- Rafael Câmara conquistou os títulos da Fórmula Regional Europeia de 2024 e da Fórmula 3 de 2025 e liderava a Fórmula 2 de 2026, com 207 pontos, após a etapa de Baku.
- Oliver Bearman acumulava 44 participações em GPs e 71 pontos na F1 até Singapura de 2026, além de um quarto lugar como melhor resultado.
- O britânico marcou 23 dos 30 pontos da Haas no Mundial de Construtores de 2026 até a mesma etapa, o equivalente a aproximadamente 77% da pontuação da equipe.
Rafael Câmara terá em Oliver Bearman sua primeira grande referência dentro da Fórmula 1 a partir da temporada 2027. Contratado pela Haas em um acordo plurianual, o brasileiro chegará à categoria depois de conquistar títulos nas principais divisões de acesso, mas encontrará um companheiro que já conhece a rotina da equipe, o desenvolvimento de um carro de F1 e as exigências de uma temporada completa.
A diferença entre os dois não está necessariamente na velocidade pura. Câmara construiu um currículo expressivo nas categorias de base e impressionou a Haas durante os testes realizados em Portugal, em agosto de 2026. Bearman, por sua vez, transformou a experiência acumulada desde a estreia na F1 em resultados importantes para uma equipe que busca se consolidar no pelotão intermediário.
O desafio do pernambucano será converter o desempenho demonstrado nas categorias de formação em resultados na principal divisão do automobilismo, enquanto aprende com um piloto que já se tornou uma peça central no projeto esportivo da Haas. A comparação também será importante para a Ferrari, que acompanha a evolução dos dois integrantes de sua academia de jovens pilotos.
Currículos diferentes, ambição semelhante
A trajetória de Câmara até a Fórmula 1 foi marcada por títulos consecutivos. Em 2024, o brasileiro conquistou a Fórmula Regional Europeia (FRECA). No ano seguinte, venceu a Fórmula 3 pela Trident, com cinco pole-positions e o título assegurado com uma etapa de antecedência.
Em 2026, o pernambucano subiu para a Fórmula 2 e manteve o ritmo competitivo. Após a rodada do Azerbaijão, disputada em setembro, liderava o campeonato com 207 pontos, três vitórias e cinco pole-positions. A classificação tinha Nikola Tsolov na segunda posição, com 200 pontos, e Alexander Dunne em terceiro, com 189. A situação do calendário ainda dependia de definições sobre as etapas finais da categoria.
Bearman também teve uma passagem forte pelas categorias de base. Em 2021, conquistou os títulos da Fórmula 4 italiana e alemã, com 17 vitórias somadas nos dois campeonatos. Na Fórmula 3, terminou a temporada de 2022 em terceiro lugar. Um ano depois, avançou para a Fórmula 2 e encerrou a campanha na sexta posição, com quatro vitórias.
O britânico, portanto, chegou à F1 por um caminho mais acelerado, enquanto Câmara acumulou títulos na FRECA e na F3 antes de disputar a F2. A comparação dos currículos mostra que o brasileiro chega com resultados expressivos nas categorias intermediárias, mas não permite concluir, isoladamente, qual dos dois terá maior rendimento na F1.
O que os números mostram antes da estreia de Câmara?
| Indicador | Rafael Câmara | Oliver Bearman |
|---|---|---|
| Idade em 2027 | 22 anos | 22 anos |
| Título na FRECA | 2024 | — |
| Título na F3 | 2025 | — |
| Melhor resultado na F2 | Liderança em 2026 | 6º lugar em 2023 |
| Experiência em GPs de F1 | Estreante | 44 participações até Singapura de 2026 |
| Pontos na F1 | — | 71 até Singapura de 2026 |
| Melhor resultado na F1 | — | 4º lugar no GP da Cidade do México de 2025 |
A tabela resume a principal diferença entre os pilotos: Câmara chega com um currículo de base mais recente e uma sequência de títulos, enquanto Bearman já tem resultados comprovados na categoria principal. O brasileiro terá de adaptar seu desempenho a um ambiente em que as diferenças de acerto, pneus, estratégia e desenvolvimento técnico podem ser decisivas.
A experiência também envolve aspectos que não aparecem na classificação. Bearman já conhece os procedimentos de largada, a gestão de energia, o trabalho com engenheiros durante um fim de semana de GP e a pressão de disputar pontos em corridas longas. Câmara terá de aprender tudo isso ao mesmo tempo em que começa a ser comparado diretamente com o companheiro.
O teste em Portugal oferece uma primeira referência
Antes de garantir a vaga, Câmara participou de uma avaliação com a Haas em Portimão, em Portugal, no fim de agosto de 2026. A atividade foi realizada com o VF-25, carro utilizado pela equipe na temporada anterior, e incluiu Bearman como referência para a comparação de desempenho.
O brasileiro superou a referência estabelecida pelo britânico e impressionou os engenheiros da equipe tanto pela velocidade quanto pela qualidade do trabalho técnico. O teste fez parte de um processo de avaliação que também envolveu outros candidatos à vaga deixada por Esteban Ocon.
O resultado é relevante porque indica que Câmara conseguiu mostrar competitividade diante de um piloto que já conhecia o carro. No entanto, a Haas não divulgou publicamente uma tabela completa com os tempos e as condições de cada sessão. Sem esses dados, não é possível estabelecer uma diferença exata entre os dois nem afirmar que o desempenho em um teste privado será reproduzido em corridas.
A preparação do brasileiro também incluiu atividades com a Ferrari ao longo de 2026. Esse trabalho com carros de temporadas anteriores contribuiu para reduzir parte da distância entre a experiência de Câmara e a de pilotos que já disputaram GPs, embora não substitua a rotina de um campeonato completo.
Bearman é a principal referência da Haas em 2026

O desempenho de Bearman na temporada atual oferece outro parâmetro para compreender o desafio de Câmara. Até o GP de Singapura, o britânico somava 23 dos 30 pontos da Haas no Mundial de Construtores, enquanto a equipe ocupava a sétima posição entre as 11 escuderias.
A participação de Bearman correspondia a cerca de 77% da pontuação do time. O número evidencia o peso do britânico na campanha e ajuda a explicar por que o chefe Ayao Komatsu o considera preparado para assumir um papel de liderança em 2027.
A diferença de rendimento dentro da própria Haas também reforça esse cenário. Esteban Ocon, que deixará a equipe ao fim de 2026, tinha contribuído com os sete pontos restantes até Singapura. Bearman já havia terminado em quarto no GP da Cidade do México de 2025, igualando o melhor resultado da história da escuderia.
A equipe, porém, não pode ser avaliada apenas pela pontuação de seus pilotos. O desempenho depende também da competitividade do carro, da execução das estratégias, da confiabilidade e da capacidade de desenvolver o projeto ao longo do campeonato. Para Câmara, isso significa que a comparação com Bearman será mais útil quando considerar o contexto de cada sessão e não apenas a posição final.
O que a parceria pode representar para a Ferrari?
A presença dos dois pilotos na Haas também interessa à Ferrari. Câmara e Bearman fazem parte do programa de desenvolvimento de Maranello, e a temporada de 2027 permitirá acompanhar os dois em condições semelhantes, com o mesmo carro e sob a mesma estrutura técnica.
A comparação pode ganhar importância no médio prazo, já que o desempenho na Haas ajudará a definir o espaço de cada um no planejamento esportivo da Ferrari. Ainda assim, não há garantia de que uma boa temporada leve diretamente a uma vaga na equipe italiana: decisões desse tipo dependem de contratos, disponibilidade de assentos e resultados acumulados.
Para Câmara, a prioridade inicial será mais imediata. O brasileiro precisará demonstrar velocidade em classificação, consistência em corridas e capacidade de contribuir para o desenvolvimento do carro. Bearman terá a vantagem de começar o ano conhecendo os procedimentos da equipe, mas também enfrentará a expectativa de confirmar sua evolução e sustentar o papel de referência.
A comparação entre os dois não será decidida apenas pelos títulos conquistados antes da F1 ou pela experiência acumulada. O fator determinante será a capacidade de transformar potencial em resultados concretos em uma equipe que pretende avançar no pelotão intermediário.
FAQ
Quem será o companheiro de Rafael Câmara na Haas em 2027?
Oliver Bearman é o nome apontado para dividir a equipe com Câmara, mas a Haas ainda não havia oficializado a renovação contratual do britânico até 20 de outubro de 2026.
Quais títulos Rafael Câmara conquistou antes da Fórmula 1?
Câmara venceu a Fórmula Regional Europeia em 2024 e a Fórmula 3 em 2025. Em 2026, liderava a Fórmula 2 após a etapa de Baku.
Quantos pontos Oliver Bearman marcou pela Haas em 2026?
Até o GP de Singapura, Bearman havia somado 23 pontos na temporada, de um total de 30 conquistados pela Haas no Mundial de Construtores.