A Formula 1 acompanha com atenção a escalada de conflitos no Oriente Médio após a intensificação de ações militares envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel. A situação colocou sob observação direta os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, marcados para 12 e 19 de abril, respectivamente. Até o momento, não há nenhum cancelamento confirmado, mas pode haver alguma alteração a depender dos desdobramentos.
Segundo informações do portal PlanetF1, tanto Federação Internacional de Automobilismo (FIA) quanto Formula One Management (FOM) mantêm vigilância constante sobre a situação. Em nota, a FOM destacou que os eventos no Golfo ainda estão a algumas semanas de distância.
“As próximas três corridas são na Austrália, China e no Japão, não no Oriente Médio, onde já chegaremos em algumas semanas. Como sempre, monitoramos de perto qualquer situação como essa e trabalhamos com as autoridades competentes”, informou.
O conflito começou com um ataque coordenado dos Estados Unidos e de Israel a cidades iranianas na madrugada deste sábado (28). O movimento aconteceu após semanas de negociações e pressão dos EUA para que Teerã encerrasse o programa nuclear. Um novo encontro entre os países estava marcado para segunda-feira (2).

Como resposta, o Irã atacou uma base militar americana no Bahrein, que fica a cerca de 35 km do Circuito Internacional do Bahrein, pista que foi palco da pré-temporada e recebe a quarta etapa da temporada 2026 da F1 em abril. Além do local, houve relatos de explosões e sirenes de alerta no Catar, no Kuwait, na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos, onde estão Dubai e Abu Dhabi. Sistemas de defesa antimísseis foram acionados. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que os EUA iniciaram “grandes operações de combate no Irã”, enquanto autoridades iranianas indicaram que as ações podem se intensificar.
A escalada já provocou impactos. McLaren e Mercedes realizariam um teste de pneus da Pirelli no Bahrein, mas a atividade foi cancelada, e integrantes das equipes buscam retornar à Inglaterra ou seguir diretamente para a Austrália. Parte das pessoas do paddock tenta evitar conexões aéreas na região. Tradicionalmente, voos da Europa para Melbourne fazem escalas em Doha, Dubai ou Abu Dhabi — locais que também registraram alertas de segurança recentes.
Autoridades locais emitiram avisos de emergência orientando a população a buscar abrigo imediato e evitar áreas abertas. Relatos extraoficiais mencionam vítimas após queda de destroços em Abu Dhabi, enquanto a mídia estatal iraniana divulgou alegações — ainda não verificadas — sobre mortes em território iraniano.
Não é a primeira vez que a F1 precisa lidar com instabilidades geopolíticas no Oriente Médio. Em 2011, o GP do Bahrein — que abriria a temporada — foi cancelado por conflitos internos no país. Já em 2022, durante o GP da Arábia Saudita, um ataque atingiu uma instalação da Aramco nas proximidades do circuito de Jedá enquanto os carros estavam na pista para o TL1. Após reuniões com autoridades locais, decidiu-se pela manutenção do evento.
Mais recentemente, em junho do ano passado, um ataque iraniano teve como alvo a base aérea de Al Udeid, no Catar, em resposta a uma ofensiva israelense anterior. Ainda assim, o GP do Catar foi realizado normalmente meses depois, sem incidentes.
A Fórmula 1 retorna de 5 a 8 de março em Melbourne, palco do GP da Austrália, abertura da temporada 2026.
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