É possível dizer que a Red Bull, ao menos no seu corpo técnico e diretivo, é sinônimo de estabilidade na Fórmula 1. Desde o nascimento da sua equipe, os energéticos têm na cúpula figuras-chave como o chefe Christian Horner, o consultor Helmut Marko e o mago da aerodinâmica Adrian Newey. Recentemente, a Aston Martin contratou Dan Fallows, chefe de aerodinâmica, que desde 2006 fazia parte do time de Milton Keynes. Em contrapartida, a Ferrari conviveu com muitas mudanças na sua estrutura, desde a presidência — com a morte de Sergio Marchionne — e as trocas na chefia da escuderia: desde 2014, já ocuparam a função de chefe nomes como Marco Matiacci, Maurizio Arrivabene e, desde 2019, Mattia Binotto, então chefe da divisão de motores de Maranello.
É justamente essa estabilidade da Red Bull que Binotto coloca como um modelo de sucesso de gestão. E esse é um dos fatores atribuídos pelo engenheiro ítalo-suíço para o sucesso da equipe dos energéticos nesta temporada 2021. Os taurinos desafiam a Mercedes, grande força hegemônica da F1 desde 2014, e estão na frente do Mundial de Pilotos, com Max Verstappen, e do Mundial de Construtores, com 40 pontos de vantagem para a rival anglo-alemã.
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“Antes de olhar para o aspecto técnico, é preciso reconhecer que a Red Bull fez um excelente trabalho. Acho que é justo sublinhar que eles estão alcançando resultados excelentes porque podem contar com uma equipe que está estável há muitos anos, apesar de ter enfrentado dificuldades, apesar de não ter vencido [títulos], seguiram com o grupo para tentar melhorar o carro. E o que vemos agora é o resultado desse trabalho”, declarou Binotto em entrevista veiculada pela versão italiana do site Motorsport.
O chefe da Ferrari traçou um paralelo entre a situação da Red Bull com a Mercedes. “Se, por outro lado, olharmos para a Mercedes, ao longo do ano passado houve mudanças internas significativas, com papéis que podem ser revistos e a assinatura com o piloto [Lewis Hamilton] só em fevereiro. São sinais de uma distração que gerou a situação atual”, apontou.
Ainda sobre a Red Bull, Binotto foi perguntado sobre o motor Honda e sobre uma insinuação por parte da Mercedes, de que a marca japonesa teria promovido evoluções na sua unidade motriz. Grande conhecedor do assunto, o ítalo-suíço rechaçou tal possibilidade.
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“Não concordo com o que ouço e leio por aí, já que o desempenho do motor Honda, olhando para os dados de GPS, corresponde ao desempenho que eles tiveram no começo da temporada, no Bahrein. Então, eles tiveram de reduzir o desempenho em razão de problemas de confiabilidade. Acredito que, ao resolvê-los, eles voltam aos padrões que tinham no começo da temporada. Não houve crescimento”, explicou.
“Nós, do Bahrein em diante, sempre tivemos o mesmo nível de desempenho porque o motor assim permitiu. Portanto, para a Red Bull não se trata de ter dado um passo em frente, já que isso não seria permitido pelo regulamento”, salientou.
O chefe da escuderia de Maranello também ressaltou a fase da Ferrari como um todo em uma temporada de altos e baixos e disse que a tendência é seguir assim por algum tempo.

“Se você olhar para a França, veio pela frente um fim de semana que nós poderíamos ter preparado melhor, mas, na comparação com o ano passado, houve uma melhora significativa que acho evidente, mas ainda falta algo sobre pensar em chegar nas equipes de ponta”, afirmou o dirigente depois do fim de semana do GP da Estíria.
“Não nos esqueçamos que nosso carro é o mesmo do Bahrein, ao qual procuramos tirar o máximo do seu potencial. Por vezes, não tivemos êxito, como na França, talvez com escolhas que em retrospectiva poderiam ter sido diferentes, mas também em razão das fraquezas do próprio carro. Esses pontos fracos não vão desaparecer, assim como as diferenças para os melhores não vão sumir. É melhor não se deixar enganar”, alertou.
Binotto ressaltou a melhora no GP da Estíria depois da jornada desastrosa na França e que, no fim das contas, tudo serve como impulso para que a temporada de 2022 seja melhor em todos os aspectos.
“Da nossa parte, existe o desejo de fazer o melhor, corrigir os erros e aprender. É isso para todas as áreas de trabalho. Se olharmos para as paradas de ontem, foram boas, bem como a estratégia de corrida, as escolhas de acerto, a integração dos pilotos, mas ainda há muita coisa a ser feita para garantir que, no ano que vem, possamos ter um carro melhor e uma equipe competitiva”, concluiu.
A Fórmula 1 continua com sua série de três corridas em finais de semana consecutivos e permanece no Red Bull Ring para a disputa do GP da Áustria entre os dias 2 e 4 de julho, com promessa de casa cheia no circuito austríaco. O GRANDE PRÊMIO cobre tudo AO VIVO e em TEMPO REAL.
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