Se o surgimento de Charles Leclerc para tomar a pole-position no sábado chocou a todos que acompanhavam o fim de semana no Hungaroring, a maneira como o piloto da Ferrari desapareceu da briga pela vitória neste domingo (3) foi tão surpreendente quanto. De dono absoluto da prova para uma queda de desempenho impressionante, ficou para trás, abrindo caminho para uma batalha entre a dupla da McLaren. E foi um verdadeiro quebra-cabeças, que terminou com Lando Norris em vantagem.
▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
A briga foi uma das melhores da temporada, bem como toda a corrida. Norris apostou em estratégia diferente após largar mal e foi para uma parada. Oscar Piastri, sofrendo atrás de Leclerc por boa parte do dia, quis marcar Lando antes da segunda janela de pit-stop, mas terminou avisado que perderia até o segundo lugar se assim fizesse. Então, restava trocar de pneus e buscar o espaço perdido. Foi o que tentou. E tentou mesmo, com direito a passar muito perto de acertar o companheiro de equipe na penúltima volta. Mas não conseguiu.
A 200ª vitória da história da McLaren na Fórmula 1 chega, por tanto, na forma da nona corrida ganha por Norris. O campeonato para por quase um mês com os dois separados por somente nove pontos no Mundial de Pilotos. Tem muita briga pela frente.

A decepção maior veio, de fato, com Leclerc. De um primeiro stint magnífico para um segundo duvidoso e um verdadeiro desastre no último, cobrou duramente a Ferrari no rádio e terminou sem conseguiu sustentar nada de ritmo, sendo ultrapassado por George Russell e fora do pódio. Russell, desta forma, voltou ao top-3. Fernando Alonso foi quinto colocado.
Enquanto isso, Gabriel Bortoleto conquistou o melhor resultado dele na F1. Nos pontos pela terceira vez nas quatro últimas corridas, desta feita o piloto da Sauber largou bem, passou Lance Stroll e viveu na sexta colocação pelo resto do dia. Nem mesmo Max Verstappen conseguiu tirá-lo de lá.
O top-10 foi finalizado por Stroll, Liam Lawson, Verstappen e Andrea Kimi Antonelli. Lewis Hamilton tentou outra estratégia na largada, partiu de pneus duros, mas não fez valer a situação. Terminou no mesmo 12º lugar em que largou.
A Fórmula 1 agora para e entra no tão aguardado recesso de meio de temporada. Será quase um mês sem corridas, com período de repouso para pilotos e membros das equipes, até o retorno, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort, entre os dias 29 e 31 de agosto.
Confira como foi o GP da Hungria de F1:
A previsão do tempo para o GP da Hungria era uma bagunça. Certeza de chuva durante a semana, praticamente garantia de que não haveria água no horário da prova um dia antes e, com a largada logo ali, radares tremendo com água pela esquina. Mesmo que não chovesse, o tempo estava muito distante daquele calor visto na sexta-feira e no sábado. Apenas 23°C de temperatura ambiente e, com o dia tremendamente nublado, o asfalto se encontrava em 31°C. Nos dois dias anteriores, chegou a 50°C.
As estratégias não eram tão diversas assim. Apenas Carlos Sainz, Alexander Albon e Nico Hülkenberg tinham pneus macios, enquanto Lewis Hamilton e Pierre Gasly partiam de duros. De resto, 15 saíam de médios: o pole Charles Leclerc entre eles, bem como Oscar Piastri, Lando Norris, George Russell, Fernando Alonso, Lance Stroll, Gabriel Bortoleto, Max Verstappen, Isack Hadjar, Oliver Bearman, Liam Lawson, Andrea Kimi Antonelli, Esteban Ocon, Franco Colapinto, Yuki Tsunoda, que saía em último após ser punido no domingo de manhã pela troca no motor efetuada pela Red Bull.
A largada apresentou Leclerc se movimentando bem para segurar a tentativa de pressão das McLaren, mas Norris ficou apertado no canto com o movimento dos primeiros colocados e abriu caminho para Russell passar com facilidade. Alonso se lançou instantes depois e também levou a melhor. Bortoleto passou Stroll pelo sexto posto, enquanto Lawson chegou a deixar Verstappen para trás. Hamilton perdeu posições para Antonelli e Sainz.

O movimento por todo o grid na largada continuou em seguida. Leclerc saiu da janela do DRS logo na terceira volta, abrindo 1s para Piastri, com Norris ultrapassando Alonso pelo quinto posto. Verstappen também foi atrás de recuperação e rapidamente retomou a posição perdida na largada antes de ataque com estilo para sacar Stroll do caminho e colar em Bortoleto.
A má notícia para Gabriel veio na volta cinco, quando a direção de prova anunciou possível queima de largada, bem como o companheiro de equipe Hülkenberg. Nico, aliás, ganhou uma série de posições ne partida e logo em seguida parou nos boxes e trocou pneus. Enquanto isso, Hadjar avisava que tinha machucado a mão por conta de impacto do cascalho da brita após Bearman, logo à frente dele, tocar fora da pista com meio carro.
Surpresa gigante pela pole à parte, Leclerc começava a corrida voando e chegava à décima volta com 3s de frente para Piastri. Mesmo assim, questionava a Ferrari no rádio. “O que está havendo com esses cortes [de potência]?”, perguntou. Ainda não dava para notar no ritmo do carro, mas estava preocupado.
Hülkenberg foi, de fato, punido com 5s adicionados ao tempo de prova por conta de queima de largada. Bortoleto, por sua vez, foi liberado sem nenhum outro problema. E continuava na frente de Verstappen.
O segundo piloto a parar nos boxes foi Franco Colapinto, no fim da 13ª volta, para colocar pneus duros. Agora, sim, era oficialmente o início da janela de pit-stops. Tanto Ocon quanto Albon entraram na volta seguinte, uma vez que começaram a corrida de pneus macios. Sainz, também se livrando dos macios, foi o próximo. Todos optaram por pneus duros.
Norris era o piloto mais rápido da pista, tinha a volta mais rápida e colava na traseira de Russell para tentar recuperar a terceira posição. Enquanto isso, a McLaren ordenava que Piastri “usasse o ritmo” para tentar cortar a vantagem de Leclerc, que continuava variando entre 2s5 e 3s.
Verstappen, preso atrás de Bortoleto, foi o próximo a parar, agora na volta 17, para colocar pneus duros, pegar um pouco de ar limpo e tentar o undercut. Norris também queria entrar, avisando sobre desgaste de pneus. Mas a McLaren parou Piastri primeiro, na volta 18, em buscar de um undercut contra Leclerc. A Ferrari reagiu e chamou Charles imediatamente. Russell foi também, e apenas Lando, entre os primeiros colocados, continuava na pista na volta 20. Era um jogo de gato e rato, porque a maioria dos pilotos na pista ainda não tinha feito pit-stop.
Leclerc voltou ao traçado na frente de Piastri e, após breve trava dos pneus na curva um, passou Alonso — que não fez qualquer esforço para segurar, deixando claro que fazia uma corrida pensando em poupar os pneus. Com isso, voltava a sair da zona de DRS contra o rival pela liderança. Oscar precisou de uma volta inteira para passar Alonso na curva um.

Norris tinha cerca de 12s de frente para Leclerc. Agora que todo mundo tinha parado, considerava seguir numa estratégia diferente. Caso um safety-car aparecesse naquele ponto da prova, tiraria sorte grande. A McLaren avisou, na volta 23, que a tentativa agora era “estender o stint”.
Hülkenberg ultrapassou Tsunoda com facilidade, mas algumas voltas depois quem apareceu atrás dele como um dragão foi Verstappen. Max tomou o 13º lugar, mas avisou ao time que a tática de parada não agradou. Isso, porque a intenção era ficar no ar livre, mas muita gente pensou a mesma coisa e, no fim das contas, o tetracampeão ficou no meio do tráfego.
“Estratégia de uma parada funcionaria?”, perguntou Piastri no rádio. A resposta foi que era difícil. Pudera, a primeira parada veio antes da volta 20 numa corrida de 70 giros. A tentativa de undercut contra a Ferrari falou miseravelmente, e Leclerc já se aproximava de novo dos 2s de frente.
Sumido na corrida após largar já de pneus duros, Hamilton era o 11º colocado, mas reclamava de estar “como um pato sentado” atrás da dupla Bearman e Hadjar. Estava mais lento que poderia, mas sem conseguir atacar. Atrás dele, Verstappen aparecia para apavorar.

“Posso sentir aquilo que debatemos antes da corrida. Precisamos discutir essas coisas antes de fazermos”, avisou Leclerc no rádio. A mensagem era misteriosa, mas o ritmo continuava bom. Por outro lado, a McLaren agora falava oficialmente em optar pela estratégia de uma parada com Norris. “Sim, por que não?”, respondeu o piloto.
Leclerc continuava. “Vamos perder a corrida”, afirmou. O ritmo com pneus duros incomodava o ferrarista, que continuava se aproximando de Norris e sustentando a dianteira para Piastri.
Os pilotos que largaram de pneus duros estavam sob ataque. Gasly, de Hülkenberg, e Hamilton, de um agressivo Verstappen na curva quatro. Lewis acabou indo para a área de escape e perdendo a posição, mas não houve toque entre os dois.
De acordo com a Pirelli, o pneu médio funciona até 31 voltas no Hungaroring. E foi justamente no fim da volta 31 que Norris parou para fazer, muito provavelmente, o único pit-stop na corrida. Leclerc se aproximava de qualquer jeito, abaixando a desvantagem para menos de 2s. A parada da McLaren foi muito boa e, agora, tinha de fazer 38 voltas com os pneus duros. Plenamente possível.
Mas nem todo mundo tinha parado. Alonso, Bortoleto, Stroll, Lawson e Hadjar, que largaram de médios, seguiam na pista, bem como Hamilton, que começou de duros. Gasly parava na volta 32.
Na frente, Leclerc recuperava a liderança com 1s5 de vantagem para Piastri. Russell era o terceiro, com Norris cerca de 10s atrás — e 19s atrás do líder. Alonso, Bortoleto, Stroll, Lawson, Verstappen e Hadjar completavam o top-10. Mas o incidente entre Max e Lewis foi anotado pela direção de prova.
Piastri recebeu a opção de seguir a estratégia pensando em Leclerc e na corrida ou marcar Norris e fazer somente uma parada. Escolheu marcar o rival do campeonato. Após blefe da McLaren, Leclerc parou de novo na volta 40. Alonso e Bortoleto também pararam, finalmente. Hamilton era o único sem paradas na corrida. Foi por aí que a direção de prova informou que investigaria o incidente entre ele e Verstappen depois da corrida.
Albon, Tsunoda e Colapinto eram outros que já haviam parado uma segunda vez. Já Verstappen recebeu o aviso de que a melhor possibilidade para o restante da corrida dele era arriscar uma parada só. “Não vai ser fácil”, respondeu em meio a uma risada.

Russell recebeu um apupo da Mercedes no rádio e respondeu à Kimi Räikkönen. “Só me deixem guiar”, resmungou. Norris voava tentando chegar nele e, no caminho, passava bastante por fora das zebras. Até recebeu aviso da direção de prova para parar com isso.
E, aí, a Mercedes parou George na volta 44. Norris continuava a tirar vantagem para Piastri, agora perto da casa de 8s, mas Leclerc estava atrás dele a 7s. Lando tinha um pneu 13 voltas mais novo que o de Oscar e, a não ser que estivesse matando a borracha com a velocidade agressiva, tinha grande vantagem.
A McLaren estava vendo o que tinha pela frente e recomendou que Piastri parasse pensando na situação de Leclerc. “Não me importo, estou de olho em Lando”, respondeu. Mas parou mesmo assim na volta 46. Voltou 5s atrás de Leclerc e tendo que recuperar campo.
Avisado de que agora era o líder de fato da corrida, Norris se aproximava de um grupo de retardatários e já pedia para a McLaren “fazer tudo para bandeiras azuis”.
“Você tem danos significativos na traseira”, avisou a Haas após Bearman informar que tinha alguma coisa de errado. Em seguida, pediu para ir aos boxes abandonar a corrida. Era o primeiro abandono do dia.
Finalmente, Piastri conseguiu atacar Leclerc. Com uma Ferrari se desfazendo na pista, Charles nem resistiu, e Oscar tomou a segunda posição na volta 52. Estava 8s atrás de Norris e tinha 18 giros pela frente. Enquanto isso, Lando chegava num trem de retardatários e recebia o pedido de cuidado com o pneu dianteiro esquerdo.
A briga pela vitória tinha uma situação posta: Piastri chegaria a Norris, restava saber quando e se teria condições de ultrapassar.
Atrás deles, Russell tirava 1s por volta de Leclerc, que, inconformado, dava bronca no rádio. “Isso é incrivelmente frustrante. Perdemos toda a competitividade. Vocês precisam me ouvir, eu teria achado outra maneira de encontrar esses problemas. Agora está impossível de guiar. É um milagre se terminarmos no pódio”, reclamou. Ainda não estava claro o que a Ferrari havia feito, mas dava para imaginar que talvez uma alteração no ajusta da asa dianteira para usar os pneus duros na primeira parada nos boxes.

No fim das 61ª volta, Piastri estava 2s5 atrás de Norris. O momento da chegada estava cada vez mais próximo. Afinal, tinha pneus de 15 voltas contra os de 30 calçados em Norris.
Foi também nessa volta que Russell foi para cima de Leclerc na curva um e tentou passar, mas Charles resistiu. George reclamou que o rival se moveu na frenagem, pediu análise dos comissários, mas atacou de novo na volta seguinte e passou. Charles tentou o xis, mas não veio. O pódio sumia das mãos da Ferrari.
Verstappen, importante dizer, desistiu da estratégia de uma parada e foi novamente ao pit-stop. Retornou na nona colocação. Assim, com sete voltas para o fim, Norris e Piastri tinha a briga particular, mas Russell, Leclerc, Alonso, Bortoleto, Stroll, Lawson, Verstappen e Antonelli formavam o top-10. Gabriel se aproximava do melhor resultado na F1.
Piastri entrou oficialmente em zona de DRS no meio de mais um trem de DRS. Norris superou Hamilton, mas ainda tinha Hadjar e Antonelli pelo caminho. Oscar tirou Lewis junto e cortou a reta dos boxes próximo, mas sem atacar ainda. Norris precisava desesperadamente entrar na zona do DRS atrás de Hadjar o mais rápido possível.

Longe dali, a direção de prova colocava em discussão um toque entre Sainz e Gasly voltas antes.
No fim da volta 66, mais uma vez Piastri estava próximo, mas não conseguiu atacar na curva um. Norris resistia um pouco mais numa pista sem outros pontos claros de ultrapassagem. Agora, ambos já haviam saído de perto dos retardatários. Era uma briga clara. Na curva um da 68, Piastri ensaiou, mas não conseguiu atacar de verdade. Na 69, Piastri travou tudo e quase, mas quase mesmo, acertou a traseira do companheiro. “Nós lembramos como devemos correr. Só um aviso”, chamou a atenção a McLaren.
A travada afastou Piastri, que nem mergulhou direito na volta final. Não passou. Norris, com pneus de 39 voltas, sustentou e conquistou vitória fundamental no encerramento da primeira parte do campeonato.
Fórmula 1 2025, GP da Hungria, Hungaroring, resultado final:
| 1 | L NORRIS | McLaren Mercedes | 70 voltas | ||
| 2 | O PIASTRI | McLaren Mercedes | +0.698 | ||
| 3 | G RUSSELL | Mercedes | +21.916 | ||
| 4 | C LECLERC | Ferrari | +42.560 | ||
| 5 | F ALONSO | Aston Martin Mercedes | +59.040 | ||
| 6 | G BORTOLETO | Sauber Ferrari | +1:06.169 | ||
| 7 | L STROLL | Aston Martin Mercedes | +1:08.174 | ||
| 8 | L LAWSON | Racing Bulls | +1:09.451 | ||
| 9 | M VERSTAPPEN | Red Bull RBPT Honda | +1:12.645 | ||
| 10 | A K ANTONELLI | Mercedes | +1 volta | ||
| 11 | I HADJAR | Racing Bulls | +1 volta | ||
| 12 | L HAMILTON | Ferrari | +1 volta | ||
| 13 | N HÜLKENBERG | Sauber Ferrari | +1 volta | ||
| 14 | C SAINZ | Williams Mercedes | +1 volta | ||
| 15 | A ALBON | Williams Mercedes | +1 volta | ||
| 16 | E OCON | Haas Ferrari | +1 volta | ||
| 17 | Y TSUNODA | Red Bull RBPT Honda | +1 volta | ||
| 18 | F COLAPINTO | Alpine | +1 volta | ||
| 19 | P GASLY | Alpine | +1 volta | ||
| O BEARMAN | Haas Ferrari | NC |