O caos que desabou na classificação passou longe do GP do Azerbaijão deste domingo (21), mas nem por isso a corrida deixou de ter ótimas histórias — a depender, claro, do ponto de vista. Para Max Verstappen, por exemplo, não poderia ter sido melhor, pois a pole, a vitória de ponta a ponta e a volta mais rápida representaram o sexto Grand Chelem da carreira e expuseram um domínio de tirar o sono dos adversários.
A adversária, no caso, é a McLaren, que saiu de possibilidade de título antecipado no Mundial de Construtores para o pior resultado em um fim de semana de GP em 2025. Oscar Piastri achou o muro duas vezes — na classificação e na corrida —, e o máximo que Lando Norris conseguiu foi cortar míseros 6 pontos na classificação.
Para se ter uma ideia do desastre, foi o mesmo número de pontos somados pela Ferrari, que também teve uma rodada para esquecer e lutou para ao menos terminar no top-10. A performance muito aquém do esperado a fez perder o segundo lugar no Mundial para a Mercedes, que soube utilizar muito bem os pontos a favor e deu a George Russell e Andrea Kimi Antonelli um carro bem mais combativo.
Mas a melhor história deste domingo foi escrita por Carlos Sainz, que por muito pouco não ficou com a pole (!) em meio ao salseiro causado pelas inúmeras bandeiras vermelhas. A primeira fila, porém, foi suficiente para arrancar o terceiro lugar na unha e trazer um colorido diferente ao pódio.

O GRANDE PRÊMIO separou cinco lições que o GP do Azerbaijão trouxe. Confira:
Verstappen faz ‘buuu’ para McLaren com vitória dominante à moda antiga
Faltam adjetivos para definir Verstappen, mas um em especial cabe aqui e certamente reverbera nas garagens da McLaren depois do GP do Azerbaijão: assustador. Num fim de semana em que o título de Construtores parecia tarefa das mais simples, os papaias saíram de Baku totalmente cientes de que Max não perdoará nenhum vacilo se realmente tiver um carro competitivo nas mãos.
Mas o RB21 definitivamente parece outro desde as últimas atualizações que focaram em melhorar o equilíbrio para dar a Verstappen a possibilidade de atacar um pouco mais as zebras. Em Baku, isso ficou bem evidente, pois foi justamente no segundo setor, o mais sinuoso, que ele garantiu a vitória. É, de fato, momento para a McLaren, no mínimo, ligar o alerta, e mais ainda se Max conseguir ser competitivo em Singapura, pista também urbana, mas que tem sido o calcanhar de Aquiles nas temporadas recentes.
Piastri sente golpe, mas Norris perde chance que pode não voltar em 2025
Se houvesse a chance de adivinhar o futuro, Piastri certamente teria deliberado um pouco mais antes de levantar o pé e deixar Norris terminar em segundo na Itália. A situação por si só já foi totalmente absurda, mas a impressão que se teve em Baku foi que, de alguma forma, toda a repercussão desestabilizou o sempre impassível australiano. Foram duas batidas bobas e que ainda podem custar muito caro mais na frente, considerando que ainda faltam sete corridas até o desfecho.
O ‘ainda’ usado aqui, no caso, é porque Norris, mesmo sem querer, executou muito bem a faceta de justiça da equipe laranja ao ter um desempenho tão ruim quanto o de Piastri. Na classificação, quando teve a chance de alinhar o carro muito à frente, errou e foi apenas sétimo. Na corrida, pouco acrescentou, cruzando a linha de chegada na mesma posição. Para se ter uma ideia, deixou a pista com os mesmos pontos somados pelos dois pilotos da Ferrari (seis), jogando no lixo uma oportunidade que talvez não surja mais até o fim do ano.

Ferrari banca Homer Simpson e joga culpa nos pilotos por desastre em Baku
“A culpa é minha e eu ponho em quem quiser!” A icônica frase do personagem poderia muito bem ter sido proferida por Frédéric Vasseur, chefe da Ferrari, que resolveu colocar o resultado pífio no GP do Azerbaijão na conta dos pilotos — afinal, foram eles que ficaram pelo meio do caminho na classificação quando tinham totais condições de brigarem pela pole. Só que o dirigente ignora a própria fala de sábado ao admitir que houve um erro de execução com Hamilton no Q2. E a batida de Leclerc também foi influenciada pelos compostos.
Na corrida, a equipe até tentou uma tática diferente com Charles, que conseguiu encaixar bom ritmo de corrida nas primeiras voltas com os médios, só que sofreu com problemas na unidade de potência justamente no primeiro stint. Hamilton, por sua vez, ficou vendido no tráfego, e mesmo quando Leclerc abriu passagem para que ele tentasse pegar Norris, não deu certo. Esse momento, aliás, foi mais uma das tantas patacoadas que a Ferrari teima em proporcionar, ao pedir para Lewis devolver a posição na linha de chegada — uma situação completamente desnecessária que só gerou desgaste interno.
Mercedes acerta tudo dessa vez, mas terá de se provar para segurar vice
E a Mercedes, quem diria, foi a segunda maior pontuadora do GP do Azerbaijão graças a uma performance que, dessa vez, não teve nada de circunstancial. Os alemães ajustaram o acerto para otimizar a performance no setor mais seletivo e ainda contaram com a temperatura mais amena para gerenciar bem os pneus. O resultado foi um Russell que só perdeu para Verstappen em ritmo de corrida e conseguiu executar com sucesso o overcut — quando o piloto que está atrás para depois — sobre Sainz.
Antonelli também merece elogios, pois mesmo chegando atrás de Russell, não comprometeu a performance da equipe e escapou das armadilhas que o traiçoeiro traçado azeri prepara. É difícil, contudo, cravar vantagem sobre a Ferrari, que possui um carro mais previsível nas mãos na briga pelo vice-campeonato, enquanto o W16 ainda é uma grande incógnita.

Sainz reencontra melhor versão e se redime com pódio merecido
Este é o Carlos Sainz do Antigo Testamento! O espanhol sempre teve como maiores qualidades a leitura de corrida e o bom trabalho nos boxes, junto com os engenheiros, só que a adaptação complicada ao carro da Williams sobressaiu na temporada. A diferença para Alexander Albon na classificação ainda é imensa, mas Carlos conseguiu enfim mostrar na prática a razão pela qual foi contratado pelo time de Grove.
Com um ritmo de corrida muito forte, neutralizou um dos Mercedes (Antonelli) e cumpriu o objetivo de sair de Baku com o pódio. Era, de fato, o lugar certo para isso, por mais que a sorte tenha lhe sorrido com força na classificação. Pois azar dos outros, e Sainz não deixou a chance escapar, levando a Williams a um resultado mais do que merecido não apenas por toda a história que possui, como também pelo intenso trabalho de reestruturação que começou com a chegada de James Vowles.
Com o GP do Azerbaijão finalizado, a Fórmula 1 terá um fim de semana de descanso até a próxima etapa da temporada. Carros e pilotos voltam às pistas entre os dias 3 e 5 de outubro, para o GP de Singapura, com cobertura completa do GRANDE PRÊMIO.
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