Diretor-executivo da Fórmula 1, Stefano Domenicali não parece muito favorável à entrada da Andretti no certame. O dirigente se mostrou incomodado com as manifestações públicas da família Andretti em relação ao desejo de entrar no campeonato e também defendeu que a F1 não teria valor aumentado com a chegada de novos participantes.
A Andretti não faz segredo da frustração com a lentidão do processo em torno da tentativa de se juntar ao grid da Fórmula 1. E as declarações públicas parecem incomodar especialmente Domenicali, que defendeu que o rito precisa ser seguido por todos os interessados.
LEIA MAIS
— Mario Andretti detona times da Fórmula 1 por rejeição a nova equipe: “É ofensivo”
— Alfa Romeo explica resistência sobre entrada da Andretti na F1: “Não agrega valor”
— Red Bull se abre para Andretti e Penske na F1, mas ressalta “problema financeiro”

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
▶️ Conheça o canal do GRANDE PRÊMIO na Twitch clicando aqui!
Questionado pela revista inglesa Autosport sobre o status da candidatura da Andretti a uma vaga na Fórmula 1, Domenicali respondeu: “Acho que hoje, no status atual da F1, não é um problema de quantidade, onde podemos ver um passo no aumento de valor da F1”.
“É uma questão realmente de entendimento, não apenas de quem tem uma voz maior e mais alta, mas terão outras pessoas, pois a Andretti foi bem vocal no pedido delas. Tem outros que fizeram o mesmo, mas de uma maneira diferente”, pontuou. “Então a avaliação não é só com a Andretti, a avaliação é com os outros que estão respeitando o silêncio e tentando ser mais produtivos em provar quem eles são e respeitando os protocolos que colocamos em vigor”, cutucou.
“Como eu sempre disse, não acredito que hoje seja uma questão de ter mais equipes para dar mais valor ao campeonato. Mas existe um protocolo que tem de ser cumprido. E todos, incluindo a Andretti, estão seguindo isso. Esta é a situação hoje. Não vejo nenhuma mudança. E não quero dizer nem sim e nem não”, declarou.
Durante o fim de semana do GP da Hungria, Toto Wolff, chefe da Mercedes, declarou que seria mais favorável a entrada de um novo fabricante para se aliar a uma equipe já estabelecida na Fórmula 1, do que a chegada de alguém com o peso do nome da Andretti. Pelas redes sociais, Mario Andretti sugeriu que o dirigente tinha influência demais no esporte.
Indagado sobre os comentários de Andretti, Domenicali saiu em defesa do chefe de Lewis Hamilton e George Russell.
“Bom, acredito que Toto tem a posição de chefe de equipe. Ele tem 30% das ações da Mercedes, tem a reputação de vencer oito [títulos] em sequência. Então a credibilidade dele fala por si”, ponderou. “Mario, eu o conheço muito, muito bem, há muito tempo. Ele está tentando apresentar a ideia dele, do jeito que acha certo. Mas eu acredito que, como vocês acabem, existe uma governança em vigor. E a decisão precisa seguir o protocolo que está em vigor. E Mario é muito vocal, Michael também. E eu falo com eles bem frequentemente, como vocês podem imaginar. E precisamos respeitar isso”, continuou.
“Podemos ter opiniões diferentes, mas, no fim das contas, é uma questão de seguir o protocolo. E existe alguém para tomar a decisão final. Como eu disse, hoje não vejo fraqueza no número de equipes na F1. É a minha opinião”, frisou.
Ainda, Stefano abordou a possibilidade de uma fabricante entrar na Fórmula 1 com uma equipe própria.
“Hoje nós estamos falando sobre os novos regulamentos, 2026. E todas as fábricas envolvidas nisso, os titulares ou talvez os novos que veremos, estão dizendo que o tempo está passando muito rapidamente, quatro anos para fazer uma nova unidade de potência”, indicou. “Precisamos ser prudentes, pois quando estamos falando de F1, precisamos ter uma entidade, uma equipe ou um fabricante que seja realmente sólido, realmente forte e que tenha realmente um comprometimento para um incrível futuro de longo prazo”, defendeu.
“Isso é o que realmente eu posso acrescentar ao status das coisas, mas, como eu disse hoje, não vejo, honestamente, necessidade desse aumento, para ter um grande benefício para o esporte Fórmula 1”, disparou.
Por fim, Domenicali rejeitou as alegações de que deveriam ser mais de dez inscritos para proteger a Fórmula 1 de eventuais partidas, já que fábricas têm o histórico de entrar e sair do esporte.
“Acho que hoje isso não é um problema. Temos o contrário. Temos a mesma situação dos GPs. Mais pessoas querem entrar, de longe, do que querem sair”, apontou. “Como existe o interesse de muitas fábricas, mas também de muitas equipes, os atuais podem discutir, comercializar e negociar com eles, se sentirem que são fracos ou que não existe futuro para eles”, considerou.
“Então acho que esse é outro valor para o que temos aqui, sabendo que ao redor deles existem fábricas e outras equipes que querem estar no negócio. É um fato que, na minha opinião, vai reforçar o valor da Fórmula 1”, encerrou.