A Fórmula 1 viveu um penúltimo dia de testes dos mais inusitados nesta quinta-feira (19). Tudo por causa da ousadia da Ferrari, que segue explorando ao máximo o novo regulamento. Depois de apresentar uma asa peculiar na traseira do carro, em frente ao escapamento, a escuderia foi ainda mais longe no Bahrein. Os engenheiros de Maranello pensaram em uma solução revolucionária para reduzir o arrasto e ganhar velocidade. A excentricidade ganhou as manchetes e ofuscou a liderança da Mercedes.
Mas é importante destacar o trabalho dos alemães. O W17 parece um tanque de guerra e foi testado colocado à prova novamente. A equipe chefiada por Toto Wollf cumpriu um programa técnico invejável, que foi desde uma simulação consistente do ritmo de corrida à performance em volta única. Desta vez, Kimi Antonelli foi quem se valeu do melhor momento da pista para cravar o tempo mais veloz do dia: 1min32s803, superando a regularidade da McLaren e a velocidade da Red Bull.
Enquanto isso, a Audi continuou focada na confiabilidade e, embora Gabriel Bortoleto tenha tido menos tempo de pista hoje, Nico Hülkenberg foi capaz de completar pouco mais de 70 voltas no período da tarde, para colocar o modelo R26 no top-10.
Então, diante de um dia de atividades tão agitado, o GRANDE PRÊMIO lista aqui os cinco pontos de atenção da quinta sessão da pré-temporada.
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A MACARENA DA FERRARI
A graça de um novo regulamento também reside na expectativa do quão criativa a engenharia na F1 consegue ser. E no caso deste ano, a Ferrari decidiu assumir o protagonismo muito cedo. Depois de apresentar uma solução das mais interessantes para melhorar a eficiência do eixo traseiro, a escuderia italiana simplesmente foi além com relação à asa traseira, aproveitando tudo que a aerodinâmica ativa proporciona. É bem verdade que Lewis Hamilton andou só por cinco voltas com a asa invertida na SF-26, mas isso bastou para atiçar a concorrência.
O funcionamento do dispositivo é engenhoso e, em vez de abrir como no antigo DRS, rotaciona o flap superior. O objetivo é reduzir o arrasto aerodinâmico nas retas, para ganhar velocidade. Ainda é apenas um experimento, porque não ficou claro como a Ferrari vai lidar com as entradas de curvas, especialmente no que diz respeito à gestão da energia, mas a ideia já ganhou os fãs.
“Uma característica deste ano é que, por regulamento, temos muito menos carga aerodinâmica em relação ao passado. O carro funciona apenas com carga, então estamos totalmente focados em adicionar o máximo possível, sobretudo no eixo traseiro. É um desafio que envolve não só a nós, mas também todos os nossos adversários”, reconheceu Frédéric Vasseur, o chefão da Ferrari.
(Vídeo: Reprodução/F1 TV)
“Mas assumir riscos faz parte do DNA do nosso esporte e também precisa fazer parte do DNA técnico. É preciso saber arriscar na parte técnica se quisermos vencer. Vamos ver em Melbourne onde estaremos em relação aos outros, mas o importante é ter tido a audácia de propor soluções diferentes”, completou.
E apenas um adendo: a largada de Hamilton durante a simulação do procedimento de partida foi absurdamente veloz, deixando evidente a razão pela qual a Ferrari ainda protesta contra qualquer mudança no apagar das luzes.
McLAREN PERFEITINHA
Ao contrário da extravagância da rival Ferrari, a atual campeã da Fórmula 1 luta para viver fora dos radares. A McLaren vem trabalhando duro com o MCL40, procurando entregar confiabilidade e quilometragem. Por enquanto, tudo caminha muito bem. O carro laranja parece equilibrado como os antecessores e é veloz. As simulações de corrida chamaram a atenção pela consistência, mesmo com diferentes compostos e carga de combustível. Oscar Piastri e Lando Norris dividiram a pilotagem do modelo inglês nesta quinta, acumulando 855 km ao longo do dia para a McLaren.
Na tabela de tempos, o australiano registrou o segundo melhor tempo — repetindo a posição de quarta-feira — com 1min32s861, apenas 0s058 atrás do líder Antonelli no Bahrein. O atual campeão da F1 fechou em quinto, com 1min33s453.
“No geral, o carro funcionou bem em ambas as sessões, completando várias boas sequências de desempenho. As primeiras indicações sugerem que o pacote é competitivo, embora ainda seja cedo para nos compararmos aos outros — pelo que vimos hoje, foi mais um passo bem‑sucedido na direção certa”, disse o diretor-técnico da McLaren, Neil Houldey.
RED BULL À ESPREITA
Max Verstappen assumiu o volante do RB22 nesta quinta-feira e impressionou pela alta quilometragem. O tetracampeão percorreu 139 voltas pelo circuito de Sakhir, cravando na melhor delas a marca de 1min33s162, suficiente para garantir a terceira colocação da folha de tempos. Mas o destaque ficou mesmo pela consistência das simulações de corrida. Tal como a McLaren, Verstappen foi capaz de imprimir um ritmo muito forte e sem erros.
A Red Bull também tem segredos e vem trabalhando firme para melhorar a eficiência aerodinâmica, na medida que segue assustando em termos de velocidade de reta e amplo poder de gerenciamento de energia. A única ressalva, na visão de Max, tem sido realmente o comportamento dos pneus. “Como equipe, foi bom focar no desempenho em stints mais longos hoje. Fizemos alguns ajustes no acerto, o que nos deu uma boa direção durante a noite. Ter um dia completo na pista foi positivo”, falou o neerlandês.
“Mas os pneus são extremamente sensíveis, então ainda há muita análise a ser feita nesse aspecto.”

A PRODUTIVA AUDI
Outra equipe que também foge dos holofotes é a Audi. Compreensivelmente, a novata deseja trabalhar sem grande pressão e focar naquilo que ainda não está no patamar desejado. Mas não dá para deixar escapar o fato de que a equipe alemã já apresenta uma performance mais sólida e consistente nesta segunda semana de testes no Bahrein. Tanto que foi capaz de acumular uma significativa quilometragem.
E embora não tenha conseguido andar tanto quanto gostaria nesta quinta-feira, Gabriel Bortoleto saiu mais uma vez satisfeito com o trabalho da equipe nos testes. O brasileiro comemorou bastante o fato de Nico Hülkenberg ter coletado informações importantes sobre o carro ao realizar uma simulação de corrida no período da tarde. Com somente 29 voltas completadas no circuito de Sakhir, o dono do #5 anotou 1min35s263 como melhor tempo. Responsável por assumir o R26 na sessão matutina, o paulista passou boa parte do tempo na garagem, já que o time comandado por Jonathan Wheatley precisou fazer mudanças no monoposto.
“A equipe fez um ótimo trabalho para que tudo estivesse pronto para que Nico pudesse ter um bom desempenho durante a tarde, incluindo uma simulação de corrida, o que nos dá dados valiosos para a abertura da temporada”, afirmou Gabriel após as ações no Bahrein.
Hülkenberg foi capaz de percorrer 73 voltas durante a sessão vespertina e cravou a sétima melhor marca do dia, em 1min33s987.
PROBLEMAS E MAIS PROBLEMAS NA ASTON MARTIN
A Aston Martin talvez seja a escuderia que mais vem sofrendo nesta pré-temporada, mesmo levando em consideração as dificuldades da Cadillac. A equipe da famosa marca inglesa simplesmente não vem conseguindo completar o programa técnico dos testes devido à falta de confiabilidade geral do AMR26. Ainda que o modelo tenha um design inovador e soluções interessantes, os problemas em sequência têm limitado demais os trabalhos de Fernando Alonso e Lance Stroll. Desta vez, a falha foi do motor Honda.
O incidente ocorreu quando Alonso vinha em simulação de corrida e precisou parar na pista. Posteriormente, a equipe confirmou que a origem da pane estava na unidade de potência, o que impediu qualquer retorno à pista no restante do dia. Com a quilometragem reduzida, o espanhol completou apenas 58 voltas, menor número entre os pilotos que foram à pista nas duas sessões do dia.
“Não foi o dia mais fácil, com algumas interrupções. Era importante acumular quilometragem, mas não foi suficiente e não conseguimos completar o plano de trabalho por causa de um problema relacionado à unidade de potência que encerrou mais cedo a sessão da tarde”, contou o bicampeão. “Há muitas coisas que precisamos corrigir, mas sei que todos na pista e na fábrica estão trabalhando 100% para encontrar soluções.”
(Vídeo: Reprodução/DAZN)
Até o momento, a esquadra chefiada por Adrian Newey é a que menos andou nesses dois dias de pré-temporada no Bahrein: apenas 660 km.
A Fórmula 1 retorna nesta sexta-feira (20), às 4h (de Brasília, GMT-3), com o sexto e último dia de testes coletivos da pré-temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO e EM TEMPO REAL e traz a análise completa de tudo o que aconteceu no BRIEFING.
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