Embora trate a presença de uma mulher na Fórmula 1 como algo “inevitável” daqui a alguns anos, Susie Wolff explicou que esse não é o principal objetivo da F1 Academy. A diretora da categoria exclusivamente feminina agradeceu pelo apoio que tem recebido, principalmente de grandes marcas de dentro do esporte, mas reiterou que é preciso muito mais para que todas as barreiras sejam derrubadas.

Ainda que as oportunidades para as pilotas estejam crescendo ano após ano, a realidade ainda é muito complicada para a maior parte delas. Recentemente, Maya Weug, que foi vice-campeã da F1 Academy em 2025, desabafou sobre a falta de chances no automobilismo. Por outro lado, Doriane Pin alcançou algo grandioso: em abril de 2026, foi à pista de Silverstone com o W12 da Mercedes, modelo utilizado por Lewis Hamilton e Valtter Bottas na temporada 2021.

Mas outros nomes também se destacaram ao longo dos últimos anos. Abbi Pulling, por exemplo, que tem trabalhado ao lado da Nissan na Fórmula E e fez história na GB3, assim como Jamie Chadwick, que além de outras aparições no endurance, uniu-se à Genesis no Mundial de Endurance (WEC).

Trajetórias muito diferentes e que refletem muito bem o que Wolff deseja para as mulheres. Mesmo que a F1 seja o sonho de todas elas, a dirigente explicou que a principal meta nesse momento é quebrar os estereótipos que existem no esporte, o que abriria as portas não apenas para aquelas que buscam ser pilotas, mas também para mecânicas, engenheiras ou para as que estão interessadas em qualquer outra área de atuação.

“O objetivo, que muita gente não entende, não é simplesmente colocar uma mulher na F1. Em um período realmente curto, enfrentamos os estereótipos das pessoas nesse ambiente e criamos uma base de talentos que está conquistando seu espaço. Não somos uma entidade governamental, mas simplesmente uma categoria com uma missão enorme. Precisamos ser um campeonato e, ao mesmo tempo, tentar ajudar nossa campeã a seguir tendo sucesso no esporte”, começou Susie em entrevista ao site italiano FormulaPassion.

“Temos muita sorte de contar com o apoio integral da F1 e das equipes. Isso nos permitiu trazer marcas e parceiros que nunca estiveram nesse contexto. Acima de tudo, isso nos ajudou a nos conectar com nossa nova base global de fãs da F1. Eu diria, portanto, que estamos aqui para desafiar o estereótipo de que não há espaço para mulheres neste esporte, seja dentro ou fora das pistas, mas também para inspirar as novas gerações a enxergarem o automobilismo de uma maneira diferente”, seguiu.

Doriane Pin pilotou o W12 da Mercedes no circuito de Silverstone em abril (Foto: Mercedes)

“Agora as mulheres representam 42% do público global da F1 e acredito que essa parcela continuará crescendo. Estamos quebrando esses estereótipos, mostrando que é possível ser feminina, gostar de moda, acompanhar as namoradas e esposas dos pilotos e, ao mesmo tempo, amar as corridas, seja você uma engenheira, uma pilota ou simplesmente uma fã. Isso mostra a essas mulheres que há espaço para elas neste esporte, e acho que é um grande passo adiante”, declarou.

Ao falar especificamente sobre uma pilota na F1, Wolff explicou que esse é um desafio difícil até mesmo para os homens. Até por isso, evitou definir qualquer prazo para que uma mulher entre no grid da principal categoria, embora tenha apontado que isso inevitavelmente vai acontecer no futuro.

“Eu já pilotei um carro de F1, e Doriane Pin acabou de fazer o mesmo. Acredito firmemente que é possível. É difícil para qualquer piloto chegar à F1, independentemente do gênero. Há muitos pilotos homens que mereceriam estar nesse grid e que nunca terão essa oportunidade. Mas estou absolutamente convencida de que, se uma garota fosse rápida o suficiente e tivesse talento suficiente, poderia competir neste nível. Se fizermos um bom trabalho, é inevitável que, mais cedo ou mais tarde, uma mulher chegue à F1”, garantiu.

“Não gosto de estabelecer um prazo específico, porque obviamente isso não favorece as pilotas que estão correndo hoje. Não acho, porém, que nosso sucesso se resuma a colocar uma mulher na F1. É o auge do automobilismo e é incrivelmente difícil chegar lá, independentemente do gênero. Há muitos garotos que mereceriam a oportunidade de correr no mais alto nível da Fórmula 2, mas que nunca vão se sentar em um carro de F1. Não quero estabelecer um prazo. Mas acho que, mais cedo ou mais tarde, isso vai acontecer”, encerrou.

Susie Wolff disse que F1 Academy tem objetivos maiores do que apenas a F1 (Foto: F1 Academy)

A próxima etapa da F1 Academy, a quinta da temporada 2026, acontece entre os dias 22 e 25 de outubro em Austin, no Texas.