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5 coisas que aprendemos no dia 5 dos testes de pré-temporada de Barcelona da F1 2026
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5 coisas que aprendemos no dia 5 dos testes de pré-temporada de Barcelona da F1 2026

A F1 encerrou a primeira parte da pré-temporada com uma Ferrari disposta a sonhar, uma McLaren tendo de contornar problemas inesperados e uma Red Bull que passou ilesa ao correr pela primeira vez com motor próprio

Luana Marino

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A primeira etapa da pré-temporada 2026 da Fórmula 1 chegou ao fim nesta sexta-feira (30) e certamente deixou aquela pontinha de esperança até no menos otimista torcedor da Ferrari. Só que a liderança de Lewis Hamilton deve, sim, ser encarada com bastante cautela, até porque a equipe de Maranello não foi a única a deixar Barcelona com a sensação de estar no caminho certo diante de um regulamento tão novo.

É claro que as atividades realizadas no circuito da Catalunha ainda não são capazes de fornecer um desenho nítido do que deve ser visto no Bahrein, muito em função de fatores que são determinantes e interferem no desempenho do carro. O principal deles, sem dúvida, os pneus, ainda que a Pirelli tenha levado a gama que será usada em 2026. Só que as temperaturas muito baixas atrapalham o entendimento quanto ao desgaste e também a janela ideal de performance da borracha.

Além disso, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) tirou a obrigatoriedade de serem usados os combustíveis sustentáveis durante o shakedown em Barcelona, e por mais simples que possa parecer, esta também é uma parte do trabalho que envolve o funcionamento do novo motor, com a parte elétrica ampliada e respondendo por 50% da potência. São, portanto, lacunas que precisam ser preenchidas antes de cravar qual é a equipe que sai na frente das demais rivais.

Mas ainda que as incógnitas sejam inevitáveis, a primeira bateria de testes privados forneceu elementos que não podem ser ignorados. O GRANDE PRÊMIO listou quais lições podem ser tiradas deste último dia, bem como do que foi visto ao longo de toda a semana em Barcelona.

Lewis Hamilton fez o melhor tempo dos testes coletivos de Barcelona (Foto: Ferrari)

Ferrari deixa torcedor sonhar. E tem razão

Ver Hamilton no topo dos testes desta sexta-feira certamente fez os apaixonados tifosi sonharem com um ano de glórias após tantas lutas travadas em 2025. Sim, é cedo, mas não deixa de ser uma liderança não apenas simbólica, como bastante significativa para o que a Ferrari representa para a Fórmula 1, e isso não se resume apenas à sua história. Ela é uma das montadoras do grid, portanto sabe que ver o carro vermelho adquirir tanta quilometragem sem nenhum problema é motivo, sim, de comemoração.

“É um enorme desafio para todos. Quanto mais voltas você completa, mais aprende, e isso é positivo. Ainda há muito trabalho a fazer, estamos longe de Melbourne e do início da temporada, mas foi um primeiro passo. E hoje foi um passo muito bom”, declarou o chefe, Frédéric Vasseur, ainda pela manhã, depois de Charles Leclerc completar 80 voltas e liderar a primeira parte da atividade. Depois, com Hamilton, foram mais 67 giros e uma liderança importante para mostrar às principais rivais que o objetivo foi cumprido com louvor.

McLaren contorna problema, mas acende alerta

A McLaren, quem diria, se viu às voltas com um problema de confiabilidade na quinta-feira ao sofrer uma falha no sistema de combustível do carro. O contratempo acabou forçando o encerramento dos trabalhos mais cedo, porém a equipe conseguiu contornar a situação e exibiu não apenas velocidade, como consistência na sexta-feira com Oscar Piastri e Lando Norris, que, juntos, completaram 166 voltas. Mas as adversidades foram suficientes para deixar toda a equipe em estágio de atenção para o Bahrein, tanto que o diretor-técnico de engenharia, Neil Houldey, enfatizou que a meta é ter “um carro mais confiável” daqui a duas semanas.

De fato, a McLaren só teve um dia realmente limpo na última ida à pista, e olha que ela decidiu retardar a estreia, antes programada para terça-feira, para evitar dor de cabeça com a chuva. “Nossa abordagem nos testes permanece a mesma, mas as novas regras das unidades de potência são mais complexas, especialmente em relação à implantação e à geração de energia. Fizemos o que pudemos no simulador, mas nada substitui o tempo na pista, onde a estreita colaboração com a Mercedes nos ajudou a aprimorar as soluções”, avaliou Houldey, que agora espera ter em mãos o resultado de todo esse trabalho convertido em confiabilidade.

Lando Norris em ação em Barcelona: ele foi o segundo mais rápido do dia (Foto: McLaren)

Red Bull se vê ofuscada, mas cumpre bem papel com motor

Diante de Mercedes, Ferrari e até mesmo McLaren, apesar dos problemas, a Red Bull acabou sendo um tanto ofuscada nessa reta final, mas como muito bem declarou James Vowles, os taurinos não podem ser jamais subestimados. Sobretudo quando passam ilesos por uma semana inteira de testes em que colocaram em prática o primeiro motor fabricado por eles, em parceria com a Ford.

2026, portanto, representa também uma nova era para a Red Bull, que pouco lembra a equipe sisuda que tinha como figuras centrais Christian Horner e Helmut Marko. Laurent Mekies, aliás, sabe perfeitamente que tem muito o que aproveitar da experiência de Max Verstappen, tanto que destacou o “feedback extremamente valioso” do neerlandês graças às 118 voltas completadas só nesta sexta-feira.

“Temos muito a aproveitar desta semana, e a experiência e o cuidado detalhista de Max com a engenharia nos ajudarão a moldar os preparativos para o Bahrein e além”, comemorou Mekies. “A Ford esteve aqui na pista para ver tudo ganhar vida e agradecemos muito a eles pela participação e apoio nesta história especial. Claro, é muito cedo, ainda estamos no início e nada é perfeito, mas já começamos a aprender e a trabalhar como uma equipe. Foi uma grande satisfação, mas isso não muda a magnitude da jornada que temos pela frente. Sabemos que precisamos fazer a nossa lição de casa e avançar passo a passo”, encerrou.

Quilometragem é chave para confiabilidade

Foi quase que um coro em uníssono: a principal meta dos testes da Espanha foi entender a confiabilidade de projetos totalmente novos, portanto cada tempo disponível em pista seria fundamental. E foi possível ver o quanto essa quilometragem adquirida será decisiva no desenvolvimento dos carros, vide a Audi. As primeiras idas à pista tanto de Gabriel Bortoleto quanto de Nico Hülkenberg foram comprometidas por quebras que atrapalharam o cronograma a rapidamente acenderam alerta em todos. Mas a equipe se debruçou sobre os dados coletados para entender o que havia de errado e conseguiu dar aos pilotos a chance de rodarem bastante na pista. Bortoleto andou pela manhã e deu 67 voltas, enquanto Hülkenberg totalizou 81 girou completados.

O clima nas garagens alemães ainda é de muita cautela, até porque os primeiros testes expuseram que o caminho será longo. Mattia Binotto até falou da “longa lista” de problemas, enquanto Gabriel declarou que a expectativa é de que haja melhora já no Bahrein. Não há, portanto, tempo a perder.

Gabriel Bortoleto andou com a Audi nesta sexta-feira (Foto: Audi)

Alpine Mercedes vem aí?

É natural que as atenções se voltem para as principais equipes do grid, mas a Alpine merece uma menção por essa sexta-feira. Pierre Gasly foi quem mais andou ao completar 167 voltas, fazendo a melhor delas em 1min17s707, ficando em sexto. Porém mais que o tempo de volta, o que realmente impressiona é a consistência em pista sem apresentar qualquer tipo de problema. E não há como não associar a performance ao motor Mercedes.

“Temos novos regulamentos e também um novo fornecedor de unidades de potência, então há muita coisa para aprender”, disse Steve Nielsen, diretor-administrativo da Alpine. “Tenho certeza de que a maioria das outras equipes está fazendo o mesmo, familiarizando-se com as nuances dos novos componentes em termos de distribuição e recuperação de energia. Passamos semanas e meses trabalhando nesta geração de carros e em conjunto com a Mercedes no que diz respeito às unidades de potência. Portanto, nada foi uma surpresa, mas não há nada como vivenciar isso na prática, conhecer os novos membros da equipe e integrá-los. Esta semana foi dedicada principalmente a revisar os sistemas e procedimentos e a se familiarizar com o carro, não apenas para a equipe, mas também para os pilotos”, completou.

Claro que é sempre importante frisar que a F1 é um esporte de aerodinâmica, mas poder contar com esse know-how da Mercedes tem tudo para, no mínimo, tirar a Alpine da lanterna da categoria. E dá para dizer que Barcelona provou que a aposta ousada foi mais que acertada.

Após os testes coletivos em Barcelona, as equipes terão duas semanas para retornar às fábricas e trabalhar com base nos dados coletados nos últimos dias. Dessa forma, os carros só voltam à pista entre 11 e 13 de fevereiro, durante os testes de pré-temporada no Bahrein.

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