataques dele, o que foi muito legal. Valia um trofeuzinho, ali… Mas na sétima volta rodei de novo, no Bico de Pato (meio Senna em 1990, sabem?), o Rogério foi hábil, não bateu, me passou, e foi embora. Ainda houve uma terceira rodada no S do Senna sem maiores conseuqências e, na última volta, na Junção (meio Hamilton no ano passado, sabem?), passei mais dois carros e ganhei duas posições legais, para terminar em… 19º, onde larguei.
A vitória na geral foi do Chambel, de Passat, com outro Passat, do Fábio Coelho, em segundo. Xupisco foi terceiro na geral, sensacional, com outro Chevette, do Fernando Mello, em quarto. Espetacular também a corrida do Tadeu Destro, de Fusquinha 1.300 cc em quinto na geral, um assombro.
Não fossem minhas presepadas, eu chegaria em 15º, à frente de quatro carros que viraram tempos piores que os meus na corrida — minha melhor volta foi em 2min37s360, e a melhor da prova foi 2min25s984, do Fábio Coelho. Possivelmente na frente até do Tranjan, que quando desceu do Trovão Azul disse que “essa era minha”. Mas não foi, porque não adianta andar forte e rodar três vezes, então voltei para casa de mãos abanando.
Domingo que vem voltamos à pista, para a preliminar dos 500 Km de Interlagos. Espero que sem chuva, porque ainda não conseguimos ver quanto o carro melhorou no seco depois das mudanças que fizemos na suspensão. Mas, apesar da putice com o resultado, vendo o vídeo on-board das primeiras voltas até que fiquei alegrinho…
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.