Se tem um lugar que sempre entrega o que promete, é Silverstone. Em uma corrida completamente caótica por conta da chuva, Lando Norris se valeu da punição de 10s a Oscar Piastri e venceu o GP da Inglaterra, realizado neste domingo (6), mas a dobradinha da McLaren já era esperada, fosse qualquer uma das condições. O protagonismo da melhor corrida de 2025 até aqui foi todo de Nico Hülkenberg, terceiro colocado.
A chuva transformou a corrida numa completa loteria, mas ainda assim a McLaren resistia forte em meio ao aguaceiro do asfalto inglês e ainda se valendo de raros erros de Max Verstappen, sempre muito forte em pista molhada. Em um deles, o neerlandês rodou na relargada e despencou de segundo para décimo.
Só que esse lance foi sequencial à quase estacionada de Piastri quando o safety-car se preparava para deixar a pista. O australiano tomou 10s por conta disso, decisão da direção de prova que abriu para os rivais chance de ouro de vencer — Norris, claro, o primeiro da fila, em oportunidade nada desperdiçada.
Mas passeio da McLaren à parte, a grande briga da corrida foi entre o piloto mais contestado por não ter um único pódio no currículo, apesar de toda a experiência e inegável qualidade que possui, e o maior vencedor da história da Fórmula 1. Em uma tacada certeira da Sauber na primeira rodada de pit-stops, Hülkenberg surgiu como o improvável desafiante ao terceiro posto, mas seria preciso muito braço para segurar o heptacampeão.
E Hamilton lutou muito, principalmente antes da parada final, quando a pista já tinha trilho. Mas no seco, contrariando qualquer possibilidade, eis que Hülkenberg começou a fazer volta mais rápida atrás de volta mais rápida, segurando qualquer tentativa de reação de Lewis. Um dos resultados mais inesperados e emocionantes já vistos na F1 recente, após 239 corridas na F1.
O top-10, portanto, ficou assim: Norris, Piastri, Hülkenberg, Hamilton, Max Verstappen, Lance Stroll, Pierre Gasly, Fernando Alonso, Alexander Albon e George Russell.
A Fórmula 1 volta de 25 a 27 de julho, em Spa-Francorchamps, que recebe o GP da Bélgica.
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A rodada de Verstappen na relargada do GP da Inglaterra (Vídeo: Reprodução/F1 TV)
Confira como foi a corrida da F1 em Silverstone:
Depois de duas corridas movimentadas nas categorias de base, com direito a bandeira vermelha por conta das condições da pista, a chuva deu uma trégua providencial para a largada da Fórmula 1, com 18°C de temperatura ambiente, asfalto em 26°C e umidade relativa do ar em 83%. Mesmo assim, a água que caiu ainda no desfile dos pilotos foi suficiente para forçar o uso dos intermediários.
A questão era que o sol já ganhava a reta principal, e se o tempo se mantivesse desta forma não demoraria para formar o trilho. Sem chuva e com sol, portanto, os intermediários não durariam por muito tempo.
Só que a Aston Martin avisou a Alonso que havia mais previsão de chuva entre as voltas 12 e 15 de um total de 52, ou seja: mais uma corrida em que as chamadas de boxes para trocas de pneus poderiam fazer toda a diferença.
Com Verstappen puxando a fila, os pilotos partiram para a volta de apresentação e aquecimento de pneus, só que o giro foi suficiente para fazer Russell, Leclerc, Hadjar, Bortoleto e Hülkenberg entrarem para trocar pneus. Piastri, no entanto, avisou que a reta do Hangar estava “muito molhada para slicks”.
Luzes apagadas, Verstappen fechou a porta para Piastri, enquanto Lawson levava a pior em toque com Ocon e abandonava. Como o Racing Bulls ficou em uma posição não tão fácil para ser retirado, a direção de prova acionou o safety-car virtual.
Antes da intervenção do VSC, Hamilton e Norris protagonizaram belíssimo pega pelo terceiro posto, o #4 mantendo-se à frente, enquanto Piastri tentava não deixar Verstappen escapar.
Na volta 3, foi a vez de Antonelli entrar para colocar os slicks, e dava para perceber como o final do setor 3 e o início do setor 1 estava levantando bastante spray. Quando a bandeira verde foi novamente acionada, Bortoleto acabou rodando na curva 2, destruindo a asa traseira. “Estou bem”, avisou o brasileiro, mas era fim de prova para ele.
A batida de Gabriel Bortoleto (Vídeo: Reprodução/F1 TV)
Enquanto isso, a comunicação era intensa via rádio. De um lado, na volta 5, Hamilton era alertado da chance de chuva nos próximos dez minutos. Na pista, o tempo de Verstappen era em 1min45s5, enquanto Russell, o primeiro da fila com os compostos para pista seca, ainda virava muito alto, em 1min51s1.
A FIA, inclusive, confirmou o alerta enquanto o safety-car virtual era novamente acionado por conta do carro de Gabriel parado em uma das áreas de escape e detritos na pista. “Chuva leve em seis minutos, depois vem chuva pesada”, comunicou a Aston Martin a Alonso, só que a equipe apostou em colocar os macios em Stroll para ganhar terreno em cima dos pilotos que já estavam com os slicks.
Na volta 7, a pista foi novamente liberada, e Piastri não quis saber de perder tempo: abriu asa e ameaçou o ataque, porém Max se defendeu. Na Copse, novamente Oscar aproveitou o carro muito mais equilibrado nas curvas e ganhou a posição de Verstappen na reta do Hangar sem dificuldades.
“Está chovendo. Brilhante”, ironizou Russell, agora totalmente vendido no mesmo instante em que fez a volta mais rápida da corrida, 3s mais rápido que Piastri. Pouco mais atrás, Antonelli resistia bravamente ao ímpeto de Leclerc, de médios, só que o garoto realmente é bom de chuva e dificultou a ultrapassagem, que só veio na detecção da asa móvel.
A batida entre Ocon e Lawson no começo da corrida (Vídeo: Reprodução/F1 TV)
Antonelli, então, retornou aos boxes para colocar os intermediários, assim como Hülkenberg. Ao mesmo tempo, a volta mais rápida passava a ser de Leclerc, em 13º e andando 3s mais rápido que Piastri. Na frente, o australiano já colocava quase 5s sobre Piastri. “Se realmente chover, precisamos parar, meus pneus estão acabados”, avisou Max.
E na volta 11, eis que a chuva despencou com força, conforme a previsão da FIA. No mesmo instante, McLaren chamou Piastri aos boxes, enquanto Norris se aproveitava da escorregada de Verstappen com os intermediários acabados para pegar o segundo posto.
Foi a deixa para todos pararem, só que a troca foi desastrosa para Norris porque Piastri ainda estava lá, ou seja, Max conseguiu recuperar o posto. Com isso, Piastri voltou à liderança, seguido por Verstappen, Albon, Norris, Ocon, Stroll, Hülkenberg, Hamilton, Gasly e Alonso formando os dez primeiros.
Volta 13, o gráfico já mostrava metade da pista em condições de pneus para chuva extrema. Os pilotos seguiam com todo cuidado em meio ao dilúvio, Norris a 0s5 de Verstappen. Foi quando a direção de prova resolveu colocar o safety-car na pista por causa das condições extremas.
Até então, Piastri liderava, com Verstappen e Norris ocupando o pódio. Stroll era o quarto, provando que a ousadia em gastar a borracha macia para levar vantagem e entrar na mesma janela de parada de todos foi certeira. Hülkenberg era o quinto, também em ótima jogada com a parada cedo para colocar um jogo novo de intermediários.
O passeio de Leclerc pela área de escape, totalmente desgovernado (Vídeo: Reprodução/F1 TV)
O carro de segurança puxou a fila até o final da volta 17. Em meio ao spray, Russell conseguiu a ultrapassagem sobre Hamilton na reta dos boxes. Só que Lewis não deixou barato e ainda levou Ocon junto, colocando-se em sétimo. Enquanto isso, Piastri levava 2s para Verstappen, que tinha 2s2 para Norris.
Foi um breve momento de bandeira amarela, já que Hadjar deu uma porrada daquelas no muro e trouxe novamente o safety-car à pista. No replay, sem qualquer visão à frente em meio ao spray, Isack encheu a traseira de Antonelli, que precisou de braço para também não bater. Ocon aproveitou a nova intervenção para finalmente realizar a primeira troca de pneus.
Relargada na abertura do giro 21, e simplesmente Verstappen rodou antes da reta principal. O detalhe era que, antes, Piastri freou tanto que Max teve de colocar o carro de lado, chegando a ultrapassá-lo. A direção de prova, claro, anotou o lance e aplicou 10s a Piastri.
Verstappen retornou no meio do pelotão, em décimo, enquanto o duo da McLaren seguiu na liderança, com Stroll em um inacreditável terceiro lugar. Hülkenberg, Gasly, Hamilton, Russell, Alonso, Sainz e Max completavam o top-10.
Hadjar não viu Antonelli e bateu forte (Vídeo: Reprodução/F1 TV)
Na volta 24, a Mercedes disse para Antonelli recolher o carro. Bearman, portanto, passou a ser o único novato em pista, já que Franco Colapinto sequer largou, mesmo com todas as mudanças na unidade de potência.
Quando a corrida finalmente ganhou um respiro, Hamilton ligou o modo ataque e assumiu o sexto lugar na volta 27, deixando Russell para trás. Gasly, no entanto, ofereceu muito mais resistência ao heptacampeão, que precisou de três giros para conquistar o quinto posto no setor 3 do traçado.
Hülkenberg também baixou a diferença entre ele e Stroll para menos de 1s, o tão sonhado primeiro pódio à vista. Na volta 33, a diferença já era em 0s4, mas a torcida de ambos certamente era por pista molhada. “Está secando, mas lentamente. Longe de condições para slicks”, avisou Piastri.
Na volta 35, a direção de prova liberou o uso da asa móvel, e Hülkenberg não tomou conhecimento de Stroll, subindo para terceiro. Hamilton veio no embalo e não perdeu tempo, pegando o quarto lugar e com totais condições de frustrar rapidamente o sonho do pódio de Nico.
Sem chuva, a pista melhorava cada vez mais, tanto que a Aston Martin chamou Alonso para colocar os médios na volta 38. Russell — que antes disse que a escolha não era questão de ser corajoso, mas não ser suicida — entrou no giro seguinte, só que rodou feito pião ao beliscar a linha branca. Ele deu um passeio na grama e retornou. “Está muito mais molhado que antes”, disse George, e a reação de Toto Wolff foi apenas bater com a cabeça na tela do computador.
Quando o trilho se formou para valer, a corrida pegou fogo. Se Hülkenberg havia resistido bravamente com os intermediários, o mesmo não era garantido com os slicks, só que a Sauber devolveu o alemão à pista com os pneus médios, enquanto Hamilton arriscou os macios. E Nico passou a ser consistentemente mais rápido, até o mais rápido de todos, e Lewis não teve o que fazer a não ser se conformar — e assistir de camarote à brilhante performance do alemão, enfim tomando o lugar que, sim é seu de direito.
Fórmula 1 2025, GP da Inglaterra, Silverstone, final:
| 1 | L NORRIS | McLaren Mercedes | 52 voltas |
| 2 | O PIASTRI | McLaren Mercedes | +6.812 |
| 3 | N HÜLKENBERG | Sauber Ferrari | +34.742 |
| 4 | L HAMILTON | Ferrari | +39.812 |
| 5 | M VERSTAPPEN | Red Bull Honda | +56.781 |
| 6 | P GASLY | Alpine | +59.857 |
| 7 | L STROLL | Aston Martin Mercedes | +60.603 |
| 8 | A ALBON | Williams Mercedes | +64.135 |
| 9 | F ALONSO | Aston Martin Mercedes | +65.858 |
| 10 | G RUSSELL | Mercedes | +70.674 |
| 11 | O BEARMAN | Haas Ferrari | +72.095 |
| 12 | C SAINZ | Williams Mercedes | +76.592 |
| 13 | E OCON | Haas Ferrari | +77.301 |
| 14 | C LECLERC | Ferrari | +84.477 |
| 15 | Y TSUNODA | Red Bull Honda | +1 volta |
| A ANTONELLI | Mercedes | NC | |
| I HADJAR | RB Honda | NC | |
| G BORTOLETO | Sauber Ferrari | NC | |
| L LAWSON | RB Honda | NC | |
| F COLAPINTO | Alpine | NC |