O teto de gastos instituído na Fórmula 1 na temporada 2021 tem levantado grandes debates em torno da sua eficácia, principalmente porque uma das razões da criação do limite orçamentário é aproximar os times em termos de performance — o que não aconteceu. É por isso que a categoria já considera discutir uma flexibilidade nesse valor e ajustes para ajudar as equipes menores.

A informação é da revista britânica Autosport. A publicação relatou nesta sexta-feira (24) que o assunto foi discutido na última reunião da Comissão da Fórmula 1, e a Williams é uma das principais interessadas nas possíveis mudanças. A ideia, no entanto, é apoiada por outros chefes de equipes.

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A Williams sofre com a infraestrutura obsoleta e não pode gastar além da conta para melhorar as instalações (Foto: Williams)

Fixado atualmente em US$ 135 milhões (cerca de R$ 710 milhões), o teto orçamentário obriga as dez equipes do grid atual a gastarem na temporada apenas o valor determinado pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo). Isso inclui não apenas investimento para otimizar no carro, todo o trabalho de aerodinâmica, além da atualização de peças, como também qual capital será usado para melhorias na infraestrutura das fábricas.

Esse último, na verdade, é o grande ponto de discordância, pois as equipes consideradas de ponta — Red Bull, Ferrari e Mercedes — já possuem instalações modernizadas, o que acaba se transformando numa vantagem natural sobre as menores. As que desejam melhorar o local de trabalho geralmente são obrigadas a ‘desviar’ do orçamento destinado às atualizações dos seus respectivos carros.

Além dos chefes das equipes, FIA e FOM já sinalizaram que estão abertas a discussões. A Autosport afirma ainda que uma análise mais detalhada das possíveis mudanças nos gastos de capital será debatida nas próximas semanas.

James Vowles, chefe da Wiliams, falou sobre a necessidade urgente que as equipes menores têm de revitalizar suas próprias instalações. “Pessoalmente, acho que, se queremos uma meritocracia, preciso que minha equipe tenha a chance de alcançar as grandes com os mesmos recursos.”

“Há alguns [recursos de infraestrutura] que eu considero básicos e que já estão em vigor em outras equipes há quase 15 anos. Por exemplo, há recursos de software que permitem que se entenda corretamente onde todas as suas peças estão, e eles simplesmente não existem [na Williams], acrescentou. “Não é assim que podemos seguir em frente. Portanto, precisamos implantar sistemas e estruturas”, completou Vowles.

Otmar Szafnauer, chefe da Alpine, também vê o atual limite de gastos da F1 como “injusto”. “O que o teto de gastos faz é solidificar algumas desigualdades inerentes. Se você for uma equipe pequena e não tiver um grande túnel de vento, por exemplo, e não conseguir construir um, estará ferrado para sempre. Por isso, há dispensas para novos túneis”, ressaltou, concluindo que “se não houver permissão para esse gasto, a desigualdade existirá para sempre”.