A temporada 2026 marca um ponto de virada na Fórmula 1 e um dos momentos mais importantes da história da Red Bull. Com a chegada do novo regulamento de chassis e motores, a equipe taurina optou por fabricar do zero a própria unidade de potência pela primeira vez, em parceria com a Ford. A transição, considerada um tanto ousada, acontece quando a figura de Laurent Mekies ainda é nova na liderança da equipe. E, apesar das incertezas em relação ao novo capítulo, as coisas parecem ter começado de forma positiva para o time de Milton Keynes.

Depois de a Honda anunciar que deixaria a F1 após a temporada 2021, a Red Bull optou por assumir o projeto da montadora japonesa e deu continuidade à fabricação dos motores — ainda que a fabricante tivesse voltado atrás e ajudado a equipe nas operações. A marca dos energéticos ousou ainda mais e confirmou que, a partir de 2026, fabricaria do zero a própria unidade de potência, o que chamou muita atenção. Afinal, por mais que a história como equipe fosse riquíssima, os austríacos tinham zero experiência na concepção de motores.

A decisão foi tomada ainda na gestão de Christian Horner, que liderou a equipe de forma ininterrupta desde 2005, quando a empreitada na F1 começou, até meados da temporada 2025. Na reta final da passagem pelo time, o ex-dirigente se envolveu em diversos problemas, desde a guerra interna por poder, travada principalmente contra o ex-consultor Helmut Marko, até a polêmica acusação de conduta inapropriada contra uma funcionária e a queda de performance entre meados de 2024 e a primeira metade de 2025.

Com a saída de Horner, Mekies, que antes era chefe da Racing Bulls, foi escolhido como substituto e, embora o resultado das primeiras corridas não tenha sido satisfatório, o francês mostrou que a Red Bull acertou na decisão. Após um jejum de pódios, Max Verstappen conquistou um segundo lugar no GP dos Países Baixos e iniciou a arrancada rumo ao quinto título. Tanto que, nas últimas nove corridas, venceu em seis oportunidades e terminou no top-3 nas outras três. Como resultado, descontou uma grande diferença em relação à McLaren e fechou a campanha na vice-liderança, com apenas dois pontos a menos que o campeão Lando Norris.

Laurent Mekies assumiu a chefia da Red Bull no meio da temporada 2025 (Foto: Red Bull)

Na época, Marko atribuiu a melhoria da equipe à forma como Mekies abordava o fim de semana.

“Ele trouxe uma nova abordagem à forma como encaramos as corridas, e isso obviamente teve seus efeitos. Laurent é um excelente engenheiro; portanto, a ideia é pegar o que a simulação nos mostra e unir isso à experiência de Max e dos nossos engenheiros de corrida. É desse jeito que queremos fazer um carro mais previsível e fácil de pilotar”, disse Marko ao canal Viaplay.

“Os engenheiros estão ouvindo mais os pilotos agora. Se você tem um piloto tão rápido e experiente, creio que é a maneira certa de fazer isso. Ele tem de pilotar o carro de qualquer forma. E, no final, era importante melhorar a nossa velocidade máxima”, contou o ex-consultor.

Embora Mekies tenha recebido aprovação interna com o ganho de performance na reta final de 2025, o grande desafio começa em 2026. Com um carro completamente novo e a unidade de potência da Red Bull, o novo dirigente precisa mostrar que é capaz de levar a equipe no topo da Fórmula 1.

Max Verstappen quer brigar pelo quinto título em 2026 (Foto: Red Bull Content Pool)

E, levando em consideração o que foi visto durante a pré-temporada, o começo da nova fase da Red Bull parece que será positivo. Embora ainda não seja possível definir a ordem de forças do grid, Ferrari, Mercedes, Red Bull e McLaren dividiram o protagonismo durante os testes realizados em Barcelona e no Bahrein e, além de acumularem uma boa quilometragem, alternaram-se no topo da tabela de tempos. Portanto, parece correto dizer que a equipe austríaca estará ao menos no pelotão da frente.

Em um momento de mudança de regulamento, mais do que mostrar velocidade, as equipes se preocupam em acumular o máximo de quilometragem possível durante a pré-temporada para obter dados e embasar o desenvolvimento do carro. Em Barcelona, a Red Bull completou 307 voltas (1.411 km) ao longo dos três dias e, quando somadas às da Racing Bulls, o novo motor registrou 622 giros (2.896 km).

Depois, embora tenha enfrentado um ou outro problema ao longo dos seis dias no Bahrein, a Red Bull anotou 672 voltas (3.636 km) e 1.406 giros (7.609 km) com o novo motor, o que indica uma confiabilidade notável, vindo de uma equipe que nunca trabalhou com unidades de potência. Além disso, no que diz respeito aos tempos de volta, Verstappen terminou como o quinto mais rápido em Sakhir, com 1min33s109.

Portanto, ainda que em uma fase completamente nova, a gestão de Mekies parece estar conseguindo lidar com a adversidade de desenvolver um motor do zero. Resta saber se o time manterá o padrão ao longo da temporada 2026 da F1 e conseguirá conduzir a equipe de volta ao topo.

A Fórmula 1 retorna neste fim de semana, de 5 a 8 de março, com o GP da Austrália, abertura da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

GP da Austrália de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:

SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Treino livre 122:300:3002:3003:30
Treino livre 202:0004:0006:0007:00
Treino livre 322:300:3002:3003:30
Classificação02:0004:0006:0007:00
Corrida01:0003:0005:0006:00

*Horário de Brasília

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