Em mais um trecho da autobiografia ‘Drive’, que será lançada nesta quinta-feira (22), Christian Horner revelou que chegou a conversar com Lewis Hamilton a respeito de uma vaga na Red Bull para a temporada 2013 da Fórmula 1. Embora o dirigente tenha deixado claro que possuía interesse em contar com o agora heptacampeão mundial, explicou que dois fatores travaram as negociações: o aspecto financeiro e Helmut Marko.
O britânicou estreou na principal categoria do automobilismo em 2007 pela McLaren, equipe com a qual conquistou o primeiro título da carreira no ano seguinte. Distante da briga por novos troféus entre 2009 e 2012, o piloto decidiu procurar um novo rumo para a carreira. Foi neste momento que Anthony Hamilton, pai de Lewis, e o empresário Simon Fuller começaram a sondar o mercado e, dessa forma, entraram em contato com o então chefe dos taurinos.
“Lewis Hamilton parecia estar perdendo o ânimo na McLaren. Visto de fora, seu relacionamento com Jenson Button parecia desgastado, e ele estava cada vez mais desanimado após uma série de problemas mecânicos ao longo de 2012. Ocasionalmente, eu cruzava com ele nas corridas, e sempre nos tratávamos bem, mas achei estranho ver um ex-campeão mundial tão vulnerável”, lembrou Horner.
“Então, certo dia, enquanto conferia no celular se havia chamadas perdidas ou mensagens, vi o número do pai dele na tela e me perguntei se Lewis estaria mudando de opinião em relação à Red Bull. Quando foi convocada uma reunião secreta com Lewis na casa de Adrian [Newey], perto de Ascot, minha intuição se confirmou. Ele queria sair da McLaren, e nós éramos seu destino preferido”, seguiu.
“‘O que é preciso para eu me juntar a vocês?’, perguntou ele, enquanto nos sentávamos. Adrian, que não é conhecido por conseguir disfarçar suas emoções, parecia radiante. E não era para menos. Ter Sebastian Vettel e Lewis Hamilton como dupla de pilotos era uma perspectiva tentadora”, admitiu.
Ainda que o desejo de contar com Hamilton fosse grande, Horner afirmou que havia dois obstáculos. O primeiro era financeiro, com o ex-chefe da Red Bull enfatizando que “cifras astronômicas” estavam envolvidas nas negociações. A situação precisava ser analisada com cautela, uma vez que o piloto era indiscutivelmente uma das maiores estrelas do grid.

“Em 2012, Lewis havia se transformado em uma figura icônica, depois de vencer quatro corridas em sua temporada de estreia na McLaren, em 2007. Cinco anos depois, era um piloto de elite, conhecido por sua velocidade explosiva e, possivelmente, um dos mais rápidos da história da categoria. Era o campeão mundial de 2008, tinha vencido 17 corridas e conquistado 19 pole-positions”, elogiou.
“Como piloto, era fantástico na chuva, destemido e capaz de extrair o máximo absoluto de seu carro. Também era um sonho para o departamento comercial. Lewis estampava inúmeras campanhas publicitárias em outdoors e comerciais de TV. No conjunto, era praticamente o adversário perfeito para Sebastian. Adrian, que estava sempre buscando elevar o nível dos pilotos da Red Bull, ficou particularmente entusiasmado. E eu não poderia culpá-lo.”
“Naturalmente, o obstáculo era o dinheiro. Qualquer acordo que levasse Lewis à Red Bull exigiria cifras astronômicas, especialmente porque ele era agenciado por Simon Fuller”, ponderou.
O segundo fator era Marko, que atuava como consultor da Red Bull e também era responsável pelo programa de jovens talentos da escuderia de Milton Keynes. O austríaco sempre foi muito apegado a Vettel, que, naquela altura da carreira, já havia conquistado três títulos mundiais e sonhava com o quarto, que se concretizou na temporada seguinte.

“Helmut certamente não pareceu impressionado quando soube da notícia. A chegada de Lewis provavelmente afetaria Sebastian, seu protegido, e era evidente que ele estava apreensivo. Mesmo assim, intrigado, resolvi sondar o terreno. Simon era conhecido por falar de maneira discreta, mas sua primeira proposta foi tão ousada que me deixou de queixo caído. ‘Você e eu podemos fechar o maior negócio do esporte desde Muhammad Ali’, afirmou ele, com toda a confiança”, continuou Horner.
“Eu ri, já acostumado ao jargão dos agentes esportivos. Simon ganharia muito dinheiro, e a Red Bull teria de gastar uma fortuna. Apesar das inegáveis vantagens comerciais, não levei a ideia adiante com muito empenho. Mas o acordo com Lewis certamente interessaria a alguém. E eu tinha uma boa ideia de quem poderia ser esse alguém”, pontuou.
Foi aí que Niki Lauda, que então atuava como diretor não-executivo da Mercedes e que chegou a convidar Horner para chefiar as Flechas de Prata em 2013, apareceu na história. Em meio às exigências contratuais por parte de Hamilton e o empresário, Christian lembrou dos conselhos que deu ao colega.
“A equipe de Niki na Mercedes estava desesperada por resultados. Depois de comprar a Brawn GP em 2010, a equipe passou dois anos enfrentando dificuldades no meio do pelotão. Sua única vitória nesse período havia sido conquistada por Nico Rosberg no GP da China de 2012. No entanto, se a Mercedes conseguisse financiar um acordo com Lewis, substituindo o aposentado Michael Schumacher por um dos pilotos mais empolgantes daquele momento, certamente daria um salto de qualidade”, declarou.

“Bernie [Ecclestone, ex-chefão da F1] via a transferência como uma história empolgante para a F1. Niki, porém, parecia incerto. Ele temia que o investimento necessário fosse alto demais para a Mercedes, especialmente porque Simon Fuller buscava um acordo revolucionário. Por isso, sugeri que ele próprio bancasse o contrato. Se o acordo fosse fechado, Niki provavelmente recuperaria o investimento apenas com a venda de produtos licenciados”, encerrou.
A Fórmula 1 volta de 23 a 25 de outubro em Austin, com o GP dos Estados Unidos. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da 18ª etapa da temporada 2026 da Fórmula 1, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
Horários do GP dos Estados Unidos da F1 2026
O GP dos Estados Unidos acontece de 23 a 25 de outubro, em Austin, com treinos livres, classificação e corrida.
| Dia | Sessão | Brasil | Portugal | Angola | Cabo Verde | Moçambique |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Sexta, 23/10 | Treino livre 1 | 14h30 | 18h30 | 18h30 | 16h30 | 19h30 |
| Sexta, 23/10 | Treino livre 2 | 18h | 22h | 22h | 20h | 23h |
| Sábado, 24/10 | Treino livre 3 | 14h30 | 18h30 | 18h30 | 16h30 | 19h30 |
| Sábado, 24/10 | Classificação | 18h | 22h | 22h | 20h | 23h |
| Domingo, 25/10 | Corrida | 17h | 21h | 21h | 19h | 22h |
Horário de Brasília para o Brasil e de Portugal continental e Madeira para Portugal.