George Russell vive uma fase especial. No último domingo (15), o inglês venceu com autoridade o GP do Canadá e conquistou um dos triunfos mais merecidos da temporada 2025 da F1. É que simplesmente não fazia sentido um cara, com o nível de exibições que George vinha tendo, estar zerado no campeonato.
É verdade também que a vitória em Montreal ainda não muda o status de Russell no campeonato. Como o próprio piloto bem sabe, a Mercedes segue sem passar total confiança de que está pronta para uma disputa de título, assim como é impossível cravar que esse carro prateado não vai abrir o bico diante do menor sinal de calor.
O ponto, porém, é justamente esse: a instabilidade da Mercedes e os problemas crônicos do time com o clima é que afastam Russell da disputa pelo título, não a performance do piloto. Não mais, aliás.
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Sempre muito rápido e inegavelmente talentoso, George é a prova de que um piloto pode levar anos até atingir um grau de maturidade técnica suficiente. Quer dizer, quem analisa friamente o que é a pilotagem de Russell em 2025 e o que era o inglês até meados de, pelo menos, 2023, repara facilmente a diferença. Se George era criticado porque passava do ponto e perdia chances em momentos de pressão, hoje é exaltado pela regularidade e pela forma que aproveita oportunidades. É um cara que conseguiu encontrar consistência sem deixar pelo caminho a agressividade que enchia os olhos. Um baita feito.
É claro que Max Verstappen está em um nível diferente de todo mundo, mas não é absurdo algum dizer que Russell talvez seja o segundo nessa lista. Absurdo seria não colocá-lo ao menos nesse grupo de perseguidores, inclusive.
Curioso também que George hoje seja o principal desafeto de Max no grid. Tem muito de personalidades opostas fora das pistas aí, sim, mas também de posturas mais parecidas do que os dois pensam dentro delas: arrojados, agressivos, não fogem das disputas e não baixam a cabeça para ninguém. É quase que inevitável que esses dois simplesmente não parem de se bicar.
A real também é que ainda parece cedo para chamar isso de rivalidade, visto que Verstappen é um tetracampeão e Russell vai vencendo as primeiras corridas dele na categoria, mas a F1 já viu inúmeras situações parecidas na história. O próprio Max não era metade do que é hoje quando encarou de frente Lewis Hamilton, por exemplo.

O fato é que as faíscas já foram várias, da confusão em Baku, em 2023, aos rádios desesperados de ambos no fim de semana, no Canadá. E há ainda um componente indispensável nessa mistura explosiva: além da personalidade forte dos dois, os caras guiam por Red Bull e Mercedes, simplesmente duas equipes que amam se odiar. Ainda mais nas figuras de Christian Horner e Toto Wolff.
Se a McLaren brinda hoje a F1 com um grande carro, com potencial histórico, mas uma rivalidade interna bem ‘água de papaia’, Russell x Verstappen seria o que a categoria mais precisa, não só pela qualidade técnica que seria empregada na disputa, mas por tudo que viria junto na comanda.
No fim das contas, George já faz a parte dele: não teve corrida alguma realmente abaixo da média, com exceção de um GP de Mônaco em que o carro quebra ainda na classificação. Ainda, enfrenta Verstappen e chama para briga alguém que também adora esse clima.
E era dessa versão 2025 de Russell que a F1 mais precisava.
A Fórmula 1 retorna de 27 a 29 de junho, na Áustria, 11ª etapa da temporada 2025.