A discussão em torno da taxa de compressão dos motores da Fórmula 1 ganhou mais um capítulo nos bastidores. A proposta apresentada recentemente pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) à Comissão da F1 para alterar o método de medição foi revista após resistência de parte das fabricantes envolvidas e, agora, será implementada em duas fases e terá apenas uma medição a partir de 2027 — ao contrário das duas propostas anteriormente.
A polêmica envolvendo os motores estourou em meados de dezembro, quando o portal inglês The Race publicou uma reportagem afirmando que a Mercedes havia encontrado uma solução inteligente para ampliar o limite da taxa de compressão, reduzida de 18:1 para 16:1 com a mudança no regulamento de 2026.
A solução da escuderia alemã foi confirmada, e a federação iniciou uma investigação, além de realizar uma série de reuniões com as outras fabricantes. A FIA, então, propôs uma mudança no regulamento a partir de 1º de agosto de 2026 para que a taxa de compressão dos novos motores não fosse medida apenas em temperatura ambiente, mas também em condições quentes, a cerca de 130 °C.
A intenção era aprovar a alteração por meio de uma supermaioria entre as partes envolvidas: as cinco fabricantes — Mercedes, Ferrari, Honda, Audi e Red Bull Powertrains —, além da própria FIA e da F1. Para que a regra fosse validada, seriam necessários seis dos sete votos possíveis.

Porém, segundo informações do portal alemão Motorsport-Magazin, o movimento ganhou contornos relevantes porque as rivais da Mercedes se opuseram à proposta. A resistência não foi à ideia de medir em duas condições, mas à combinação de fatores e ao prazo proposto inicialmente.
O novo acordo, que deve ser formalizado em breve, antecipa a data de implementação de 1º de agosto para 1º de junho de 2026. Além disso, estabelece um processo em duas etapas: durante o restante desta temporada, a taxa de compressão será medida tanto em condição fria quanto quente. A partir de 2027, no entanto, a medição passará a ser feita exclusivamente com o motor em estado aquecido.
Essa última parte é crucial. Caso a medição dupla permanecesse indefinidamente, as rivais entenderam que a Mercedes ainda poderia manter algum grau de vantagem. Ao restringir o critério apenas à condição quente a partir de 2027, o eventual benefício da solução técnica alemã praticamente desapareceria.
A taxa de compressão de um motor de F1 é definida pela relação entre o volume máximo do cilindro — quando o pistão está no ponto mais baixo — e o volume mínimo — quando o pistão está no ponto mais alto. A possibilidade de ampliar essa janela de compressão resultaria em cerca de 15 cavalos de potência a mais — ou aproximadamente 0s3 por volta.
A Fórmula 1 retorna de 5 a 8 de março em Melbourne, palco do GP da Austrália, abertura da temporada 2026.
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