Após uma pré-temporada alarmante da Aston Martin, marcada por constantes falhas do motor Honda e sinais claros de que ainda está distante das principais forças do grid, Fernando Alonso se vê diante de um cenário complexo na reta final da trajetória na Fórmula 1. Bicampeão mundial e dono de uma das carreiras mais longevas e respeitadas da categoria, o espanhol depende agora de uma virada técnica que pode ser considerada quase como milagre para transformar a nova era da F1 em um último capítulo à altura do legado que vai deixar. E a esperança passa inevitavelmente pela figura de Adrian Newey, projetista de maior sucesso de todos os tempos.
Bicampeão mundial em 2005 e 2006, com a Renault, Alonso quebrou paradigmas ao desbancar a lenda Michael Schumacher ainda no auge e se consolidou precocemente como um dos melhores pilotos do seu tempo. Ao longo de duas décadas, passou também por Minardi, McLaren, Ferrari, Alpine e agora Aston Martin — quase sempre como protagonista, mas nem sempre com a máquina à altura de suas ambições.
A trajetória de Alonso é histórica. É recordista em corridas (420) e temporadas disputadas (22), marcas que, somadas às 32 vitórias e aos 106 pódios, só reforçam a magnitude do que representa o espanhol. No entanto, a busca por um terceiro título mundial permanece frustrada, com a última vitória datando de 2013 — um hiato de mais de 200 corridas sem subir no degrau mais alto do pódio.
É nesse contexto que Adrian Newey surge como figura decisiva no destino da carreira do espanhol. Ao longo do caminho na F1, o lendário projetista foi o cérebro por trás de carros dominantes em diferentes eras. Desde a Williams campeã do início dos anos 1990, passando pela vitoriosa McLaren do fim dos anos 1990, até a Red Bull que dominou grande parte da década de 2010 e retornou ao topo nos anos 2020. Por essas equipes, acumulou 14 Mundiais de Pilotos e 12 de Construtores, além de 223 vitórias.
Ironicamente, foi justamente o período de Newey na Red Bull que contribuiu para que Alonso tenha estacionado nas duas conquistas mundiais. Em três das quatro temporadas que foram levadas por Sebastian Vettel, o espanhol foi o vice-campeão — à época, correndo pela Ferrari. A ironia fica ainda maior ao lembrar que a equipe austríaca foi atrás do piloto em duas oportunidades — uma em 2009 e outra em 2011. Tivesse aceitado uma das propostas, já poderia ter conquistado mais títulos e ter uma carreira ainda mais condecorada.
Após muitos anos e um enorme “e se”, Alonso e Newey finalmente se encontram na Aston Martin. Contratado inicialmente para comandar o departamento técnico, o britânico foi alçado ao posto de chefe de equipe após uma reestruturação anunciada no fim de 2025, sinalizando a confiança que a equipe tem na capacidade do lendário engenheiro em liderar um processo para se tornar potência no grid.

A chegada de Newey ao projeto coincide com uma das transformações técnicas mais profundas na F1 em muito tempo. O espanhol já afirmou que 2026 pode ser a última temporada na F1 se tiver um carro competitivo à disposição, demonstrando estar ciente de que a própria técnica não garante, por si só, resultados extraordinários — e, ao mesmo tempo, o desejo de encerrar a carreira enquanto ainda é um piloto competitivo.
Entretanto, o que se viu na pré-temporada foi totalmente o oposto disso. Com um motor Honda extremamente problemático, a Aston Martin foi a equipe que menos conseguiu andar. Foi tão raro ver o AMR26 na pista que é praticamente impossível tirar qualquer conclusão sobre o projeto aerodinâmico desenvolvido por Newey. Após o fiasco completo no Bahrein, é inevitável não questionar: será que Alonso vai ser obrigado a se contentar com esse fim tão frustrante?
No fim das contas, a história do espanhol nunca foi sobre resignação. Foi sobre resistência, voltar quando parecia que não fazia mais sentido e competir com a mesma intensidade de um novato mesmo após duas décadas no topo do automobilismo.
Se a capacidade e experiência de Newey forem o suficiente para resgatar a Aston Martin da tragédia do Bahrein e para entregar a consistência e performance que faltaram nos últimos anos, o espanhol terá um sopro de esperança de escrever um final feliz para a própria história. O que é difícil imaginar é o #14 se resignando com uma última página melancólica.

Alonso quer encerrar a carreira sendo relevante, disputando posições, sentindo que ainda pertence à ponta do grid. Em resumo: quer deixar a F1, antes que a F1 o deixe. Se isso acontecerá em 2026 ou não, resta esperar para ver. A única certeza neste momento é que pilotos com esse tipo de fogo interno raramente se dão por vencidos com facilidade — e não será diferente com ele.
A Fórmula 1 retorna neste fim de semana, de 5 a 8 de março, com o GP da Austrália, abertura da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP da Austrália de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 1 | 22:30 | 0:30 | 02:30 | 03:30 |
| Treino livre 2 | 02:00 | 04:00 | 06:00 | 07:00 |
| Treino livre 3 | 22:30 | 0:30 | 02:30 | 03:30 |
| Classificação | 02:00 | 04:00 | 06:00 | 07:00 |
| Corrida | 01:00 | 03:00 | 05:00 | 06:00 |
*Horário de Brasília
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