A temporada 2025 é, definitivamente, a melhor da Mercedes desde a estreia do regulamento atual, que trouxe como principal mudança a volta do efeito-solo aos carros. Os alemães são os únicos que conseguiram vencer nesse ano além dos pilotos da McLaren e de Max Verstappen, tanto que George Russell manteve chances matemáticas de título até o GP de São Paulo, mas isso não significa que todos os problemas vividos principalmente em 2022 tenham ficado para trás.

Sim, a evolução é nítida, mas a Mercedes ainda oscila demais, na visão do estrategista sênior, o brasileiro Leonardo Donisete da Silva. Por isso todos em Brackley aguardam com ansiedade pela mudança que acontecerá a partir de 2026, quando a Fórmula 1 contará com novas unidades de potência, com a parte elétrica ampliada, e, consequentemente, mudanças importantes na parte aerodinâmica.

Durante a passagem da F1 por Interlagos, no último fim de semana, ele recebeu a equipe do GRANDE PRÊMIO e foi perguntado se o crescimento em 2025 deixava a sensação de que mais um ano seria o ideal para Russell e Kimi Antonelli brigarem por vitórias mais vezes. Leonardo foi sincero.

“Olha, acho que se você perguntar para a maioria das pessoas, elas vão dizer que estão ansiosas pelo novo regulamento, sim”, disse.

Kimi Antonelli teve um fim de semana ótimo em Interlagos, mas a Mercedes não sabe como será em Las Vegas (Foto: Rodrigo Berton/Agência Warm Up)

“É claro que se você colocar numa perspectiva de longo prazo, se comparar o início desse regulamento com agora, é óbvio que a gente evoluiu muito e aprendeu muito sobre esse carro. Mas como o começo foi muito difícil para a Mercedes, todas as conversas sobre porpoising, bouncing e tudo aquilo, a gente passou muito tempo tendo de rever, consertar, começar do zero. E essas coisas levam anos para conseguir recuperar”, salientou.

“Então, sim, esse ano a gente ganhou algumas corridas, tivemos performance muito boas, outras corridas que não foram tanto, mas acho que, no geral, a gente ainda oscila muito”, ressaltou o brasileiro.

De fato, a aposta no famigerado zeropod — o conceito que trouxe as entradas de ar laterais mais estreitas — fez a Mercedes entrar numa espiral de tentativa e erro que ainda parece longe de uma solução definitiva. Há também a questão do carro preferir climas mais amenos, porém isso nem sempre foi uma verdade absoluta na temporada.

Leonardo reconhece que “às vezes é até um pouco difícil prever quais corridas vão ser boas, quais corridas não vão ser tão boas”, pois só se descobre quando o carro vai para a pista na sexta-feira.

“Então acho que talvez, se continuássemos com esse regulamento mais um pouco, conseguiríamos estabilizar mais o conceito do carro e tudo mais, mas a verdade é que a McLaren está claramente à frente, e todo esse percurso de tentar alcançá-los é muito árduo”, encerrou o estrategista da Mercedes.

No GP de São Paulo, a equipe foi ao pódio com Antonelli na segunda posição tanto na corrida sprint quanto na prova de domingo. George Russell, por sua vez, foi terceiro e quarto, respectivamente. Com o resultado, a Mercedes chegou a 398 e abriu 32 pontos para a Red Bull, que assumiu a terceira posição.

Após a passagem pelo Brasil, a Fórmula 1 só retorna no fim do mês, para mais uma edição do GP de Las Vegas. A antepenúltima etapa da temporada 2025 acontece entre os dias 21 e 23 de novembro, com cobertura completa do GRANDE PRÊMIO. Depois, restarão apenas as passagens por Catar e Abu Dhabi.

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