Rafael Câmara terá em Oliver Bearman sua primeira grande referência dentro da Fórmula 1 a partir da temporada 2027. Contratado pela Haas em um acordo plurianual, o brasileiro chegará à categoria depois de conquistar títulos nas principais divisões de acesso, mas encontrará um companheiro que já conhece a rotina da equipe, o desenvolvimento de um carro de F1 e as exigências de uma temporada completa.

A diferença entre os dois não está necessariamente na velocidade pura. Câmara construiu um currículo expressivo nas categorias de base e impressionou a Haas durante os testes realizados em Portugal, em agosto de 2026. Bearman, por sua vez, transformou a experiência acumulada desde a estreia na F1 em resultados importantes para uma equipe que busca se consolidar no pelotão intermediário.

O desafio do pernambucano será converter o desempenho demonstrado nas categorias de formação em resultados na principal divisão do automobilismo, enquanto aprende com um piloto que já se tornou uma peça central no projeto esportivo da Haas. A comparação também será importante para a Ferrari, que acompanha a evolução dos dois integrantes de sua academia de jovens pilotos.

Currículos diferentes, ambição semelhante

A trajetória de Câmara até a Fórmula 1 foi marcada por títulos consecutivos. Em 2024, o brasileiro conquistou a Fórmula Regional Europeia (FRECA). No ano seguinte, venceu a Fórmula 3 pela Trident, com cinco pole-positions e o título assegurado com uma etapa de antecedência.

Em 2026, o pernambucano subiu para a Fórmula 2 e manteve o ritmo competitivo. Após a rodada do Azerbaijão, disputada em setembro, liderava o campeonato com 207 pontos, três vitórias e cinco pole-positions. A classificação tinha Nikola Tsolov na segunda posição, com 200 pontos, e Alexander Dunne em terceiro, com 189. A situação do calendário ainda dependia de definições sobre as etapas finais da categoria.

Bearman também teve uma passagem forte pelas categorias de base. Em 2021, conquistou os títulos da Fórmula 4 italiana e alemã, com 17 vitórias somadas nos dois campeonatos. Na Fórmula 3, terminou a temporada de 2022 em terceiro lugar. Um ano depois, avançou para a Fórmula 2 e encerrou a campanha na sexta posição, com quatro vitórias.

O britânico, portanto, chegou à F1 por um caminho mais acelerado, enquanto Câmara acumulou títulos na FRECA e na F3 antes de disputar a F2. A comparação dos currículos mostra que o brasileiro chega com resultados expressivos nas categorias intermediárias, mas não permite concluir, isoladamente, qual dos dois terá maior rendimento na F1.

O que os números mostram antes da estreia de Câmara?

IndicadorRafael CâmaraOliver Bearman
Idade em 202722 anos22 anos
Título na FRECA2024—
Título na F32025—
Melhor resultado na F2Liderança em 20266º lugar em 2023
Experiência em GPs de F1Estreante44 participações até Singapura de 2026
Pontos na F1—71 até Singapura de 2026
Melhor resultado na F1—4º lugar no GP da Cidade do México de 2025

A tabela resume a principal diferença entre os pilotos: Câmara chega com um currículo de base mais recente e uma sequência de títulos, enquanto Bearman já tem resultados comprovados na categoria principal. O brasileiro terá de adaptar seu desempenho a um ambiente em que as diferenças de acerto, pneus, estratégia e desenvolvimento técnico podem ser decisivas.

A experiência também envolve aspectos que não aparecem na classificação. Bearman já conhece os procedimentos de largada, a gestão de energia, o trabalho com engenheiros durante um fim de semana de GP e a pressão de disputar pontos em corridas longas. Câmara terá de aprender tudo isso ao mesmo tempo em que começa a ser comparado diretamente com o companheiro.

O teste em Portugal oferece uma primeira referência

Antes de garantir a vaga, Câmara participou de uma avaliação com a Haas em Portimão, em Portugal, no fim de agosto de 2026. A atividade foi realizada com o VF-25, carro utilizado pela equipe na temporada anterior, e incluiu Bearman como referência para a comparação de desempenho.

O brasileiro superou a referência estabelecida pelo britânico e impressionou os engenheiros da equipe tanto pela velocidade quanto pela qualidade do trabalho técnico. O teste fez parte de um processo de avaliação que também envolveu outros candidatos à vaga deixada por Esteban Ocon.

O resultado é relevante porque indica que Câmara conseguiu mostrar competitividade diante de um piloto que já conhecia o carro. No entanto, a Haas não divulgou publicamente uma tabela completa com os tempos e as condições de cada sessão. Sem esses dados, não é possível estabelecer uma diferença exata entre os dois nem afirmar que o desempenho em um teste privado será reproduzido em corridas.

A preparação do brasileiro também incluiu atividades com a Ferrari ao longo de 2026. Esse trabalho com carros de temporadas anteriores contribuiu para reduzir parte da distância entre a experiência de Câmara e a de pilotos que já disputaram GPs, embora não substitua a rotina de um campeonato completo.

Bearman é a principal referência da Haas em 2026

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Oliver Bearman (Foto: Haas)

O desempenho de Bearman na temporada atual oferece outro parâmetro para compreender o desafio de Câmara. Até o GP de Singapura, o britânico somava 23 dos 30 pontos da Haas no Mundial de Construtores, enquanto a equipe ocupava a sétima posição entre as 11 escuderias.

A participação de Bearman correspondia a cerca de 77% da pontuação do time. O número evidencia o peso do britânico na campanha e ajuda a explicar por que o chefe Ayao Komatsu o considera preparado para assumir um papel de liderança em 2027.

A diferença de rendimento dentro da própria Haas também reforça esse cenário. Esteban Ocon, que deixará a equipe ao fim de 2026, tinha contribuído com os sete pontos restantes até Singapura. Bearman já havia terminado em quarto no GP da Cidade do México de 2025, igualando o melhor resultado da história da escuderia.

A equipe, porém, não pode ser avaliada apenas pela pontuação de seus pilotos. O desempenho depende também da competitividade do carro, da execução das estratégias, da confiabilidade e da capacidade de desenvolver o projeto ao longo do campeonato. Para Câmara, isso significa que a comparação com Bearman será mais útil quando considerar o contexto de cada sessão e não apenas a posição final.

O que a parceria pode representar para a Ferrari?

A presença dos dois pilotos na Haas também interessa à Ferrari. Câmara e Bearman fazem parte do programa de desenvolvimento de Maranello, e a temporada de 2027 permitirá acompanhar os dois em condições semelhantes, com o mesmo carro e sob a mesma estrutura técnica.

A comparação pode ganhar importância no médio prazo, já que o desempenho na Haas ajudará a definir o espaço de cada um no planejamento esportivo da Ferrari. Ainda assim, não há garantia de que uma boa temporada leve diretamente a uma vaga na equipe italiana: decisões desse tipo dependem de contratos, disponibilidade de assentos e resultados acumulados.

Para Câmara, a prioridade inicial será mais imediata. O brasileiro precisará demonstrar velocidade em classificação, consistência em corridas e capacidade de contribuir para o desenvolvimento do carro. Bearman terá a vantagem de começar o ano conhecendo os procedimentos da equipe, mas também enfrentará a expectativa de confirmar sua evolução e sustentar o papel de referência.

A comparação entre os dois não será decidida apenas pelos títulos conquistados antes da F1 ou pela experiência acumulada. O fator determinante será a capacidade de transformar potencial em resultados concretos em uma equipe que pretende avançar no pelotão intermediário.

FAQ

Quem será o companheiro de Rafael Câmara na Haas em 2027?

Oliver Bearman é o nome apontado para dividir a equipe com Câmara, mas a Haas ainda não havia oficializado a renovação contratual do britânico até 20 de outubro de 2026.

Quais títulos Rafael Câmara conquistou antes da Fórmula 1?

Câmara venceu a Fórmula Regional Europeia em 2024 e a Fórmula 3 em 2025. Em 2026, liderava a Fórmula 2 após a etapa de Baku.

Quantos pontos Oliver Bearman marcou pela Haas em 2026?

Até o GP de Singapura, Bearman havia somado 23 pontos na temporada, de um total de 30 conquistados pela Haas no Mundial de Construtores.