Franco Colapinto garantiu que não fez qualquer movimento de defesa que tenha provocado o acidente sofrido por Oliver Bearman no GP do Japão, realizado domingo (29). O argentino disse que se tornou “um alvo fácil” por conta da “estranha” perda de velocidade e foi mais um a endossar o coro contra o atual regulamento da Fórmula 1.

Bearman vinha em um trecho de alta velocidade quando, de repente, precisou jogar o carro na grama para não encher a traseira de Colapinto, 45 km/h mais lento. O piloto da Haas bateu a 308 km/h, recebeu uma força de 50G com o impacto e chegou a descer do carro mancando.

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Depois da corrida, Colapinto conversou com os jornalistas presentes em Suzuka e reconheceu a gravidade da situação. “Foi muito estranho, para ser franco, eu era um alvo fácil.”

“A diferença de velocidade é muito grande. É quase como se você estivesse em uma volta de aquecimento e o outro piloto, em uma volta rápida. É muito estranho. É uma curva que estamos fazendo a fundo e ele estava mais de 50 km/h mais rápido do que eu”, explicou, chamando atenção para a natureza do circuito de Suzuka como agravante.

“Acho que a situação fica realmente perigosa quando as retas não são retas e há curvas, porque não estamos em linha reta, estamos fazendo curvas. E quando olhei no retrovisor, ele estava rodando na grama. Mas mesmo rodando, ele me ultrapassou, então imagine a diferença de velocidade. Em algum momento, fica realmente perigoso. Ainda bem que ele está bem”, completou Colapinto.

Oliver Bearman chegou a ser amparado pelos fiscais por conta de dores no joelho (Foto: Reprodução/Sky Sports)

Bearman, por sua vez, evitou culpar diretamente o regulamento e disse que “não havia recebido muito espaço”, dando a entender que Franco, de fato, fizera algum movimento de defesa. Mas o argentino refutou.

“Eu não me movi nem nada do tipo”, assegurou. “Acho que a diferença de velocidade se deve a vários fatores, mas o principal é que um carro está a 50 km/h a mais que o outro, e é aí que fica perigoso”, afirmou.

“São coisas que acontecem com esses carros, só precisamos de alguma forma tornar isso um pouco menos problemático, porque no caso das ultrapassagens, é a mesma coisa: essas ultrapassagens são realmente artificiais, como se vê pela TV. De repente, um piloto 50 km/h mais rápido passa e às vezes você nem vê. Portanto, acho que são coisas que precisam ser revisadas no futuro”, encerrou.

O regulamento de 2026 trouxe como mudança principal o aumento da parte elétrica em uma proporção 50/50 com o motor de combustão. Isso significa que o piloto precisa gerenciar a energia ao longo da volta, usando de alguns artifícios de pilotagem para recarregar a bateria.

A forma mais convencional de recarga é nas frenagens, mas em pistas fluídas e de alta velocidade como Suzuka, os pilotos são forçados a usar com mais frequência o chamado super clipping, ou seja, pisar no acelerador até o fim para que essa recarga aconteça. Acontece que isso causa um efeito indesejado: a perda de velocidade, uma vez que o MGU-K começa a jogar parte da energia para bateria ao invés do motor.

A Fórmula 1 agora entra em hiato após a suspensão dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita e retorna de 1º a 3 de maio com o GP de Miami.

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