Kimi Antonelli experimentou neste domingo (29) o que pode ser a tal ‘sorte de campeão’, caso o campeonato de 2026 realmente se desenhe em um duelo entre os carros da Mercedes. Depois de uma largada desastrosa, o italiano aproveitou o safety-car para voltar à ponta e vencer o GP do Japão de Fórmula 1. Oscar Piastri e Charles Leclerc completaram o pódio.

Como já era esperado, nem o novo regulamento conseguiu proporcionar intensas disputas por posição na técnica, porém estreita pista de Suzuka. Os dois pontos principais, na verdade, foram a largada, que trouxe um impressionante Piastri aproveitando a péssima partida dos carros da Mercedes para assumir a liderança, e o safety-car causado pela forte batida de Oliver Bearman, que simplesmente recolocou Antonelli na ponta, para desespero de George Russell.

A partir daí, a história da corrida foi sobre administrar a bateria, porém Suzuka expôs um ponto muito preocupante. No acidente de Bearman, Franco Colapinto simplesmente perdeu velocidade em um trecho de alta, uma diferença de 45 km/h que fez o piloto da Haas jogar o carro na grama e virar passageiro para não encher a traseira da Alpine.

Mas esse não foi o único episódio de clara perda de potência. Leclerc também se valeu da lentidão de Russell para pegar o terceiro lugar algumas voltas depois do safety-car. Desde os treinos livres, chamou atenção a transmissão oficial da F1 cortar a onboard dos carros na mítica 130R, trecho entre as curvas 13 e 14 de altíssima velocidade. Mas antes mesmo do fim da curva, já era nítida a perda de potência — e, consequentemente, de velocidade.

Lewis Hamilton foi o quinto colocado, com Lando Norris, Pierre Gasly, Max Verstappen, Liam Lawson e Esteban Ocon fechando o top-10. Gabriel Bortoleto também teve uma largada ruim, perdendo quatro posições, mas foi um dos que aproveitaram o carro de segurança para trocar pneus e voltou na zona de pontos, porém foi superado por Esteban Ocon ainda na relargada, depois por Nico Hülkenberg e Isack Hadjar.

A Fórmula 1 agora entra em hiato após a suspensão dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita e retorna de 1º a 3 de maio com o GP de Miami.

Confira como foi o GP do Japão da F1 2026:

Antes do tradicional desfile dos pilotos, os espectadores presentes em Suzuka tomaram um enorme susto com o carro voando sobre o alambrado no forte acidente na Porsche Cup, responsável pelo evento suporte do fim de semana. Felizmente, ninguém se machucou, porém causou danos consideráveis na barreira de proteção que provocaram o atrasado da largada em dez minutos.

Quando a pista enfim foi liberada para a formação do grid, os termômetros em Suzuka marcavam 19°C de temperatura ambiente, com a pista em 37°C e a umidade relativa do ar em 54%. Nas escolhas de pneus para o primeiro stint, quase todos optaram pelos médios, com Valtteri Bottas, de duros, sendo a única exceção.

Antonelli, então, tomou a posição de honra, com Russell ao lado, na primeira fila. Atrás, um duelo interessante prestes a se desenhar entre Piastri, em terceiro, e Leclerc, o quarto, já apostando no sistema de largada para bagunçar o início da prova. E Bortoleto vinha em nono com a Audi.

Quando as luzes se apagaram, eis que Piastri surpreendeu a todos e assumiu a liderança, aproveitando-se do enrosco de Leclerc com os carros da Mercedes — o monegasco trouxe para a linha de dentro e perdeu tempo. O duo prateado, em contrapartida, despencou: Antonelli caiu de primeiro para sexto, enquanto Russell fechou a volta 1 em quarto.

A largada do GP do Japão (Foto: Red Bull Content Pool)

Largada complicada também para Bortoleto, que perdeu quarto posições e caiu para 13º. Hadjar foi outro que perdeu posição, enquanto Verstappen já entrava na zona de pontos, em décimo.

Volta 3, Antonelli tentava recuperar terreno o quanto antes e deixava Hamilton para trás. Já Russell superava Norris e subia para terceiro, iniciando a perseguição a Leclerc. E a ultrapassagem veio sem dificuldades na abertura do quarto giro, na curva 1.

Até então, os seis primeiros formavam um pelotão compacto, com as diferenças variando entre 0s4 e 1s. Piastri é que aproveitava a liderança para abrir alguma vantagem, escapando momentaneamente de um eventual ataque de Russell.

O mesmo não poderia ser dito sobre Norris, na alça de mira de Antonelli, mas o italiano tinha dificuldades para encontrar espaço e efetuar a manobra. Na frente, Russell baixava a distância de Piastri décimo a décimo até abrir a oitava volta apenas 0s3 atrás.

Antes da abertura da volta 9, Russell superou Piastri na freada da chicane e assumiu a ponta, porém o australiano foi rápido em dar o troco na reta principal, retomando o posto na curva 1. Era cena, aliás, já conhecida em 2026 por conta da necessidade do gerenciamento da bateria: as ultrapassagens constantes nas primeiras voltas, só que a natureza travada de Suzuka ficou evidente na batalha pelo terceiro posto, entre Leclerc, Norris e Antonelli. Visivelmente mais rápido, Kimi ainda se via preso atrás do #1 da McLaren, ao passo que Leclerc não conseguia acompanhar o ritmo de Russell e já se via com 2s de desvantagem.

Oscar Piastri (Foto: McLaren)

Enquanto isso, Hamilton vinha em sexto, com Gasly, Verstappen, Ocon e Lindblad fechando a zona de pontos. Bortoleto, por sua vez, era o 14º, três posições à frente do companheiro de Audi, Hülkenberg, que também não fez uma boa largada.

A ultrapassagem de Antonelli sobre Norris veio na volta 11, da mesma forma como Russell, na chicane, e, dessa vez, sem contragolpe da parte da McLaren. Mas restava ainda Leclerc até começar a remar os 2s5 de desvantagem até George — que apresentava mais dificuldades que o esperado para assumir de vez a ponta.

Na volta 14, Antonelli tentou a ultrapassagem na curva 1, mas Leclerc se defendeu bem. Enquanto isso, Verstappen reclamava da direção do RB22, para ele inexistente, tamanha era a dificuldade de pilotar. Ele já tomava 4s4 de Gasly, isolado na oitava posição.

Na frente, Antonelli usou da mesma tática com Norris para ultrapassar Leclerc, só que o #16 da Ferrari não deixou barato na freada da curva 1 e voltou à terceira posição. Antonelli já se via a mais de 4s atrás de Russell.

Volta 17, a rodada de pit-stops foi aberta por Norris, que colocou os compostos duros para ir até o fim, seguindo a previsão da Pirelli, e voltou em oitavo. Bearman também parou na mesma volta e retornou à pista em 19º.

No giro seguinte, foi a vez de Leclerc parar — a Ferrari reagindo rápido para evitar o undercut — e voltar à frente de Norris, também de pneus duros. Depois, a McLaren chamou o líder, Piastri, para a troca obrigatória de pneus.

As paradas de Piastri e Leclerc fizeram a Mercedes pular para as duas primeiras colocações, Russell 2s6 à frente de Antonelli. “Acho que vou perder muito tempo estendendo o pit-stop”, avaliou Russell pelo rádio enquanto se mantinha na pista. Mais atrás, Piastri abria caminho sobre Verstappen e pulava para quinto.

Com as paradas de Ocon, Hadjar, Lindblad, Colapinto e Bearman, Bortoleto apareceu na décima posição. Volta 22, Russell entrou nos boxes para a troca de pneus e seguiu o protocolo, calçando o jogo de duros novos disponível. Na volta à pista, foi surpreendido pelo forte acidente de Oliver Bearman, que de repente viu Franco Colapinto ficar muito lento e, para não encher a traseira da Alpine, desviou em alta velocidade e perdeu o controle. Ele chegou a descer do carro mancando.

O safety-car, então, foi acionado, e Russell não se segurou. “Inacreditável!”, bradou por conta do timing totalmente desfavorável. Melhor para Antonelli, que recuperou a ponta perdida na largada com o pit-stop em bandeira amarela e ainda viu Piastri se colocar entre ele e o #63.

E Hamilton, que fez o mesmo e retornou à pista à frente de Leclerc, em quarto. Norris era o sexto, com Gasly, Verstappen, Lawson e Bortoleto — também favorecido pelo safety-car, fechando o top-10.

O safety-car deixou a pista na abertura do giro 28, com Antonelli conduzindo bem a fila, enquanto Hamilton foi certeiro e, por fora, ultrapassou Russell, indo para terceiro. Bortoleto, por sua vez, perdeu posição para Ocon, caindo para 11º.

A partir daí, Antonelli conseguiu abrir mais de 2s de vantagem para Piastri, que puxava o trenzinho com Hamilton, Russell e Leclerc separados por cerca de 0s5 cada. Norris vinha mais distante, 2s5 atrás. A corrida, então, deu certa estabilizada, com todos os pit-stops obrigatórios efetuados.

Enquanto isso, a Haas avisava que Bearman não havia sofrido fraturas, apenas uma contusão no joelho direito provocada pelo impacto de 50G com a batida.

Na volta 38, eis que Leclerc aproveitou uma aparente perda de potência de Russell e pulou para o quarto lugar. Antonelli já abria quase 8s na liderança para Piastri, que mantinha Hamilton a 1s3 de distância. Russell ainda tentou buscar o pódio no fim, mas Charles, embora reclame muito, mostrou que entendeu bem como funciona o gerenciamento da bateria.

F1 2026: resultado do GP do Japão em Suzuka:

POSPilotoEquipeDiff
1A K ANTONELLIMercedes53 Voltas
2O PIASTRIMcLaren Mercedes+13.722
3C LECLERCFerrari+15.270
4G RUSSELLMercedes+15.754
5L NORRISMcLaren Mercedes+23.479
6L HAMILTONFerrari+25.037
7P GASLYAlpine Mercedes+32.340
8M VERSTAPPENRed Bull RBPT Ford+32.677
9L LAWSONRacing Bulls RBPT Ford+50.180
10E OCONHaas Ferrari+51.216
11N HÜLKENBERGAudi+52.280
12I HADJARRed Bull RBPT Ford+56.154
13G BORTOLETOAudi+59.078
14A LINDBLADRacing Bulls RBPT Ford+59.848
15C SAINZWilliams Mercedes+65.008
16F COLAPINTOAlpine Mercedes+65.773
17S PÉREZCadillac Ferrari+92.453
18F ALONSOAston Martin Honda+1 volta
19V BOTTASCadillac Ferrari+1 volta
20A ALBONWilliams Mercedes+2 voltas
21L STROLLAston Martin HondaAbandonou
22O BEARMANHaas FerrariAbandonou