Ainda faltam seis etapas para o fim da temporada 2025 da Fórmula 1, mas com os resultados alcançados por Oscar Piastri e Lando Norris no GP de Singapura deste domingo (5), 18ª corrida do ano, a McLaren acabou com qualquer chance que a concorrência ainda tinha e conquistou o título do Mundial de Construtores pela segunda vez consecutiva — e a décima na história. Agora, a equipe papaia está atrás somente da Ferrari na lista de maiores campeões da categoria.
Depois de levar a melhor em 2024 somente na última etapa, em Abu Dhabi, e quebrar um incômodo jejum de 28 anos, já que o último momento de glória havia sido em 1998, com Mika Häkkinen e David Coulthard, a escuderia comandada por Andrea Stella desenvolveu um carro ainda mais dominante e liderou desde o primeiro instante, no GP da Austrália, com o poderoso MCL39.
Debaixo do temporal que atingiu a pista em Melbourne, a esquadra inglesa deu os primeiros sinais de que estava realmente preparada para enfrentar qualquer desafio que surgisse pela frente. Com uma postura diferente da que foi vista no certame passado, Norris mostrou firmeza e soube se defender contra Max Verstappen para fincar a bandeira laranja no degrau mais alto do pódio — uma cena que voltou a se repetir em nada menos que 11 vezes desde então.
Piastri, que teve um fim de semana decepcionante no Albert Park, pois cometeu um erro e cruzou a linha de chegada somente em nono, mostrou que também queria fazer parte da festa e deu o troco na etapa seguinte, no GP da China. Inclusive, ao ver o #81 puxar a fila no momento em que a bandeira quadriculada era agitada, o público que esteve presente no circuito de Xangai foi testemunha da primeira de sete dobradinhas que o time colecionaria na competição.

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Mas o GP do Japão chegou para mostrar que, ainda que a McLaren contasse com o carro mais rápido, o melhor piloto do grid vestia as cores da Red Bull. Em uma volta mágica na classificação, Verstappen conquistou a pole-position e, no dia seguinte, precisou apenas tirar proveito do apertado traçado de Suzuka para segurar a dupla rival, que teve de se contentar em ver o neerlandês recebendo a medalhada dourada depois de 53 voltas.
No entanto, nos GPs do Bahrein, da Arábia Saudita e de Miami, que vieram logo na sequência, Piastri colocou ordem na casa e acumulou três vitórias, mostrando que a McLaren realmente havia feito um trabalho técnico bom o suficiente para não ter de se preocupar com os sustos que o #1 dos taurinos insistia em dar em determinados momentos. E é bem verdade que, desde o início de 2024, os papaias foram os únicos que definitivamente acertaram a mão em todas as atualizações desenvolvidas para o MCL39 — fruto do excelente trabalho não só do chefão Stella, mas também de Rob Marshall, Neil Houldey, Mark Temple, Peter Prodromeu e de outros grandes nomes nos bastidores.
Porém, nem tudo são flores. Ainda que exista um grande mérito pelo esforço coletivo da equipe, que ainda fez com que Piastri ou Norris levantasse o troféu de primeiro lugar em Mônaco, Espanha, Áustria, Inglaterra, Bélgica, Hungria e Países Baixos, o excesso de companheirismo também fez os laranjinhas virarem motivo de piada em muitas ocasiões — sendo o GP da Itália, em Monza, o principal exemplo disso. Por lá, a escuderia ressuscitou de vez o espírito das famosas ‘papaya rules’ e pediu ao australiano que devolvesse o segundo lugar para o britânico depois de um erro na parada dos boxes.

Um verdadeiro vexame. Não só por parte da gerencia do time, que, claro, tem todo o direito de buscar o cenário ideal de perfeita harmonia para não ter problemas internos, mas principalmente por parte dos pilotos, que se negam a nutrir uma verdadeira alma vencedora e insistem em entregar o troféu um na mão do outro rodada após rodada. Além de muito criticada pela maior parte do público, a cumplicidade exagerada de ambos permitiu, inclusive, que Verstappen se recolocasse na briga pelo prêmio individual — apesar de ser uma possibilidade muito remota, é verdade.
Por outro lado, imune aos problemas que Piastri e Norris possam vir a ter com o tetracampeão, a McLaren apostou as fichas no Mundial de Construtores e permaneceu abrindo distância em relação às rivais. Por isso, ao desembarcar no circuito de Marina Bay com 623 pontos na bagagem, a matemática era simples: a Mercedes, então vice-líder da competição com 290 tentos, precisava somar 31 pontos a mais que o time de Woking para adiar a comemoração; ou então a Ferrari, na terceira colocação com 286, teria de contar com Charles Leclerc e Lewis Hamilton para tirar 35 dos laranjinhas no país asiático.
Em outras palavras, para não depender de ninguém, bastava os pupilos de Zak Brown acumular 13 pontos na etapa deste fim de semana. E foi exatamente isso que aconteceu. Embora a classificação não tenha ocorrido da maneira esperada, já que o australiano foi terceiro colocado no grid e o britânico, quinto, a presença dos dois no top-4 deste domingo foi suficiente para fazer com que a escuderia escrevesse mais um lindo capítulo na história recheada de glórias na F1 — ainda que o conservadorismo exacerbado com os pilotos acabe ofuscando um trabalho técnico dos mais impressionantes que a categoria já viu em 75 anos.
Assim como em 2025, a McLaren também venceu o campeonato em 1974, 1984, 1985, 1988, 1989, 1990, 1991, 1998 e 2024. Agora, com dez títulos na conta, a esquadra inglesa desempatou com a Williams, que possui nove troféus na estante, e está atrás apenas da Ferrari, que tem 16 — ainda que o último tenha sido conquistado em 2008, quando os italianos dispunham do brasileiro Felipe Massa e do finlandês Kimi Räikkönen como dupla de pilotos.

A lista de campeões da F1 ainda reúne nomes como Mercedes, na quarta colocação, com oito triunfos, e Lotus, com sete, fechando o top-5. Além delas, Red Bull (6), Cooper (2), Brabham (2), Renault (2), Vanwall (1), BRM (1), Matra (1), Tyrrell (1), Benetton (1) e Brawn GP (1) são membros do seleto grupo.
Com a conquista coletiva já garantida, a McLaren precisa ficar de olho no duelo entre Piastri e Norris pelo prêmio individual, que viu o clima ficar mais quente no GP de Singapura, com os companheiros não se entendendo muito bem depois de um ataque por parte do britânico logo na largada. A grande questão que fica é: a situação ficou insustentável? Bem, são cenas dos próximos capítulos.
Com o fim da etapa em Marina Bay, a diferença entre eles caiu para 22 pontos na classificação, com seis corridas ainda pela frente: Estados Unidos, México, Brasil, Las Vegas, Catar e Abu Dhabi. Com o principal objetivo já alcançado, agora resta ao time de Stella aproveitar bastante o champanhe antes de tentar acalmar os ânimos cada vez mais incontroláveis por lá.
A Fórmula 1 agora tira uma semana de descanso e retorna entre os dias 17 e 19 de outubro para o GP do Estados Unidos, no Circuito das Américas, em Austin, a 19ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa da principal competição de monopostos do mundo.