Com a confirmação de que Rafael Câmara vai defender a Haas na temporada 2027 da Fórmula 1, o Brasil ganha mais um representante no grid. O pernambucano se torna o 34º piloto a representar o país na principal categoria do automobilismo.

Com o anúncio desta quinta-feira (15), Câmara vai dividir a Haas com Oliver Bearman no ano que vem. Com isso, a estatística aponta Rafael como o 34º brasileiro a disputar corridas na Fórmula 1. A chegada acontece dois anos depois de Gabriel Bortoleto reacender a tradição do país no grid e se tornar o primeiro brasileiro titular em uma temporada completa desde Felipe Massa, em 2017.

Embora Câmara seja o 34º a disputar uma corrida, ao todo, 36 brasileiros já participaram de uma sessão oficial da Fórmula 1. Em 2011, guiando a Caterham, ainda na fase Lotus verde, Luiz Razia participou de treinos livres nos GPs da China e do Brasil. Felipe Drugovich, por sua vez, guiou a Aston Martin em treinos nos GPs da Itália, da Cidade do México e de Abu Dhabi.

Com Câmara e Bortoleto no grid de 2027, será a primeira vez desde 2016, quando Massa e Felipe Nasr estavam na categoria, que dois brasileiros têm o posto de titular simultaneamente.

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Câmara chamou a atenção pelas boas campanhas nas categorias de base (Foto: F2)

A trajetória do Brasil na F1

A presença brasileira no grid da Fórmula 1 começou em 1951, com Chico Landi correndo o GP da Itália com carro da Ferrari e abandonando logo no início, com problemas de transmissão. Em 1952, fez mais duas etapas, assim como em 1953. O maior feito de Landi chegou em 1956, quando ficou com o quarto lugar no GP da Argentina e garantiu os únicos pontos da carreira.

Em 1952, Gino Bianco foi o segundo a se aventurar no campeonato. Nascido em Milão, na Itália, correu com a bandeira brasileira em quatro etapas daquela temporada. Terminou em 18º em Silverstone e abandonou as três seguintes.

A década de 1950 ainda contou com mais dois nomes brasileiros no grid da F1: Hermano da Silva Ramos, que chegou a pontuar com o quinto lugar no GP de Mônaco de 1956; e Fritz d’Orey, que fez apenas três etapas durante a temporada 1959.

O Brasil só voltou a figurar no grid da Fórmula 1 em 1970 e já com um nome vencedor. Emerson Fittipaldi foi contratado pela poderosa Lotus em 1970 e venceu logo no ano de estreia, em Watkins Glen. Com uma união forte, conseguiu o título mundial em 1972. Na McLaren, já em 1974, repetiu a dose. Ficou até 1980, conquistabdo dois campeonatos, 14 vitórias, 6 poles e 35 pódios.

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Com Bortoleto e Câmara, Brasil terá dois representantes no grid da F1 2027 (Foto: Audi)

O sucesso de Emerson criou um aumento de interesse pelo esporte. O irmão Wilson Fittipaldi chegou à categoria em 1972 e correu por duas equipes: Brabham e Copersucar-Fittipaldi, que foi criada pelos irmãos e abrigou nomes como Ingo Hoffmann e Alex Dias Ribeiro.

A década de 1970 ainda teve outro grande nome brasileiro no grid da F1: José Carlos Pace, que entre 1972 e 1977 correu por diversas equipes do grid, mas brilhou mesmo ao vencer o GP do Brasil de 1975 com um carro da Brabham. Pace Morreu em um acidente aéreo anos depois e hoje dá nome ao circuito de Interlagos. Outro que passou por lá foi Luiz Pereira Bueno, mas fez só uma etapa, em 1973.

O último nome brasileiro a estrear na década de 1970 foi Nelson Piquet. Com a Brabham, foi campeão mundial de 1981 e 1983. Depois, mudou para a Williams e levou o título em 1987, passando ainda por Lotus e Benetton e fechando a carreira com 204 largadas, 23 vitórias, 24 poles e 60 pódios.

Os anos 80 ainda viram mais brasileiros, como Chico Serra, Raul Boesel, Roberto Pupo Moreno e Maurício Gugelmin, todos com pouco destaque. Em 1984, porém, a Toleman abrigou Ayrton Senna, que mudou o esporte. Depois de passar pela Lotus entre 1985 e 1987, chegou no ano seguinte à McLaren e deu início a um das mais dominantes parcerias da história. Foi campeão mundial em 1988, 1990 e 1991, terminando a carreira com 41 vitórias, 65 poles e 80 pódios. Ayrton morreu em 1994, após acidente no GP de San Marino.

Rafael Câmara corre pela Invicta na F2 2026 (Foto: Reprodução)

No embalo dos campeões mundiais, a Fórmula 1 seguiu abraçando pilotos brasileiros nas décadas seguintes, como Christian Fittipaldi, Pedro Paulo Diniz, Tarso Marques, Ricardo Rosset, Luciano Burti, Ricardo Zonta, Enrique Bernoldi, Cristiano da Matta, Antônio Pizzonia, Nelsinho Piquet, Bruno Senna, Lucas di Grassi, Felipe Nasr e Pietro Fittipaldi — este último apenas por duas etapas, substituindo o lesionado Romain Grosjean no fim da temporada 2020.

Ainda houve, porém, destaque para uma dupla. Um deles foi Rubens Barrichello, que chegou à F1 em 1993, mas só foi brilhar para valer mesmo quando foi contratado pela Ferrari, em 2000. Na escuderia italiana conseguiu 11 vitórias e foi vice-campeão mundial duas vezes, em 2002 e 2004. Ainda correu por Jordan, Stewart, Honda, Brawn e Williams.

Quando saiu da Ferrari, Barrichello deu lugar a Felipe Massa, que corria na Sauber. O brasileiro ficou no time italiano de 2006 a 2013, conquistou 11 vitórias, 16 poles e 41 pódios, além do dolorido vice-campeonato em 2008 — quando acabou superado por Lewis Hamilton por apenas 1 ponto. Ainda passou pela Williams e foi lá que deixou a F1, no fim de 2017, sendo o último brasileiro a disputar uma temporada completa da categoria até a chegada de Bortoleto.

Depois de ser campeão da F3 e da F2 logo no ano de estreia, Gabriel chamou a atenção da Sauber e assinou com a equipe, que se tornaria Audi em 2026, para a temporada 2025. Desde então, o #5 disputou 40 corridas e marcou 29 pontos.