Após apenas 10 meses de trabalho e somente duas corridas como Audi, o chefe da equipe alemã, Jonathan Wheatley, deixou o cargo nesta sexta-feira (20) e abriu caminho para que Mattia Binotto assuma o comando da esquadra. O dirigente italiano, que tem experiência prévia na liderança da Ferrari, está como CEO do projeto alemão na F1 desde o ano passado, quando o time ainda era Sauber.

Agora, Binotto assume o controle total das operações da Audi, que tem Nico Hülkenberg e Gabriel Bortoleto na pista, e passa a ocupar o mesmo cargo que exerceu na Ferrari até 2022. No entanto, a trajetória do atual chefe da Audi na Fórmula 1 começou muito antes disso, ainda na década de 1990.

Binotto se formou em engenharia mecânica pela Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, em 1994. Logo no ano seguinte, se juntou à Ferrari no departamento de motores da equipe na F1 e fez parte do time que dominou no começo dos anos 2000 com Michael Schumacher no volante.

Em 2013, Binotto foi promovido a chefe do departamento de motores da Ferrari, permanecendo no cargo até julho de 2016, quando foi elevado ao posto de diretor-técnico em Maranello, substituindo James Allison, que migrou para a Mercedes em 2017. No entanto, foi em 2019 que o italiano teve a primeira experiência como chefe de equipe.

Com Sebastian Vettel e Charles Leclerc encabeçando a equipe dentro das pistas, Binotto foi nomeado chefe da Ferrari na F1 em 2019 e substituiu Maurizio Arrivabene, que ocupava o cargo desde 2015. Por lá, passou por temporadas delicadas, como a de 2020, quando a esquadra somou apenas 131 pontos e terminou na sexta posição do Mundial de Construtores, marcando a pior performance do time em 40 anos na categoria.

A experiência como chefe de equipe em Maranello acabou sendo a última de Binotto pela Ferrari. Depois de uma temporada 2022 aquém do esperado e com a escuderia perdendo terreno na disputa pelo protagonismo da F1 contra a Red Bull, o dirigente renunciou ao cargo em novembro de 2022, encerrando uma passagem de 27 anos pelo time italiano.

Mattia Binotto deixou a Ferrari no fim de 2022 (Foto: Ferrari)

Frédéric Vasseur foi o nome escolhido para substituir o italiano e segue no posto de chefe da Ferrari até hoje, enquanto Binotto se afastou do esporte por pouco mais de um ano. O retorno do dirigente veio em julho de 2024, quando foi anunciado pela Sauber como diretor-técnico e de operações, além de tomar a posição de CEO e liderar a transição para a Audi, que se concretizou nesta temporada.

Em agosto de 2024, um mês depois, a Sauber anunciou Jonathan Wheatley como o próximo chefe de equipe, assumindo o posto efetivamente em abril de 2025. A decisão colocou o ex-Red Bull como líder do projeto da Audi em pista, enquanto Binotto focava mais nas operações do time fora das corridas e atuava como CEO.

Agora, Binotto volta ao cargo que ocupou por quatro temporadas na Ferrari, enquanto mantém ainda o posto de CEO da Audi na F1 e controla as ações fora da pista. Wheatley, por outro lado, alimenta ainda mais os rumores sobre uma provável ida à Aston Martin, que pretende realocar Adrian Newey a um posto exclusivamente técnico e de desenvolvimento do carro e abrir a vaga de chefe de equipe.

Fórmula 1 retorna em duas semanas, entre os dias 27 e 29 de março, com o GP do Japão, em Suzuka.

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