Ayao Komatsu revelou que conversou pessoalmente com o presidente da Toyota, Akio Toyoda, para informá-lo da contratação de Rafael Câmara para a temporada 2027 da Fórmula 1. O chefe da Haas contou que foi até o Japão para explicar como seria o processo de escolha do substituto de Esteban Ocon e, diante do sabido interesse da marca nipônica de colocar Ryo Hirakawa no grid, agiu antecipadamente para evitar mal-entendidos com a parceira.

Em outubro de 2024, a Toyota iniciou uma parceria com a Haas, que permitiu à equipe ter recursos adicionais para testes com carros anteriores (TPC). Neste ano, além de começar a operar em conjunto um simulador totalmente novo, o time mudou de nome para incorporar a sigla TGR, do programa de automobilismo da marca.

A Ferrari, que fornece motores à esquadra estadunidense, tem influência na escolha de pilotos e já emplacou nomes da sua academia, como Esteban Gutierrez, Mick Schumacher e o próprio Oliver Bearman. Da mesma forma, levantou-se questionamentos se a parceria com a Toyota funcionaria da mesma forma.

Após o anúncio da contratação de Câmara — outro jovem da Ferrari —, Komatsu revelou que, antes mesmo do início da parceria, viajou a Tóquio para uma reunião com o presidente da Toyota. Segundo ele, a intenção foi alinhar expectativas institucionais e deixar claro que o apoio financeiro e técnico da montadora não garantiria, automaticamente, um assento para Ryo Hirakawa, piloto apoiado pela marca.

“Desde o primeiro momento em que começamos a conversar com a Toyota em 2024, sabia que Akio-san [Akio Toyoda] estava muito interessado em colocar um de seus pilotos na vaga de titular para 2027. Então, fui vê-lo pessoalmente em Tóquio, antes de assinarmos qualquer coisa, antes de ele fazer qualquer comentário, porque não queria mal-entendidos. Não queria que investisse na equipe com a ideia de que conseguiria a vaga“, explicou.

“Disse a ele: ‘Entendo seu objetivo, mas este piloto, seja quem for, tem de ser o mais rápido. Se eu escolhesse alguém que não fosse o melhor, a leitura seria a de que a Toyota apenas injetou dinheiro para colocar o cara lá na F1’. Então, quem conseguisse a vaga, seria classificado como um ‘piloto pagante da Toyota’. E não produziríamos os resultados que deveríamos”, argumentou o dirigente.

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Hirakawa foi cogitado pela Haas, mas acabou preterido por Câmara (Foto: Haas)

“Para as três partes envolvidas, não funcionaria. Fui totalmente transparente desde o início e disse que escolheríamos o piloto mais rápido. Ele ficou completamente feliz com isso”, seguiu.

Com as regras estabelecidas, a Haas avançou com a avaliação e convocou Hirakawa para testar ao lado de Câmara e Leonardo Fornaroli no circuito de Portimão. O método criterioso adotado, segundo Komatsu, agradou ao mandatário da montadora asiática, mesmo com a atividade tendo como consequência a preferência pelo brasileiro.

“Inicialmente, quando contamos sobre o plano de avaliar Ryo Hirakawa junto a outros pilotos, ele ficou muito feliz e disse que a Haas estava fazendo as coisas da maneira correta. Isso mostra o calibre da pessoa. Ele nunca esperou que seu piloto recebesse uma vaga sem mérito. E teve a garantia de que estávamos agindo de forma profissional e justa”, disse.

“Uma vez que tomei a decisão, fui vê-lo na segunda-feira após o GP de Singapura, porque tínhamos outro evento e foi uma boa chance de encontrá-lo. Contei tudo pessoalmente, todo o processo que ele já conhecia. Era importante olhar nos olhos dele para dar a notícia. Ele lidou perfeitamente bem com isso, ele é esse tipo de pessoa. Não posso ser mais grato por termos essa colaboração”, concluiu.

A Fórmula 1 tira uma folga neste fim de semana e retorna entre os dias 23 e 25 de outubro, para a disputa do GP dos Estados Unidos. A etapa de Austin será a 18ª da temporada 2026.