Neste final de semana, Max Verstappen não vai descansar como o restante do paddock da Fórmula 1 vai fazer entre duas pernas triplas da categoria. Em Portimão, o neerlandês vai disputar a última etapa da temporada 2026 do GT World Challenge (GTWC) Europa com a própria equipe e escrever mais um capítulo da jornada que tem criado no mundo das corridas de resistência. Mas como tudo isso começou? O GRANDE PRÊMIO relembra a trajetória do neerlandês até o atual momento da carreira.
Verstappen nunca escondeu a paixão pelas formas mais puristas de automobilismo, como o endurance e provas de GT. Podemos até apontar que esse interesse, inclusive, veio do berço, já que o pai, Jos Verstappen, sempre foi um grande entusiasta de corridas de longa duração e até venceu as tradicionais 24 Horas de Le Mans em 2008, na classe LMP2, mesmo que hoje esteja mais adepto do rali e outras modalidades não tão apreciadas assim por Max.
Porém, por muito tempo, essa paixão de Verstappen pelas corridas de endurance foi alimentada quase que em silêncio, já que pilotos de Fórmula 1 não costumam ter tempo, disposição ou autorização para buscarem novas aventuras em outras categorias durante a temporada. Com isso, passou a explorar mais ainda o automobilismo virtual, talvez o maior interesse do neerlandês, e disputar provas de longa duração no simulador, inclusive durante fins de semana da F1.
Em maio de 2024, Verstappen venceu o GP da Emília-Romanha, em Ímola, no mesmo fim de semana em que triunfou nas 24 Horas de Nürburgring no automobilismo virtual. Depois, em julho, tentou fazer uma nova jornada dupla durante o GP da Hungria, mas uma prova tensa em pista, marcada por erros de estratégia, brigas pelo rádio e um toque em Lewis Hamilton deixaram essa rotina do neerlandês em xeque e levantaram questionamentos sobre o desgaste que Max sofreu por ficar acordado até tarde na véspera da corrida em Budapeste.
Parece que a partir deste momento, a história de Verstappen tomou um rumo diferente. A Red Bull nunca esteve disposta a proibir o piloto de correr em simuladores, mas o choque com as provas da F1 pareciam ser um empecilho. À época, a imprensa europeia relatou que os dois lados conversaram e definiram alguns limites, e, curiosamente, foi a partir daí que o neerlandês priorizou mais o endurance nos autódromos físicos, mesmo que nunca tenha abandonado o mundo virtual e siga ajudando jovens pilotos que começam nos simuladores.
Com quatro títulos mundiais consecutivos na conta, Verstappen começou a flertar mais seriamente com o endurance em 2025, quando sentiu que já não tinha mais nada a provar na F1. Somado a isso, a presença em provas físicas tornou a disputa de duas etapas simultâneas essencialmente impossível, impondo algumas barreiras que talvez a Red Bull queria estabelecer desde o desgaste em 2024.

No ano seguinte, em maio de 2025, Verstappen deu um salto importante no mundo do endurance quando apareceu disfarçado sob o pseudônimo Franz Hermann para um teste secreto em Nürburgring. Esse primeiro contato com o circuito alemão foi rapidamente descoberto pela mídia, que começou a reportar cada passo do piloto rumo à disputa das tradicionais 24 Horas de Nürburgring.
Para isso, porém, precisou da licença obrigatória para participar da prova, a DMSB Permit Nordschleife (DPN). Na primeira fase do processo, teve de realizar testes práticos e provas teóricas, principalmente sobre segurança, procedimentos e as bandeiras do circuito. Depois, já pôde disputar corridas menores e, eventualmente, obteve a licença A, necessária para pilotar carros de GT3 no circuito alemão.
Em setembro de 2025, venceu uma etapa da Nürburgring Langstrecken-Serie (NLS) com uma Ferrari 296 GT3 e deixou claro ao mundo que gostaria de disputar as 24 Horas de Nürburgring no ano seguinte. Para estar apto, o tetracampeão utilizou a segunda etapa da temporada 2026 da NLS para garantir a quilometragem necessária com o novo equipamento, a Mercedes GT3.
Em meio a todo esse processo de preparação, Verstappen ainda estava disputando normalmente a Fórmula 1 e sem nenhum tipo de resistência da Red Bull. Inclusive, estava na batalha pelo título do Mundial de Pilotos contra Lando Norris e Oscar Piastri. Diferentemente do que geralmente acontece em outras equipes, o neerlandês não foi barrado de participar das 24 Horas de Nürburgring pela marca austríaca, que, na realidade, deu até apoio à investida do tetracampeão no endurance.

Helmut Marko, então conselheiro da Red Bull, foi uma das principais peças para Verstappen ter esse aval da equipe. Mesmo depois de deixar o time, assim como o chefe Christian Horner, o neerlandês seguiu sem receber nenhuma resistência de Laurent Mekies, o comandante desde julho de 2025. O próprio dirigente, inclusive, entende que é melhor deixá-lo livre para disputar outras provas para que fique “com ainda mais energia” na F1.
Somado a tudo isso, 2026 ainda trouxe um novo regulamento bastante polêmico à F1, que aumentou o poder elétrico da unidade de potência e deixou os pilotos mais reféns dos carros, que, por sua vez, ficaram mais lentos por conta da gestão de energia. Tudo isso desagradou Verstappen, que se tornou um dos grandes críticos da nova era da categoria, e se aproximou ainda mais do endurance, fazendo um dos anúncios mais importantes da carreira no começo do ano.
No dia 9 de março, Verstappen anunciou oficialmente que iria disputar as 24 Horas de Nürburgring, em maio, junto de sua própria equipe, a Verstappen.com Racing. Ao lado de Jules Gounon, Daniel Juncadella e Lucas Auer, o neerlandês guiou o Mercedes #3, que foi operado também graças ao suporte técnico da Winward em parceria com a Red Bull.
Em pista, o destaque de Verstappen foi gritante. O neerlandês fez um primeiro stint primordial e ajudou a colocar o #3 na briga pela vitória no momento em que assumiu a liderança, na terceira hora da tradicional prova de resistência. Quando reassumiu o volante à noite, quando o time estava na segunda colocação, descontou uma diferença de mais de 20s para o Mercedes #80 e recolocou o veículo da Verstappen Racing à frente.

Ao amanhecer, Verstappen assumiu o carro para mais um duplo stint e abriu vantagem superior a 45s sobre o Mercedes #80. No entanto, uma quebra no eixo de transmissão encerrou a participação do quarteto no ‘Inferno Verde’. Apesar dos muitos destaques, o tetracampeão mundial terminou a primeira participação nas 24 Horas de Nürburgring com um abandono.
Agora, porém, vai voltar ao mundo das corridas de resistência mais uma vez e buscar um resultado mais expressivo. Neste fim de semana, Verstappen disputa a última etapa da temporada 2026 do GT World Challenge (GTWC) Europa, em Portimão, a bordo de um Mercedes GT3 da própria equipe, Verstappen Racing, devido à ausência de Jules Gounon e Daniel Juncadella, que têm compromisso marcado com o Mundial de Endurance (WEC) no mesmo fim de semana. Chris Lulham e Ben Barnicoat completam a tripulação.
E a prova contará com transmissão AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube do GRANDE PRÊMIO e na GPTV.